espaço de mau feitio, alguma reflexão, música e outras panóplias coloridas

29
Mar 12

Tinha pensado escrever hoje um qualquer post sobre o meu pai, que hoje debanda para Ourique, ver a especial do Rally de Portugal, ele que chegou a participar e adora conduzir. Ele, que apesar de não ter direito a post do dia do pai, é a única companhia possível para os Mayday, Mayday (descobrimos no domingo que ambos adoramos e não perdemos nem um). E até era um post jeitoso, entre o lamechas e o humor peculiar que me caracteriza.
Era sobre isso que eu queria escrever.

Mas vou ter de me despedir do primo Zezinho, que a bem dizer, era primo do meu irmão, e que a bem dizer tinha mais de 40 anos e portanto, dispensaria o diminutivo. Mas era como se fosse meu primo e será sempre o Zezinho. O Zezinho, que teve uma vida tramada, lixada até, sofreu um desgosto como eu nunca imaginaria, sobreviveu e agarrou-se à vida para tentar ser feliz, e que passou os últimos anos numa cadeira de rodas e sempre entre a alegria de viver e a revolta de saber o que seguiria.

publicado por Vita C às 11:33
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28
Mar 12

Sou uma Dolly Parton sem voz, mas as minhas mãos estão tãããããão hidratadas...

publicado por Vita C às 18:14
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23
Mar 12

Tenho 31 anos. Licenciei-me há 9 anos, na altura ainda eram cinco anos de curso. Estagiei em dois sítios ao mesmo tempo . Tirei duas pós-graduações em psicologia e outra em SHT. Pelo meio, dei aulas na Universidade de Évora, fui monitora em Escolas Básicas em Lisboa, dei explicações, vendi computadores, fiz pizzas, entretanto sou técnica de segurança, técnica de ambiente, e sou psicóloga em part-time. Portanto, parece-me que não sou propriamente preguiçosa. Sou, assumo, uma eterna insatisfeita, e ainda que num emprego dito estável, vou pesquisando, procurando, sempre. Hoje, tinha uma entrevista para uma vaga na área da psicologia. Mas afinal, era um recrutamento de formandos para um curso num determinado modelo terapêutico (ainda por cima num modelo fechado em que nada de integrativo poderia ser aprofundado), para trabalhar com crianças e adolescentes num contexto altamente específico, e para o qual tinha de apresentar uma caução de 450 euros. Durante o curso, receberia nestum (népias, neribi, trabalho à borla).
Claro que aqui a vitamina esteve 10 minutos na entrevista, levantou-se calmamente, desejou muito boa sorte a quem ficou, e explicou que queria um trabalho, um projecto, um desafio, não que me tentassem impingir o que quer que fosse como se fosse a salvação perfeita e a única forma de obter bem-estar psicológico.
Podem continuar a fazer figas, outras oportunidades virão!

 

 

* Descaradamente roubado de uma rúbrica d'O Fogo Posto.

publicado por Vita C às 16:53

21
Mar 12

publicado por Vita C às 18:05
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19
Mar 12

 

 

[e não será hoje que o farei]

publicado por Vita C às 20:03

16
Mar 12

Mas ontem a minha equipa deu(-me) uma grande lição.
Este é o meu clube, no qual tenho muito orgulho e que apoio nos bons e maus momentos. O meu Sporting, que fez uma primeira parte absolutamente épica e uma segunda parte em esforço constante. Mas que nunca se rendeu, mesmo sabendo o valor astronómico da equipa do Manchester City.
Houve momentos menos bons, claro (aliás, houve momentos em que pensei que ia sofrer um ataque cardíaco ali mesmo), mas sobretudo houve uma equipa a sério, um esforço conjunto e um sofrimento digno. Uma humildade enorme. E, sim, uma dose de sorte. Porque não?
Claro que não apaga a péssima época interna que estão a fazer, mas os adeptos vivem destes momentos, que são para saborear para mais tarde recordar. Nunca se sabe quando temos uma felicidade destas novamente.

 

 

publicado por Vita C às 09:21
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15
Mar 12


Aqueles momentos que, de tão intensos, nem parecem fugazes, são resistentes ao cansaço, imunes aos tempos adversos que se instalam na televisão.
Temos o riso, padeço do vício do teu riso, esse grito exultante de despreocupação e cumplicidade, esse à-vontade implícito que partilhamos. O riso, mais do que o sorriso. A gargalhada, sonora, impossível de forjar, genuína.

 

 



publicado por Vita C às 13:15
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11
Mar 12

Existe portanto todo o direito da minha parte de estar completamente redonda e com permanente fome e gula, ainda mais distraída que o costume e com raivinha e inveja da Lisbeth Salander (ou de qualquer outra magrinha sobre quem tenha visto um filme nas últimas 24 horas). Além disto tudo (que não é pouco), amanhã regresso ao trabalho após um mês.
E enquanto estava para aqui a pensar em postas de pescada para arrotar (see, it all comes down to food!) e destilar o meu mau humor, lembrei-me que ontem o programa da Voz do Cidadão foi sobre touradas, tendo aparecido a Gabriela Canavilhas (não lhe chegava fazer porcaria com a PL118, ainda me aparece à frente com as touradas). Ainda em modo preguiça aguda, veio-me à memória um dos melhores textos que já li sobre o assunto, escrito pela Sara, que não só tem um gosto musical apurado, como escreve estas coisas que ficam e aqui se reproduzem, porque traduzem precisamente o que eu escreveria se tivesse o jeito para letras que ela tem:

Bullshit!

Parece que a Catalunha teve um rasgo de inteligência no país capital da tourada e decidiu abolir este "espectáculo" (?) deprimente. As lutas de cães são ilegais, se eu espetar um ferro num cão estou a ir contra a lei e se o fizer num humano arrisco-me a ficar uns bons anos na prisão. Por cá ainda se continua a discutir se as touradas têm razão de existir e há mesmo quem seja contra esta decisão da Catalunha.

Se este primeiro parágrafo não é claro o suficiente, eu explico-me: considero qualquer pessoa que seja a favor de um espectáculo que consiste em espetar ferros num animal irracional um verdadeiro asno, com merda de touro no lugar de miolos.


Um dos principais argumentos que estes idiotas usam para defender a tortura é que
"é tradição". Tal como é tradição a mutilação genital nas guineenses, ou como era tradição encher o Coliseu de Roma de gente e aplaudir a sua morte cruel. Se tivéssemos mantido todas as tradições desde o início dos tempos, se calhar eu hoje não podia estar aqui a escrever num blogue por ser mulher e pelos meus pais serem da plebe. Claro que um defensor de touradas deveria achar isto muito bem, pois os defensores deste tipo de tradições também costumam ser amigos de tradições familiares que defendem que a mulher só serve para procriar e coser meias. Este é mais um ponto a favor da minha argumentação: sim, vocês são mesmo idiotas.

Outra argumentação disfarçada de preocupação é a de que o fim das touradas levará à extinção dos touros. Claro que sim, até porque todos os animais têm valor comercial para o ser humano, só por isso é que existem! E a carne de touro nem sequer é apreciada por aí. Não! Se os touros não servem para ser mutilados numa arena, então vão ser condenados à extinção, os coitados. É bonito ver a preocupação com a extinção do touro vinda de alguém que bate palmas quando este se esvai em sangue enquanto o povo bate palmas e come pipocas. É gente sensível, esta que defende as touradas.


Outro argumento muito bom é o não argumento:
"esses hipócritas que defendem o fim das touradas se calhar à noite jantam um belo bifinho! Ainda se lutassem contra a vida triste que levam os frangos enjaulados!".

Defender o fim de um espectáculo brutal, que explora a dor de um animal para fins de entretenimento (como se as pessoas já não tivessem entretenimento suficiente) é comparável ao comer carne. Bravo. Mas não se pode esperar melhor argumentação de alguém que ri ao ver um animal irracional a defrontar um animal racional montado num cavalo e armado com ferros que espetam. É possível comer carne sem que estes animais tenham vivido uma vida miserável, confinados a jaulas de 1 metro quadrado, que têm de partilhar com mais 300 frangos. Há animais criados ao ar livre. E há quem não coma carne. E - pasme-se! - há quem seja contra touradas e contra os maus tratos infligidos a outros animais! Eu sei, eu sei, é estranho pensar na coisa sob estes moldes. É de facto impressionante imaginar activistas anti-touradas que defendam o fim dos maus tratos a outros animais! Vá-se lá entender como é possível.


E, claro, enquanto existirem mais males no mundo, não se pode lutar contra um mal do mundo. Afinal, existem outros males no mundo que deviam acabar! Vão mas é reivindicar pelo fim desses males do mundo e deixem este mal do mundo sossegado.
"Há tantos animais abandonados e vocês preocupados com as touradas!". Indecente. De facto, é indecente.

Ah! Outro argumento giríssimo:
"Proibir as touradas é um acto intolerante". Pois é, pois é. Isto de ir contra a vontade de cada um é uma bosta. É isso e proibir o trabalho infantil, ou as violações. Há que ter respeito pela vontade de cada um! Se eu quero afinfar numa mulher mas ela não quer, deve ganhar quem tem mais força! Era o que faltava a lei vir meter o bedelho no livre-arbítrio.

De certeza que me estou a esquecer de mais argumentos usados pelos aficionados. Queiram desculpar, caros asnos. Sintam-se à vontade para vomitar mais argumentação aqui neste blogue. Se ofendi susceptibilidades de adeptos de touradas, saibam que a vossa estupidez também me ofende todos os dias.

publicado por Vita C às 15:27

10
Mar 12

 

 

[foto: Hein du Plessis]

publicado por Vita C às 12:30
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09
Mar 12

Agora é que Cavaco Silva resolve pronunciar-se sobre José Sócrates. Agora, que já não importa nadinha. Mas não se digna a excelsa personagem a comentar as atrozes incompetências do governo no que concerne assuntos tão pertinentes como 4 milhõezitos de euros pagos a dobrar à Lusoponte, a seca extrema que passa o país, o vira fandango do ministro da economia, os debates deploráveis no parlamento que não passam, da direita à esquerda, de bacoca demagogia e de falta de capacidade dos vários grupos parlamentares, das compressas emprestadas entre hospitais e das farmacêuticas que não são a Santa Casa e a quem o Estado deve dinheiro. Ou seja, agora já pode o PR dizer que tem opinião. Sobre o passado, claro está. Sobre o presente já era pedir muito.

Cada vez tenho menos paciência para estes jogos de incompreensão. Não servem a política, não servem os eleitores, aliás, não servem para nada. E é triste chegar a esta conclusão, desiludida e sem ingenuidade, porque sempre acreditei no poder da democracia, em última análise pelo simples gesto da responsabilização do voto para nos podermos indignar. Hoje nem isso.

publicado por Vita C às 13:53
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