espaço de mau feitio, alguma reflexão, música e outras panóplias coloridas

08
Mai 11

Todos temos destinos de eleição. Nunca fui em nenhuma das viagens de finalistas: faltei ao fim-de-semana de campismo na 4ª classe, não fui apreciar Benidor no 12º ano e recusei-me a ir a Punta Cana no fim do curso. Cá para mim, a minha viagem de fim de curso há-de ser à Irlanda (pela proporção de ruivas e ruivos, que me fará sentir em casa, e por aquele sotaque que acho absolutamente fascinante). Ou aos Açores.
Há vários sítios que gostava de visitar sem ser por lazer. A Terra Santa é um desses sítios. Outro será Auschwitz, ou o que resta dos campos.
Não é uma vontade macabra ou perversa. O meu pai é uma das pessoas que mais sabe sobre a história, antecedentes e consequentes do III Reich, dos bosques de fuzilamento, dos fornos que lá havia, e outros pormenores que a minha memória não reteve. Teve a paciência de, há alguns anos, dar uma palestra sobre o tema, e foi a única vez que o ouvi falar como sociólogo. Claro que fui e, na parte das perguntas, ainda dissecámos as experiências do Milgram. Resta acrescentar que ele já foi 5 vezes a Auschwitz.
O que sobra de Auschwitz não é suficiente para nos transportar para os horrores que aconteceram e acontecem (lá, então, aqui, agora, em tanta parte e há tanto tempo). Mas é dos poucos sítios onde nos podemos focar sobre a crueldade que por vezes (demasiadas vezes) as pessoas cometem (daí a referência aos estudos de Milgram).
Existem inúmeros documentários sobre o tema, deixo o primeiro de cinco vídeos sobre "ordens e iniciativas" em Auschwitz. Os restantes encontram-se facilmente a partir deste.

 

 

 

 

 



publicado por Vita C às 00:02
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4 comentários:
Olá

Esse vídeo faz parte de um episódio de uma série denominada Auchwitz - Inside the Nazi State (http://www.imdb.com/title/tt0446610/episodes) da BBC.
Estive em Auchwitz, bem como em Birkenau, em Outubro e, ao contrário do que diz, penso que sim, que o museu em Auchwitz I é capaz de nos transportar. Uma sala cheia de cabelo humano, outra com óculos, outra com sapatos, tapetes feitos com cabelos humanos...sim, acho que nos transporta... os corredores com as fotografias das pessoas com data de entrada no campo e de óbito, as fotografias na sala da fome não deixam dúvidas.
Também não foi uma vontade macabra ou perversa que me levou lá. já me perguntei sobre o que me terá lá levado. só sei que tinha de lá ir. nem me atrevo a dizer que prestei homenagem, mas chorei por eles no "fim da linha".

um abraço, e continue a escrever assim.
Duarte
Duarte a 8 de Maio de 2011 às 22:18

Obrigada pelo link para o imdb (eu regra geral pesquiso directamente no youtube, mas assim até faz mais sentido).
Como referi, ainda não fui a nenhum dos campos de Auschwitz e, estranhamente, a maior parte das pessoas a quem falo no assunto, não se prontifica a ir comigo. Sei o que lá há, vi diversas fotografias. Mas quando digo que não nos transporta "lá" quero dizer que não nos atinge com a magnitude do que realmente ali se passou. Acho que nada o conseguirá fazer. Auschitz continua neste momento como um memorial, mas as memórias vão-se perdendo e é também por isso que lá quero ir. Ou melhor, que lá irei, um dia.
Obrigada.
Vita C a 9 de Maio de 2011 às 15:56

Lembro-me de ver filmes sobre este período e de saber algumas coisas dos julgamentos de Nuremberga em que o sistema de "desresponsabilização por cumprimento de regras" imperava e pensar como era possível fazerem o que faziam e acreditarem na treta da desresponsabilização. Só mais tarde, quando estudei estas coisas e vi os vídeos de Milgram é que comecei a pensar que naquela altura, fosse onde fosse - em Portugal ou qualquer outro sítio - fôssemos nós e provavelmente teríamos todos feitos o mesmo, tudo pela autoridade. Numa outra escala, até portugueses fizeram coisas semelhantes em África, numa outra escala, também nós fazemos certas coisas pela autoridade.... resta pensar que a escala nunca volte a este exponencial Nazi.
João a 8 de Maio de 2011 às 23:09

Lembro-me de 3 coisas que vi/li antes de começar a estudar o tema mais a sério: "os lobos", do Hans Helmut Kirst; a Lista de Schindler (que conheci muito antes de ouvir falar do Aristides) e o A Vida é Bela. Em todos eles esbarrava precisamente na vontade do dissidente. E depois estudei (a par do Milgram) a história do assassinato da Kitty Genovese (provavelmente conheces) e cheguei a uma conclusão semelhante: o poder da autoridade e da muiltidão é avassalador. Os dissidentes são a minoria (como houve nas experiências do Milgram). Muita gente não sabia a verdade (Hitler estaria a fazer o seu papel de salvador da pátria, do império perdido no tratado de Versailles) e quem sabia tinha sido completamente formatado a achar que não só estava a cumprir um dever como fazia o que era necessário por um bem maior. Não é à toa que o Mein Kampf foi considerado o livro do século XX (cheguei a ver uma edição original numa exposição do CCB e afirmo-te que não fiquei indiferente e afinal são apenas pedaços de papel).
Concordo, faríamos tudo isso e muito pior, que os alemães não têm a nossa dose de chico-espertismo. E os brandos costumes nada têm a ver com a história...
Vita C a 9 de Maio de 2011 às 16:04

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