espaço de mau feitio, alguma reflexão, música e outras panóplias coloridas

04
Out 11

 

Quem não tem, ou não é, um irmão mais velho, não compreenderá este post como eu o escrevi.

Lembro-me de ti desde sempre, claro. Crescemos os dois sempre com as costas largas um do outro, eu porque tu eras maior que os outros, e tu porque eu sempre tive um feitio kamikaze de (tentar) bater nos que te chateavam.
Lembro-me de embirrarmos por tudo e por nada e ficarmos de castigo, eu virada para a porta da despensa e tu para a porta da sala. Não tardava até estar tudo bem e a galhofa se instalar. Recordo-me de me tentares ensinar uns quantos movimentos de judo (ou karaté?) e acabar por te atingir com um pouco menos de jeito do que esperavas. Ainda me rio a pensar no "pri", aquele fantástico jogo que se resumia a andarmos à porrada em cima do sofá castanho da sala. E de me teres aberto o lábio e de eu te ter dado um valente murro. E de andarmos a brincar com os chinelos da mãe e um deles ter ido parar dentro da taça de chantilly que ela tinha feito. E de apanharmos gafanhotos no Algarve. E de tentarmos vendermos desenhos à mãe e agradar-lhe com truques de magia que derivavam de um buraco que havia no banco de madeira. De comermos apenas uma taça de Cerelac.

Também me lembro de ti mais velho, quando entrámos para a Secundária. Aí já quase tinha passado por ti nos anos de escola. E de quando foste estudar para Oeiras. E de quando tiraste a carta. E do chato que eras quando eu tirei a carta. E de quando desenhavas a carvão no meio da tua panca adolescente. E de quando vieste de Itália, a viagem de estudo que resultou num trabalho de História de Arte que fiz para ti (e que o professor descobriu, porque não sabias o que era o paradigma neo-clássico, e muito menos eu, claro está).
Lembro-me de te esperar quando chegaste a casa às tantas encharcado, vindo de uma festa da espuma algures perto de S. Martinho do Porto. E de teres feito um salame de chocolate tão grande que teve de ser dobrado em U para caber no frigorífico.
Mas, atenta, também me recordo de seres um chato do caneco, um introvertido metido para si mesmo. De sermos tão diferente que me dava vontade de te atirar do 2º andar. De te dar dois berros e te pôr na linha.

Mas não foi preciso. Hoje, como ontem, e como amanhã, tenho tanto orgulho em ti que nunca vais entender. Hoje, como no dia em que te casaste e me deu para a lágrima parva, tenho-te bem guardado no coração. Fomos, e seremos sempre, os 3 moscãoteiros.

Não é por acaso que fazes anos no dia do animal. Parabéns pá!

publicado por Vita C às 13:24

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