espaço de mau feitio, alguma reflexão, música e outras panóplias coloridas

17
Mai 12

E passaram-se mais de três meses desde o último cigarro, iupi. E doze quilos também.
Tendo em conta a minha pequena estatura e a minha mantra de não deixar de comer o que gosto (senhores, deixei de comer carne vai para 16 ou 17 anos, já nem eu sei bem, e isso já é dieta mais que suficiente), esta indesejada instalação de gordura insidiosa começou a incomodar.
Apesar de praticar o "i don't give a damn about the way you look at me" há já vários anos, confesso que a forma cilindrica com que me apresentava começou a incomodar-me mais do que gostaria de admitir.
E depois veio o dia da Mãe. Depois de uma viagem por esse Portugal, chego a Lisboa estafada e tenciono fazer sossegadamente a minha meia hora de caminhada habitual ... e o que é que faço? Corro. Ou uma coisa parecida com correr. Acho que não corria desde 1998 (na faculdade nunca corria para o autocarro e foi neste ano que entrei). E, apesar de o coração me ter saltado pela boca nos 25 metros que aguentei, a coisa não correu tão mal como isso, e o cardio-frequencímetro disse que não estava assim tão à beira da morte. Passei a andar/ correr nos dias em que não vou à hidroginástica (que comecei esta semana e está a ser muito mais cansativa do que pensei). Descanso dois dias por semana (sextas e domingos).
Resultados? Até ver, não perdi peso, não ganhei firmeza, não me tornei na próxima miss universo. Mas o que é certo é que ando com muito mais energia. Se conseguirei manter este ritmo? Não faço ideia. Mas, como sempre, isto só tem piada enquanto, precisamente, tiver piada e for divertido, não quero ser maratonista nem coisa que o valha. Quero ter um corpo saudável mas quero, sobretudo, poder comer. A ideia de um corpo esbelto e sedutor é tão mental quanto a minha atitude perante isso. O que importa, o que sempre importou, o que sempre orientou o meu princípio e modus vivendi é a regra da matinal: gostar de mim.

publicado por Vita C às 09:46

15
Mai 12


12 anos depois, chegou. A metade voltou a comportar-se como se o Pai Natal existisse... e os servidores da Blizzard deram o badagaio.
Não há expansão do WoW que chegue ao ansiado Diablo 3. Até eu joguei a beta! Ontem às 23h lá estavamos a levantar a nossa edição de coleccionador.

publicado por Vita C às 19:19

14
Mai 12

publicado por Vita C às 09:47
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10
Mai 12

Tenho lido por aí o impacto (forte, fortíssimo) dos textos do Miguel Esteves Cardoso, que apenas surpreendem quem nunca o leu. Que comovem as pedras da calçada e deixam indiferentes apenas aqueles cujo coração foi destruído por qualquer maldição alienígena.

Estas semanas têm sido de uma grande convulsão, física e psicológica, que tento encarar com a serenidade que me é possível. E sei, sinto, com a mesma certeza com que respiro sem dar por isso, que nada seria o que é senão fosse a força que a minha metade me transmite. Essa força imponente que emana das coisas simples, sempre as coisas simples. Toda a ternura e todo o carinho, toda a paixão e todo o querer, cabem na palma da mão do meu amor, que se funde na minha mão e me ajuda a encontrar o caminho. Que caminha comigo, ora a meu lado, ora puxando por mim, ora sendo guiado por mim. Não há amor maior para mim. Não há vontade maior, não há desejo maior do que o que se espelha nas grandes e nas pequenas coisas, nos amplos e nos contidos gestos.

 

Há uns tempos, e a propósito do "The Descendants", perguntavam-me se preferia que o meu amor morresse ou que me traísse. Que morresse nunca. Que desaparecesse nunca. Que partisse nunca. Mesmo que o amor findasse, que o sorriso se não esvaísse para o vácuo.

 

Por isso a minha empatia e a minha ternura segue toda para o MEC, mas também para todos os que passam por esta situação.

publicado por Vita C às 11:06
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06
Mai 12



* William Makepeace Thackeray [em tradução livre: Mãe é a palavra Deus nos lábios e nos corações de todas as crianças]

publicado por Vita C às 21:36
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04
Mai 12

 

Não fumo vai quase para três meses. Três longos meses que, ainda assim, manda a ciência e a cautela, não me considero ex-fumadora. Não que me apeteça recair no vício, mas precisamente porque é um vício e merece ser tratado como tal.
Claro que há momentos do dia em que a tentação espreita insidiosa e permanece ali, quietinha, à espera de oportunidade. Claro que nesses momentos entendo que é preciamente por essa tentação que nunca digo que deixei de fumar. É mais um "agora não fumo, amanhã logo se vê". É quase como o amor, agora amo-te, amanhã também espero amar-te, mas isto do amor não se controla. E não fumar é apenas um acto de amor para comigo. Um gesto de respeito para comigo. E mesmo sabendo disso, é difícil (embora não tão difícil como pareceria de fora).
Há inconvenientes nesta opção por uma vida respirável, é bom que se diga. Continuo um barril autêntico, embora esteja a praticar caminhadas de meia hora quase todos os dias. Engordei o suficiente para passar por grávida e, por mais que haja situações em que tal pode ser divertido, asseguro-vos que para a auto-estima tanto peso é, vá lá, chato! Outro inconveniente é não saber o que se fazer quando os fumadores se reunem e vão "lá para fora", esse conceito estranhíssimo para quem não fuma, mas tão sedutor para quem fuma (excepto quando chove, claro está).
Em suma, é uma tarefa árdua, a de não fumar. Bebo muita água e é um óptimo truque quando me vêm à cabeça ideias de querer fumar, e digo-vos que ando a beber duas garrafas de litro e meio por dia. É muito xixi!
Estou crente que a perseverança compensará. Mas o que eu realmente queria era daqui a uns tempos nem pensar nisto, e ser apenas alguém que já fumou e deixou de o fazer, sem grande estilo, sem grandes ondas, simplesmente parou. Porque deixar de fumar não merece ser assim tão recompensado. É tão valoroso como estarmos a queimar a mão no lume e fazermos o gesto reflexo de retirar a mão.

publicado por Vita C às 08:51
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01
Mai 12

Pelos que têm trabalho, pelos que o procuram e não o têm, pelos que dependem de outros para satisfazer necessidades e direitos básicos, e pelos que trabalharam anos a fios para agora serem privados dos seus direitos, eu fui ao 1º de Maio.
Porque já trabalhei num hipermercado, porque entendo que as pessoas têm de trabalhar, porque sei que é difícil dizer não, eu fui ao 1º de Maio.
Porque tenho trabalho, mesmo não sendo na área, porque ontem entrei às 06h15 e saí as 19h30, porque quero estudar mais e não tenho possibilidades, porque é de nós que depende e porque a vontade do povo é, e tem de ser, soberana, eu fui ao 1º de Maio.
Fui sozinha, mas levei-nos a todos no coração.

 

* Pearl Jam, Bu$hleaguer

publicado por Vita C às 18:55
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27
Abr 12

O porquê de fugir de posts de sapatos a sete pés (de moda em geral, de sapatos em particular).
Para mim há chinelos, ténis, sapatos e botas. Mas isso é para mim... que estou a perder todo um mundo de calçado.

 

 

publicado por Vita C às 10:47
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25
Abr 12

 

Sou daquela esquerda que não teme emocionar-se. Daquela que ontem lamentou  a morte de Miguel Portas e, em verdade se diga, a chorou. Claro que o facto de eu ser uma lamechas e o João Semedo ter tremido a voz não ajuda. Sou daquelas pessoas que se arrepiou com a voz decrépita do Paulo de Carvalho, sombra de uma canção que tanto vale por si só. Sou daquelas que nunca entendeu aqueles que preferiam os tempos do antigamente, os tempos de Salazar. Sou daquelas pessoas que guarda o "Levantado do Chão" do lado esquerdo do coração. Quando, e se me casar, levarei um cravo. Quando e se for mãe, ensinarei a liberdade cantada de Abril ao meu filho. Abril, esse sonho feito dia, vale sempre a pena.

 

* Fernando Pessoa, n'A Mensagem

publicado por Vita C às 19:24
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24
Abr 12

A pele, tudo se resume à pele e ao toque, beijos que as nossas peles dão.
Os olhos, mar imenso onde navegam os abraços acima das palavras. Tudo passa pelos olhos, fechados e abertos, entre a ternura e o prazer entrelaçados em nós.
Na verdade, entre tantos passos e decisões, entre tantos rumos e esquinas e paragens e retornos, só poderia ser assim. Feliz. Uma felicidade que não é plácida, nem fácil, mas é cheia e completa. Plena.

publicado por Vita C às 09:20
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