espaço de mau feitio, alguma reflexão, música e outras panóplias coloridas

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Abr 11

Então esconde-se em diversos disfarces que a ninguém enganam.
Recorda-se, de uma forma fragmentada e algo difusa, quando um dia a foram desenterrar às entranhas do país que ama, Portugal. Na altura, puseram-lhe alegres cravos vermelhos nas mãos, vestiram-na de branco e apresentaram-na ao mundo como a mais bela revolução do mundo. Hoje em dia, as vestes escureceram e talvez sejam cinzentas, mas poderiam ser apenas branco velho, sujo, desgastado. Os cravos secaram, embora ela os guarde no recanto mais sensato do coração, coração que lhe dói de cada dia que passa em que os homens passam de braços descaídos, a esquecer o Abril que a devolveu das entranhas desta terra, levantada do chão onde fora pisada, esquecida, torturada. Crê até que é essa indiferença que a mata lentamente e lhe chamusca as vestes. Que a inebria e a convence que não há solução para os passos que dão e os que não se dão, e a quase amaldiçoar o dia em que a trouxeram das cinzas de um povo para ser algo mais que pão.

Hoje, faz 37 anos. Chama-se liberdade, e tenta morar em cada um de nós, sobretudo aqueles que não viveram Abril.

publicado por Vita C às 20:18
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2 comentários:
Não, eu não gosto de ouvir dizer que "antigamente é que era bom", que "as actuais condições económicas e sociais são piores do que há 40 anos." Porque nunca gostei de censura nem da arte de chibar, eu quero que se respeite a alma de homens como Salgueiro Maia, Humberto Delgado e daqueles que foram encarcerados por pensarem de maneira diferente. Eu gosto de ver a emancipação da mulher e do seu novo papel na sociedade, longe do tempo em que o divórcio era um tabu religioso, de olhar para uma escola e ver meninos e meninas a brincarem juntos num recreio, afastados de uma qualquer mocidade portuguesa. Eu gosto de pertencer à comunidade europeia e ter deixado o "orgulhosamente sós", de observar os direitos dos cidadãos à saúde, à educação e ao trabalho. Não questiones se Abril valeu a pena, usufrui da liberdade conquistada como se fosse a coisa mais importante da tua vida.
Dylan a 26 de Abril de 2011 às 10:49

Mas eu sei que valeu a pena! É precisamente aos da memória curta que este post se dirige. Eu não vivi Abril, mas celebro-o sempre com alegria e muito respeito. Faz-me apenas confusão a rapidez com que se critica e menospreza a conquista que foi feita.
Vita C a 26 de Abril de 2011 às 19:29

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