espaço de mau feitio, alguma reflexão, música e outras panóplias coloridas

31
Jul 12

Gosto de ser uma pessoa coerente. Ou de tentar, vá, que nem sempre é fácil. Por isso, por ela e por tantos como ela, que haveria de mais romântico para fazer com a metade? Uma visita à União Zoófila, claro está! Aderir a todas as campanhas e mais algumas, comprar ração e andar a distribuir por associações afins e sobretudo ir conhecer de perto o trabalho de quem ajuda os patudos mais azarados.

 

 

Esta é a Thelma, já tem um novo lar! Mas há lá tantos patudos, de todos os tamanhos, idades e feitios, que se me apertou o coração. Quanto a mim, que nem apareço na foto, fui mesmo comprar pulseiras iguais às que aqui vêem. Oitenta cêntimos cada. Um balúrdio... que conta e muito para a UZ. Estas vendem-se no albergue de Sete Rios, mas podem encomendar via postal. Todas as informações no site da UZ e no respectivo facebook.

publicado por Vita C às 09:24
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26
Jul 12

Um.

Dois.

Três.

 

Quatro ...

 

 

 

Já comemos Chunkie Monkey na relva do Jardim Amália. Já fomos à Festa do Avante. Já nos perdemos graças ao teu sentido de orientação. Já demorámos sete horas de autocarro para ir passar uma noite fora. Já foste ver Dream Theater sem mim (mas levaste-me no peito). Já apanhámos uma molha e fomos ensopar a casa de gente que não conhecíamos. Já bebemos demais na varanda do Carlos e da Mafalda. Já deixei de me arrastar no mestrado. Já fomos ver Dazkarieh. E amuámos. Sem nos lembrarmos já porquê. Já fomos ao casamento do Filipe e da Cristina. Já fomos ver Jorge Palma. Já comemos Chunkie Monkey no cacilheiro. A Melga morreu. Já fizemos um cruzeiro no Tejo. Já fizeste ganash só para mim. Já desenhei uma playstation 4 (sim, 4) numa caixa de cartão. E paguei extra ao taxista para poder levá-la no porta bagagem. Já vimos Jorge Palma (uma e outra vez). Despedi-me do meu primo para sempre. Já jogámos Mafia Wars juntos. Já ouvimos Tresporcento. Deixei de fumar. Já te liguei às 4h da manhã depois de sair do concerto de Pearl Jam. Já nos besuntámos de Chunkie Monkey. Já foste para Londres. And all i got was much more than a lousy t-shirt. Já me apareceste de surpresa no trabalho. Já fomos ver o último concerto de Scorpions em Portugal. Já te despediste da tua irmã. Já nos apaixonámos mais um bocadinho pelo Chiado. Já faltei ao bules para te ir acordar a casa dos teus pais. E acabámos por adormecer os dois. Já temos bilhetes para ir ver Ornatos Violeta. Já fomos à Madeira ser felizes. Já apanhamos barrigadas de camarão no Wok. Já te ofereci um teclado XPTO que fomos comprar nos arrebaldes. Já fomos comer caracóis a Porto Covo. Já vimos Feromona. Já passámos o carnaval em Marvão. E os meus anos em Sintra. Trouxemos um bocado da Madeira connosco. Já tirei o curso de TSHST. Já foste operado ao apêndice. Já te aguentaste com as minhas inseguranças (e conseguiste ajudar-me a ser também o teu apoio). Já te fui ver ao hospital. Já fomos a uma discoteca fechada só para nós. Já apanhámos uma multa de estacionamento. Já fizemos tachos de sangria que não sobrou. Já me foste ver ao hospital. Já estivemos dois dias sem falar. Já passamos um fim-de-semana inteiro só a falar inglês para treinarmos inglês técnico. Já fugimos de espanhóis na praia. Já fomos ver Metallica. Já fomos comprar massa térmica. Mudei de loja. Já comemos um litro de Santini na loja do Chiado. Já fomos ao casamento do meu irmão. Fomos ver o PJ20. Já jogámos Diablo III. Já saíste da TMN. Já voltámos infinitas vezes ao Pizza Divina. Já resgatámos um cão da rua. Já trocámos o teclado XPTO por um outro que veio directamente da Alemanha e que tem as indicações em (tcharan!) alemão. Já vimos dR. estranhoamor. Já visitamos a terra do teu pai. Despedi-me do meu trabalho e cinco dias depois estava a trabalhar noutro lado. Já comemos Chunkie Monkey em casa. 

E tanto ainda por viver... contigo.

 

[agendado]

publicado por Vita C às 13:59

24
Jul 12

Ia falar do filme, vimos este domingo, mas recentemente vi tantos posts sobre o filme que não me apetece entrar na onda.
Uma palavrinha apenas: vejam.

publicado por Vita C às 09:32
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20
Jul 12

Tive vários professores na faculdade que me marcaram. Alguns pela negativa, muitos mais pela positiva. Desde as aulas ao pé do lago a ver os peixes, ao professor que sabia o nome de todos os alunos das suas cadeiras (vários anos depois de deixarem de ser seus alunos). Ainda o professor que simulou um ataque cardíaco em plena sala de aula para nos falar da "apatia do espectador" e da Kitty Genovese.
Tive um professor que dava aulas optativas nas escadas da faculdade porque não tinha previsto que todos os alunos do ano se inscrevessem na sua cadeira não obrigatória (era etologia, coisa a que muitos psicólogos não dão a devida atenção). Nas escadas ao ar livre. E entretanto, à chuva. Sem ir embora. Porque aqueles eram os seus alunos. Esse mesmo professor deu, a mim e a uma colega, guarida no seu gabinete, dotado de aquecimento, uma vez que vim de uma casa de cópias do Campo Grande (mais barata do que a nossa reprografia) à chuva, para que nos pudessemos aquecer e evitar uma monstra constipação. Esse mesmo professor assumiu que não era professor de café, de ser popular entre alunos. Simultaneamente, preparava habilmente as nossas sebentas, estimulava que participássemos em conferências e jornadas (jornadas eto-primatológicas, yeah!), em tertúlias onde a sua sapiência descia ao comum dos mortais. Torturou-nos mentalmente ao desenharmos experiências sensoriais que associassem Klimt e Kandinsky a Béla Bartók.  Nada de exames escritos nas suas cadeiras, apenas orais. Foi meu professor de Grandes Correntes da Psicologia (com o professor das aulas no lago), de Etologia e de Psicologia da Motivação Humana. No primeiro exame oral apontou a cadeira e disse-me "Pode sentar, está electrificada" ... Foi das pessoas que mais me marcou e mais cravou em mim a ânsia de aprender, de perspectivar, de entender MIDA, MIA e afins. Era filho de um dos mais ferozes opositores da instituição do curso de Psicologia em Portugal.

A ele, o meu marcante professor Rodrigo de Sá-Nogueira Saraiva, os meus sentidos pêsames.

Ao pai, o eterno professor José Hermano Saraiva, a homenagem tardia pela triste certeza de saber que ninguém cuidará como ele da memória que existe em cada História.

 

 

publicado por Vita C às 15:22
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19
Jul 12

Por ter amado a minha estadia na Madeira, por ter sido a minha viagem favorita até hoje, a que guardo num canto bem quentinho da memória, o meu coração está apertadinho... Arrepiam-me as imagens do Funchal. Espero, apenas, que não tenha sido fogo posto...

publicado por Vita C às 13:00

17
Jul 12

Esta semana foi particularmente dolorosa. Porque a Campera morreu e eu descobri o quão potente é a minha raiva, porque uma das pessoas que mais admiro voltou costas a este país que ama e partiu, porque fui confrontada com aquilo que poderia ter sido e aquilo que também escolhi não ser.  Sim, estou cansada, mas também estou esperançada.


Vale-me o que sempre me valeu: a crença de que os meus passos nunca são solitários. A certeza que há mais nesta vida do que o longe e a distância. O mundo pode ser cinzento, mas há momentos, raros, que são da cor do sorriso que amo, que são da cor da certeza do que quero hoje para o meu futuro, da cor das coisas simples.

 

Ah, e I <3 Pólo Norte! Feliz Ano Novo!

 

* Pearl Jam, Unthought Known

publicado por Vita C às 09:35

16
Jul 12

Estou cansada de fazer algo que não me realiza. Cansada de ver as pessoas partirem e eu ficar, cansada de não ter sorte, de não arriscar (mais). Assim, levantei âncora e tentarei rumar ao desconhecido que se me afigura tão sedutor neste momento. Posso ter todo o azar do mundo, posso estar condenada ao fracasso, mas ao desânimo não! À inércia não!

publicado por Vita C às 10:10

10
Jul 12

Já deu para perceber que gosto muito de animais. Durante anos disse que gostava mais de animais do que de pessoas, e nisso saio ao meu pai.
Por isso, esta história comove-me até ao mais profundo irracional de mim. Totalmente, de tal forma que escrevo com os olhos rasurados de água e, pasmem-se, estou no escritório, a esconder-me atrás do monitor para que ninguém perceba que estou, de facto, a chorar.

 

Lamentamos muito informar que a luta da Campera acabou. A Campera morreu hoje.

O que sabemos é que à Campera foram disponibilizados todos os cuidados médico-veterinários com a intenção de salvar-lhe a vida.


O que sabemos é que a Campera quase não tinha vida.
Naquele corpinho martirizado pela fome, pela sede, pela negligência, pela indiferença só havia vontade.

Mas nem toda a vontade, nem toda a medicação, nem todo o cuidado podem vencer tanto sofrimento acumulado ao longo de tanto tempo.

Nem toda a vontade, nem toda a medicação, nem todo o cuidado puderam resgatar à morte aquele corpinho martirizado também pela Leishmaniose não tratada e causadora de danos irreparáveis nos rins.

O que sabemos é que, provavelmente, nunca a Campera foi tão mimada, tão abraçada, tão beijada, tão amada, tão respeitada na sua qualidade de ser senciente, capaz de sentir dor e prazer, como durante os dias que passou na União Zoófila.

A luta da Campera acabou mas a nossa continua.

Nesta hora há uma força tremenda que nos arrasta para a inacção. Queremos ir para casa, correr as cortinas para que a luz não entre e deixar entrar apenas a dor de ter perdido a Campera.

Mas a nossa, e a vossa, luta tem de continuar porque da nossa capacidade de continuar a lutar dependem animais como a Feira, pontapeada com uma violência capaz de partir-lhe a bacia e o fémur, ou o Barry, que chegou à UZ tão morto de fome, sede e doença como a Campera.

A luta da Campera acabou mas a nossa continua e continua também por causa dela.

(A tua luta acabou, Campera, e como lutaste, brava guerreira! Em tua memória, a nossa continua, amiga.)

 

 

Sim, a imagem é chocante! Custa ver, não custa?
A mim choca-me sobretudo que haja seres humanos capazes de fazer isto sem pestanejar. Capazes de atormentar um animal que, por definição, procura carinho, mimo e dedicação.
Eu vejo, pela minha pequena Pitucha, que engordou, que salta, pula, ladra (o que não fazia há duas semanas, quando a resgatei da IC19), o quanto o carinho pode fazer.

O meu bem-haja à UZ, por ter tentado, por se esforçar que haja, cada vez menos, finais destes.

A vocês, suas bestas , filhos da puta que deixam os animais à sua sorte no Verão, e a vocês, cabrões atrasados mentais que levantam a mão, o pé, o ferro e o que vier, a estes cães, que se divertem a espancá-los, não vos consigo dizer o quanto vos odeio. Agora sim, a palavra odiar. Que nunca se me atravessem à frente. Que sejam tão amados quanto amaram estes animais. Que vos deixem a definhar...

 

É tempo de criminalizar estes actos desprezíves, de dizer a estes cretinos que não podem continuar a fazer isto. Pela Campera, sim, mas também por todas as Camperas.

publicado por Vita C às 15:56
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08
Jul 12

 

E sinto-me inexoravelmente velha, triste, gasta e sem voz. Porque depois de Saramago, Gabo cala-se.
Deus ficou sem mãos para escrever.

publicado por Vita C às 12:55

06
Jul 12

Quando uma medida é inconstitucional e persiste, quando se antevê que para o ano nos tocará a todos em vez de não tocar a nenhum, quando grassa a incompetência, a corrupção e quando quem deve tomar medidas falha claramente os alvos, a Bad é que tem razão.

Continuo sem entender estas medidas de aperto e sufoco sem a devida compensação. Eu sei, eu sei, mea culpa, mas andei a reler o Animal Farm (lamentavelmente traduzido para O Triunfo dos Porcos), que querem, e o certo é que, não sendo comunista, me parece que é na oposição que está a alternativa, e não passa pelo PS. Porcos, é o que vocês são.

publicado por Vita C às 10:16

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