espaço de mau feitio, alguma reflexão, música e outras panóplias coloridas

28
Fev 11

 

Até há coisa de meia hora atrás, estava lixada com F maiúsculo porque com a mudança nas instalações compreendi que o meu passe não serve. Quase 50 euros e não serve. Serve para o outro operador da empresa, a lisboa transportes, mas não serve para a vimeca, única forma directa de chegar a Queluz. Não interessa que o site seja o mesmo, que os pontos de venda sejam os mesmos, que a estrutura da empresa seja a mesma. Pior, nem o passe acima do meu, o l123 serve, e estamos a falar de passes que se regem por coroas, portanto, por abrangência geográfica. Posso vir de Almada para cá de barco com o meu passe, mas não posso ir até Queluz na vimeca. Solução? Comprar dois passes... o que não me parece solução nenhuma para um operador, mas infelizmente é o que terá de acontecer...


Mas então, isto era o motivo pelo qual eu estava chateada e a escrever um e-mail à vimeca. Era, porque entretanto recebi um telefonema de uma antiga colega na tal empresa que partilhava instalações com a minha e que, explorada como estava e sabendo que a empresa estava a entrar no abismo da insolvência, conseguiu encontrar outro emprego. Mais longe para ela, que mora fora da cidade, mas um emprego. Quem tem 40 anos e está à procura de emprego não pode ser esquisita, sobretudo quando se tem um filho para sustentar sozinha. E nesse telefonema, contou-me que hoje foi o último dia de trabalho porque tinha chegado ao fim o período experimental e a empresa ia mal. Não ia mal há um mês atrás, pelo que lhe tinham contado na entrevista, foi assim a modos que um AVC empresarial.
A minha amiga é uma mulher de armas. Divorciou-se e veio com o miúdo para a capital depois de ter vivido na zona centro, foi a éne entrevistas, encontrou diversos empregos onde nunca valorizaram nem a experiência nem as competências que tem. Claro que nunca trabalhou na sua área de formação (é socióloga) mas nunca deixou de trabalhar e de ir fazendo formações para adquirir novas ferramentas de trabalho. Saiu da empresa vizinha da minha ao fim de 3 anos sem um aumento, com o vencimento parco a ser pago às vezes já depois do meio do mês. E sai porque acredita que vai para melhor. Esforça-se. Trabalha até tarde. Pergunta, questiona, empenha-se, porque sem isso não se aprende.
E o que me indigna é saber que esta empresa que a contratou sabia que ela se ia despedir de um sítio onde, apesar de tudo, estava efectiva e tinha, em caso de despedimento, direito a alguma regalia em termos da Segurança Social. Agora? Nicles batatóides. É isto que cansa. É saber que ela terá de recomeçar tudo de novo, outra vez, que se já perdeu o sonho de vingar na sua formação, ao menos que não perdesse o sonho de se poder empenhar num trabalho. Porque ninguém merece ter a ousadia de arriscar e sair sempre o cavalo errado.

publicado por Vita C às 19:48

26
Fev 11

 

Estes dois senhores estão absolutamente soberbos num filme em que o difícil é encontrar falhas (talvez o ter representado a senhora Simpson como uma interesseira e o rei Eduardo VIII como um tótó).

publicado por Vita C às 13:09

24
Fev 11

 

Preciso de paciência, muita paciência e presença de espírito. E paciência. E presença de espírito. Parece que falta uma semana para nos mudarmos definitivamente, e a espera peca por ser excessiva. Mudamos tarde, digo eu.

publicado por Vita C às 14:09

22
Fev 11

Independentemente do resultado do derby, tenho vergonha do meu clube.

Claro que para a maioria o que importa são os 0 a 2, mas isso não me espanta: somos sportinguistas ou não? Se tantos advogam que o normal é o Benfica ganhar e o Sporting perder, eu recordo que o campeão nacional está a 8 pontos do verdadeiro campeão da década, e que me parece improvável o Porto perder 3 jogos ou empatar 8. Mas sim, tornou-se normal o Sporting perder.

O que me repugna profundamente é a lassidão com que são tratados, pela estrutura do clube, os adeptos que não vão ver o jogo. Vão andar à porrada, porque é um jogo com os lampiões e "é isso que eles merecem". São estes senhores que afugentam a nossa polícia (que vergonha, também para a polícia) com uma violência que eu não entendo. Não entendo, repito, porque é só um jogo. E nada mais.
Queríamos que este jogo salvasse a época, mas não salvou. E logo contra o arqui-rival! Isso eu entendo, a frustração, a revolta. Mas essa  frustração deve ser expressa nos locais adequados e às pessoas que têm efectivamente essa responsabilidade. Acho eu que ainda não é o Benfica que comanda este meu clube, verde e branco, vendido ao desbarato e apostado em descer a equipa de futebol à terceira divisão. Mas também não é o Sporting, porque poderia e deveria ter tomado medidas para que estas cenas de pugilato não ocorressem, muito menos no seio das claques oficiais.
Nada, mas absolutamente nada, justifica ou valida o que se viu ontem em Alvalade. Para quem tem um assistência má nos jogos em casa, não há melhor solução: passa-se de má a péssima.
Eu também fiquei irritada com o resultado do jogo. A diferença é que para mim, é mesmo só um jogo.

publicado por Vita C às 10:15
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21
Fev 11

 

Terminado o seminário de riscos na construção civil, estou agora imersa em trabalho e mais trabalho até mudarmos de instalações. Gosto de fazer parte de uma equipa que leva a sério as pessoas, embora por vezes me queixe, embora por vezes me apeteça mandar tudo à fava. Sobretudo, gosto que reconheçam que, apesar de não ter a priori qualquer conhecimento nesta área, me esforcei por ter, me dedico e, vá lá, até vou tendo alguma competência.
Ocorre que me impus o desafio de voltar à minha praia (para não ser lamechas e escrever a minha vocação), e lá me pus a investir em cartões, site, consultório, procurar supervisão, voltar à escolinha e ter formação, não necessariamente académica, mas sobretudo prática, porque a psicoterapia não é feita de (apenas) artigos deslumbrantes. Hoje tenho uma primeira sessão com uma pessoa que nunca vi. Ontem apercebi-me da realidade e constatei que desde 2007 que não tinha uma primeira sessão, o drama, o horror, a tragédia, e passei a noite a ler, a rever casos antigos, a compilar instrumentos que tinha feito e outros que, não sendo criados por mim, me deram um jeitão tremendo, a passar os olhos pelos dossiers da formação da APTCC. E fez-se luz. Fod@-se, eu era boa no que fazia e não acreditava nisso porque o sucesso nem sempre vem aliado à qualidade. Era boa, mas não tão boa como só a experiência nos pode tornar.
E agora nem sei se isso chega. Tenho a sensação que chegarei lá e caput, não poderei deixar tudo à deriva e à mercê da minha capacidade de estabelecer uma pré-aliança, uma relação terapêutica, e ao longo do tempo que me afastei da área, deixei de ter, porque não era necessária e, honestamente, eu nunca fui daquelas que escolhe psicologia para fazer deste mundo um lugar melhor.
Tenho um QHV preparado para levar, e o resto, bom, o resto é esperar para ver. Só pode ser assim.

publicado por Vita C às 13:09
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20
Fev 11

Não sei por onde começar. Acho que nunca temos palavras nestas situações, e sempre achei de um formalismo inaudito a tradição de apresentar pêsames.
Sei que era um guerreira e o foi até ao fim. Mas era uma luta desigual a que travou. Sabes, agora por experiência própria, o que eu sei desde a morte do meu avô e do meu tio. Também a eles se chegou, insidioso e inesperado, esse inimigo poderoso que é o cancro. Nenhum dos nossos ganhou. E agora que a perdeste, sentes que a veres definhar dia após dia, a veres lutar com forças que desconhecias, que até ela desconhecia, tudo foi em vão.
Tens agora a responsabilidade de a estimar ainda mais, apreciar e celebrar toda a vida que ela te deu, todos os exemplos e conselhos, toda a traquinice que te aturou quando eras miúdo, todos os momentos que só um amor de mãe pode proporcionar. Toda a luta que ela travou, também o fez por ti e pelo teu irmão. Agora vive tu.

publicado por Vita C às 13:42
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19
Fev 11

Gosto muito de alguns posts do capitão Alvim. Já o tinha assumido anteriormente.
Assim, deixo aqui uma reflexão possivelmente inspiradora, ou, pelo menos, que nos deixa a pensar.

 

Ainda hoje me apeteceu mudar a minha vida toda. É uma espécie de frémito, uma coisa que me dá aqui para os lados da dorsal e que faz pousar os pés no chão com a finíssima convicção de que este dia não passará. E enquanto lavo a cara e olho para o espelho como sempre fazem nos filmes os revolucionários, penso naquilo que irei deixar para trás. E então, penso num incêndio em que tenho que decidir depressa o que levar comigo. E então penso na minha vida incendiada de repente, como tantas vezes acontece a tantos outros, só que desta vez é a minha e não é mais o acidente do outro lado da estrada, não é mais a notícia de alguém que eu não conheço, não foram os filhos dos outros, não foi noutro país nem numa rua que eu nem sei onde é, desta vez é comigo, foi em minha casa, fui eu, foi a minha vida. E todo isto está de tal forma em chamas neste agora que peço pois que atirem água fria para cima do que faço e escrevo.
publicado por Vita C às 22:46
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18
Fev 11

No seguimento deste post...resolvi ir apanhado as que vou encontrado por aí. Estas foram retiradas dos comentários de um artigo da arca de noé.

 

→ percelana (porcelana)

→ presezavam (precisavam)

→ estam (estão)

→ lus (luz)

→ degistão (digestão)

 

... sem contar com os x e k, claro.

 

E depois ainda achamos que somos capazes de mudar alguma coisa, com esta gente que escreve assim como futuro, e criticamos a música dos Deolinda e achamos que estamos todos de rabo alapado neste conformismo. Sim, sou uma picuinhas, e sim acho que muitos meninos e meninas andam demasiado ocupadas com coisas fúteis a comprar telemóveis e tablets todas as semanas e comparar sapatinhos e ténis e em sair à noite e ir viajar sem efectivamente o merecerem. No fundo, a culpa é dos adultos deste país, que se demitiram em bloco da administração desta terra. Andamos com as prioridades baralhadas.

publicado por Vita C às 12:06
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15
Fev 11

 

 

Sou uma sensível. De cada vez que se vêem aqueles videos de animais maltratados e abatidos nos canis, essa manifestação fantástica da nossa superioridade enquanto espécie, e mesmo em filmes, daqueles em que os animais morrem, vou a correr ter com ele. E ele lá fica, repimpado a receber festas e mimos.
Não posso ir buscar todos os animais abandonados. Não consigo parar a tortura onde esta se pratica. E não, não entendo aquelas bestas que param o carro e se desfazem dos cães. Que os atiram ao deus dará, porque são muito grandes, porque as crianças já não gostam, seja lá pelo que for.
Mas este, esta bola de pêlo que aqui vos mostro, garanto que tem todo o mimo do mundo. E não percebo como pode alguém tratar o seu de outra forma. Este não fica em lado nenhum nas férias: ou pode ficar connosco, ou vamos para um sítio onde ele possa ir também. É este o compromisso que se tem, não é apenas receber latidos e lambidelas. É saber que ele faz parte da família.
O cão não me pertence. Pertencemo-nos.

publicado por Vita C às 22:45

14
Fev 11

Há dois anos foi assim:

 

 

Hoje foi assim:

 

 

publicado por Vita C às 22:19
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