espaço de mau feitio, alguma reflexão, música e outras panóplias coloridas

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Mai 09

Sexta-feira o meu pai foi internado. Como estava a trabalhar, liguei-lhe e, obviamente, fui despachada a grande velocidade. Quer isto dizer que estava bem disposto. Sossegada, sábado fui conhecer novamente os intestinos do hospital onde tive aulas sobre saúde mental. Pergunto ao enfermeiro, que só percebeu quem era o meu pai quando lhe expliquei que era o senhor de feitio difícil. Instruções para o encontrar e pés ao caminho. Vi-me rodeada de corredores, gente de bata azul, verde, branca, e uma proliferação de Crocs que me leva a confirmar silogisticamente o conforto de tais aberrações à vista. Portas de vidro com código, elevadores cujos pisos não se acertam entre si, e finalmente encontro a sala de recobro. A espera. A espera é aquela dorzinha que não o é. Vejo-o sair de maca, a berrar por leite e bolachas. Pouco depois, beijinho na testa e venho-me embora.

Hoje chego ao hospital, cama vazia. Diz o doente do lado, "ah o seu pai está nas urgências". Como??!! Ah pois, a pequena cirurgia que se soma à grande cirurgia. A sala de espera, com boa gente, a conversar, mal parecia um hospital. Todos a falarem do feitio difícil do meu pai. Que no primeiro dia se recusou a vestir o pijama e queria ir beber um café e fumar um cigarro. Que devorava páginas de livro com um sopro. A espera, mais uma vez, e finalmente, o meu Van Gogh favorito. Beijinho na testa, novamente. A cara inchada e o bom humor a esvair-se., o nó no estômago Os corredores já vazios, sinal de que já passava, e muito, da hora. Amanhã, não sei se consigo ir. Mas o nó do estômago, esse fica cá.

publicado por Vita C às 20:41

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