espaço de mau feitio, alguma reflexão, música e outras panóplias coloridas

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Jun 13

A minha enorme indisposição para com Cavaco Silva vem de longe.

Recordo-me quando, ainda nem eu podia votar, o slogan da campanha era qualquer coisa pouco inclusiva do tipo "O presidente dos não socialistas", havendo até um spot televisivo de um barco a remos em que a voz off dizia algo como "não acha que está na altura de não remarem todos para o mesmo lado?". Na verdade, não achava. E a réplica de Jorge Sampaio foi elegante, nos seus cartazes podia ler-se "O presidente de todos os portugueses". 

Quando o senhor foi eleito, engoli a minha azia, tendo até chegado a destilá-la educadamente face a certas gentes para quem o não voto em Cavaco apenas existiria numa faixa sociológica da população inebriada de cannabis e cujo intelecto se referia a uma "nozinha cerebral".

 

Não é a Presidência da República que me revolta. É a pessoa que me faz confusão. A leveza com que alguém se queixa de 800 euros e a prepotência machista de "ter de sustentar a mulher". A pessoa para quem ser chamado gatuno e ladrão é de tal forma ofensiva que dá direito a uma pena de 1300 euros e apesar disso, não se pronuncia sobre o caso. Caso esse que, de tal forma absurdo, se derramará em nulidade.

A Presidência da República deriva directamente da possibilidade democrática que a sustenta. Eu não votei em Cavaco, mas respeito o Presidente, é a força da maioria que se impõe, e desde que Cavaco seja fiel ao que se propôs, que remédio haverá senão o de esperar que algo ilumine a sua direcção. No entanto, Cavaco (bem como o Governo, mas isso ...), reformado que é e se farta de repetir, trabalha. Trabalha porque foi eleito. Eleito. Não foi de mão beijada, houve muita gente que o escolheu como representante máximo da nação.

Mandá-lo trabalhar não é um insulto: é uma exigência à qual Cavaco não pode fugir, nem com artimanhas legais que não apenas o envergonham a ele, mas sobretudo mancham a Presidência. Mais do que qualquer insulto. Insultuoso é o caminho que Cavaco não toma: é um presidente do não fazer. Do não acontecer. Do não nada. Insultuoso é o tom permissivo e certamente participativo com que Cavaco, enquanto Presidente, escuda um governo que defraudou e defrauda o povo.

 

Senhor Presidente, trabalhe, vá trabalhar, que há gente que nem isso pode!*

 

 

* No caso do Presidente querer entender este texto como vexatório, como ofensivo, devo informá-lo que, tal como o Estado deve sistematicamente às empresas, e fala de milhares de milhões como quem diz dá ai um euro para o café, também me arrogo o direito de dizer que para ganhar-me mil e trezentos euros, o senhor Presidente deve esperar sensivelmente quatro meses, que eu não ganho sequer o salário mínimo (compare lá a sorte de sua esposa). Até essa data, olhe, ponha-me num calabouço com cama, mesa e roupa lavada, que eu sempre saio a ganhar.

publicado por Vita C às 15:43
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2 comentários:
Também não gosto dele... nunca gostei...
soumaiseu a 15 de Junho de 2013 às 09:10

Creio que não estamos sós ....
Vita C a 16 de Junho de 2013 às 22:19

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