espaço de mau feitio, alguma reflexão, música e outras panóplias coloridas

22
Mai 12

Não me choca que Álvaro Pereira coise o coiso que é o desemprego. Compreendo que para quem passou muito tempo lá fora, nem sempre os vocábulos se nos aflorem aos lábios (excepção feita ao vernáculo popular, claro está). O governo não tem o desemprego como problema, portanto, ao contrário da grande maioria dos portugueses, que recorre à expressão diversas vezes ao dia, o governo apenas a utiliza em actos oficiais. Portanto, o coiso de Álvaro Pereira sucede a um discurso que até estava a ser razoável. Depois de tanto se bater no Álvaro, até por causa do QREN onde o coitado do Álvaro não foi tido nem achado, confesso que assistia ao discurso com uma ponta de emoção, como as professoras quando vêem os meninos nas festas de fim de ano, a ver se os petizes não dão cabo daquilo tudo. E o menino Álvaro deu, de facto, cabo do raio do discurso. Acredito que o Paulo Portas lhe poderá ensinar bastante sobre demagogia no discurso e aqueles pequenos truques que fazem dele um comunicador nato. O Álvaro merece, porque se esforça. E no que toca a este esforço, poucos outros membros do governo se podem pronunciar.

 

Nesta Europa há coisas que me fazem alguma confusão e muito asco.
Os gregos vão a votos e como os resultados não foram digeríveis pelo resto da Europa, voltamos a ter eleições. Mas o que é isto? Para mim, é apenas e tão só a profunda falta de respeito pela democracia como a conhecemos. Vamos levar a Grécia iterativamente a eleições até satisfazermos o ego europeu, é isso?
Anda a maior parte de um país de corda ao pescoço para agradar aos senhores que nos dão o dinheiro (que, repito, não foi essa mesma maior parte que gastou) em prol da estabilidade europeia, personificada pela senhora Merkel. Temos de ser estáveis, blá blá, crescimento, blá blá, austeridade e sabemos hoje que teremos ainda mais austeridade. Não resulta, senhores, como podem ser tão cegos que não vejam o que está à vossa frente? Não resulta porque já não há muito mais por onde cortar para vos fazer mangas quentinhas para o inverno. Daí ninguém se entender na Grécia, impõem-lhes o mesmo remédio que lhes parece bem pior que a doença. Não há onde ir buscar a um povo que já levou com tanta austeridade e que se vê grego para pôr pão e água na mesa, onde a economia definha, os negócios estão moribundos e todo o mundo os encara como um cão moribundo a quem seria mais piedoso abater. É este o modelo que se quer para Portugal. Se a OCDE nos sugere mais austeridade, onde vai esta ser aplicada? Casas devolvidas a cada hora, negócios que falem a cada dia, pessoas que cada vez menos têm dinheiro para satisfazer as suas necessidades mais básicas, é este o nosso retrato, não aquele que tentam vender, de um país empenhado e sólido. Fragmentamo-nos e na verdade, o nosso governo, para além de não se aperceber, nem sequer se preocupa.

O que me leva à minha questão fracturante (todas as questões relevantes parece que têm de levar o epíteto de "fracturante"). Hoje, por exemplo, há greve do metropolitano, tem havido greves e manifestações, e todas essas coisas horrorosas da esquerda comedora de criancinhas e dos malandros dos sindicatos, coisas estas que não levam a lado nenhum. Todavia, foram esses mesmos monstros decrépitos que conseguiram que na Alemanha, os salários da indústria metalúrgica subissem mais de 4%. Claro, o mesmo não se poderá aplicar neste país à beira-mar plantado, a Europa aconselhou-nos a dar cabo da nossa indústria e a metalurgia não foi excepção.
Bom, mas isto ia levar-me a uma questão coisa, que é precisamente a quem raio servem estes governos fraquinhos? A nós, que os elegemos, que nos damos ao trabalho e à ingenuidade de ainda acreditar que vale a pena exercer um direito que cada vez mais parece corrompido? Infelizmente, não me parece que assim seja.

publicado por Vita C às 14:38
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