espaço de mau feitio, alguma reflexão, música e outras panóplias coloridas

31
Mar 11

Esta foi das melhores decisões que já tomei, ainda que não seja das mais importantes (quem disse que só as coisas importantes são boas?).

Agora até no trabalho, porque já nem é preciso ter o scrobbler instalado para se poder ouvir música boa, mas boa mesmo. Num dia tão tenso como o de hoje ouvir a Black pela tardinha foi um autêntico bálsamo (durante o qual não me foi possível trabalhar).
Sim, já escrevi (noutros sítios) o quanto esta música representa para mim, e para tantas outras pessoas. Não se resume à letra da música, a uma história de amor impossível em que tantos se revêem. Esta música ganhou um estatuto próprio, que só se apreende quando se escutam os primeiros acordes (confesso que ao vivo é uma sensação indescritível, para mim, que já a ouvi quatro vezes neste país, e lacrimejei em todas). Tudo pára. E depois tudo recomeça. Hoje em dia nem é a minha favorita dos Pearl Jam, mas terá sempre este efeito de pasmo e deslumbramento que mais nenhuma outra música consegue ter. É uma lamechice, eu sei, mas hoje esta lamechice fez-me sorrir. Faz sempre bem.

Partilho.

 

 

 

 

 

E já vos disse que este mês não sabem quando me pagam? Huh? Fofo, não? Por isso, todos os sorrisos e momentos bons não são demais!

publicado por Vita C às 20:36
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29
Mar 11

 

O esforço que às vezes tenho de fazer para me recordar a tempo que sou uma pessoa pacífica por natureza às vezes parece-me simplesmente demasiado para valer a pena.

 

(off topic picuinhas do dia: hoje vi escrito: esclosivo [exclusivo] e felectam [flictam/flitam segundo o AO])

publicado por Vita C às 20:08

28
Mar 11

 

Dizem que não vão baixar as pensões, que a haver aumentos, serão sobre o imposto sobre o consumo, as pensões e reformas ficarão intocadas e intocáveis. Estou mais descansada, agora que todo o Zé Povinho paga sobre o consumo. Ao menos ninguém mete as patas na minha pensão de milhares de euros que tão pouco custou a ganhar.

É este populismo que me irrita de sobremaneira. Todos sabemos que as pensões a reduzir são uma realidade, ou melhor, a forma de atribuição dessas pensões e da respectiva acumulação com outros vencimentos. Este ponto tem efectivamente de ser atacado por qualquer governo, seja ele de que partido(s) for. Mas ditas as coisas como Passos Coelho disse, terá havido muita gente que ficou a pensar que seriam os pensionistas cujo vencimento é absolutamente miserável que seriam protegidos. Mas não passou, na minha canhota e sempre enviesada forma de escutar a políitica, de uma forma de tentar educar os dotes de oratória que invejará em Paulo Portas, porque o PSD aumentará o imposto sobre o consumo. Basicamente, o que o senhor quis dizer foi mais ou menos isto: sim, senhor telespectador, não diminuiremos as pensões, nem as que são absolutamente obscenas, mas não se preocupe que arranjaremos maneira de ir ao seu bolso. De uma forma ou de outra. Promessa de político astuto.

Que ainda nem ganhou as eleições, mas ganhá-las-á, que o povo só não quer lá o Sócrates porque tem a memória cheia e o espírito crítico atarefado a tentar escolher entre os bens essenciais aquele que não poderá vir para casa este mês.


 

(vinhamos a discutir isto no autocarro um destes dias quando uma senhora, bem composta e com os seus sessenta e qualquer coisa, nos interrompe para dizer que era pena que ninguém a tivesse feito reflectir nisso, que o povo hoje come e cala e desaprendeu de pensar; eu creio que não, creio que de tanta gente execrável que habita no mundo da política, havemos de encontrar um bom sentido ou, na pior das hipóteses, um mal menor, tudo menos acomodar e emprenhar pelos ouvidos)

publicado por Vita C às 17:20
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27
Mar 11

 

 

Continuo a achar que a mediocridade das pessoas se mede (também) pela forma como agem e reagem em determinadas circunstâncias. Já sabemos que lados lunares todos temos, mas há quem os tente esconder a todo o custo. Há quem pura e simplesmente os dê como incorrigíveis. E há aqueles que tentam sempre dar o passo que falta. Independentemente do queixume, do mal dizer, da vaidade e dos brilhos de uma ribalta falsa. Recordo-me como esta música foi um dos momentos em que percebi isso.

 

 

publicado por Vita C às 20:08
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23
Mar 11

Um dia o Primeiro Ministro deste pequeno país à beira mar plantado demite-se. Todos o sabíamos e aguardámos pacientemente (demasiado suponho eu). Todos os líderes da oposição têm agora palavras de desafio, de positividade, de incentivo, de empenho, de confiança e de apelo à mudança.

Será verdadeiramente possível esta mudança? Não consigo encontrar em nenhum destes políticos a seriedade que se impõe num momento destes. Certamente que muitos ficaram descansados, suspiraram e exclamaram um "finalmente" e um "já vais tarde". E em quem se reverão agora, e quão diferentes serão as medidas que alguém (Passos Coelho, provavelmente) irá implementar? Até agora ouvimos críticas, mas não alternativas por parte daquele que será, presumivelmente, o próximo PM de Portugal.

Independentemente de todas estas considerações, um dia o PM demite-se e o país é chamado não a manifestar-se na rua, mas sim nas urnas, responsavel e democraticamente.

Hoje é o dia...

publicado por Vita C às 21:30
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20
Mar 11

Não me doem os dedos, dói-me a alma.

publicado por Vita C às 20:40

19
Mar 11

Ir à Segurex é uma experiência engraçada para mim. Oportunamente convidada por um dos formadores do curso de TSHT, lá fui eu, sobretudo para não ter de ouvir o meu querido chefe a explodir comigo (desta vez de forma justíssima). Rebebéu pardais ao ninho, é tudo muito giro, atesta a nossa capacidade de sermos flexíveis e de "não termos ilusões que vamos ter trabalho na nossa área", como eu ouço tantas vezes dizer. Claro que muitos de nós fizemos escolhas erradas. Eu, por exemplo, que entrei em psicologia porque me apeteceu candidatar a apenas um curso e uma universidade (e se não tivesse entrado tinha sido o pavor, o terror, o drama). Mas o que importa é que, melhor ou pior, ganhei competências, nem que seja empenho e flexibilidade, para poder entrar numa Segurex e dizer "nã, muito giro, mas eu não sou isto". Chegar a esta conclusão é lixado. Mas é este o meu emprego e tenho de ser boa nele se o quero manter.

publicado por Vita C às 15:28
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13
Mar 11

E canto por convicção. Sempre cantei. Quase sempre, se a voz vai só, vai falhar uma ou outra nota.

Sou uma auto-didacta. Aprendi solfejo quase sozinha, toco guitarra sem ninguém me ter ensinado, quase de olhos fechados. Pesquisei muito e dei inúmeras dores de cabeça aos meus vizinhos. Comecei a compor quando a guitarra resolveu ganhar vida própria e as qualidades dos acordes se tornaram mais claras. Tenho uma flauta Yamaha que me ofereceram cuja dedilhação, por ser barroca, me é incompreensível. Acho que toco melhor do que canto, muito melhor mesmo. Canto num coro, para que se saiba. E desafino.

 

Hoje, pela primeira vez, cantei para ele.

publicado por Vita C às 22:34

12
Mar 11

 

Não irei à manifestação de hoje. Parece que irá toda a gente, bloggers mais ou menos famosos, políticos, jovens, menos jovens e, sobretudo, o povo. Esse é o que verdadeiramente importa, cada vez mais, sobretudo quando a quase cada semana que passa, nos impõem novas medidas de austeridade sem nos darem verdadeira austeridade para quem menos sofreria com ela.

Parece que finalmente despertamos para a necessidade de, com pequenos passos, fazermos alguma coisa além de nos queixarmos. Claro que a fronteira entre o protesto e a birra, como alguns dizem por aí, poderia ser ténue, não fossem estas razões tão justas e estarem tão cansadas de promessas vãs.

Todos queremos um futuro melhor, mesmo os que já têm um bom presente. Até esses devem ir à manifestação. Quanto mais não seja, para que se perceba de uma vez por toda que a sombra da bananeira muda consoante a posição do sol.

Contestar a necessidade de melhorar é tão somente uma hipocrisia. Compreendo que se pode e deve fazer mais do que meramente uma manifestação, mas finalmente faz-se alguma coisa que não seja os desabafos em conversas de café. Condescender sobre esta manifestação é um desrespeito ao povo. Gosto da palavra povo. No fundo, o povo unido não se pode dar por vencido.

publicado por Vita C às 14:15
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08
Mar 11

Durante anos achei uma violenta hipocrisia a comemoração do dia da mulher, uma espécie de discriminação positiva, nome estúpido para um facilitismo teórico, pouco exequível ou defensável. Tudo assenta num pressuposto de igualdade. Errado.

Muita gente compreende esta igualdade num sentido literal e estrito. A consequência mais óbvia disto é, entre outras, o desaparecimento do cavalheirismo e da percepção das diferenças. Ah querem ser iguais? Então toma lá de mudar pneus, estucar paredes, carregar tijolos, rapar cabelos (sim, Demi, esta é para ti), etc. e coiso e tal. Direitos iguais, tarefas iguais. Repito, errado.

A igualdade de direitos deve respeitar, agora e sempre, as diferenças de género imputáveis à nossa (e vossa) estrutura biológica. Somos tendencialmente mais pequenas, somos tendencialmente menos forte fisicamente, somos tendencialmente menos velozes, somos tendencialmente mais capazes de desempenhar várias tarefas simultâneamente, somos tendencialmente mais capazes de expressar emoções, somos tendencialmente muita coisa. E muito parte daqui: tendência. É que um estudo científico, que implica análises estatísticas descritivas e inferenciais, apenas pode sugerir tendências. Esquece e menospreza os valores e desempenhos individuais em detrimento da possibilidade de extrair ilações. Tanto que a informação nos pode chegar distorcida e, despidos do nosso sentido crítico, aceitamos a notícia como arautos da verdade. Espalhamos a notícia, o estereótipo, a chacota, a mulher deturpada. Todas as diferenças não nos podem menosprezar nem minimizar. Devem, apenas, diferenciar-nos e fazer-nos compreender. Somos diferentes, sim, e então? Intelectualmente, esta diferença qualitativa não se traduz, para nenhum dos lados em inferioridade quantitativa.

Parece-vos básico, este post? Então expliquem-me, como pode ser possível, com tanta informação, continuarmos a ter tanta disparidade salarial face ao mesmo cargo, entre homens e mulheres? E porque é que são as mães as preferidas para ficar com os filhos em caso de separação? E já agora, porque é que têm de existir quotas na política?


Podia continuar ad infinitum, creio eu. Por agora, resta-me acrescentar que, ao contrário dos anos anteriores, este ano vou acreditar no dia da mulher. Mas que não se esgote a 08 de Março.

 

E hoje, um ano depois de ter escrito este texto, resolvi comemorar o dia da mulher a cozinhar, coisa que não faço noutros dias, pelo menos não com tanto afinco. É que cada vez mais me parece disparatada esta ideia de haver um dia para comemorar aquilo que ainda não atingimos. Tal como todos os outros "dias de", este parece-me um conceito tão redutor que não abrange a imensidão do que tenta celebrar.

Sai um bolo de frutos secos para poder confirmar que o meu moço cozinha, desde sempre, muito melhor do que eu alguma vez serei capaz de imitar. Em contrapartida, eu sempre conduzirei melhor que ele. 

publicado por Vita C às 16:54
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