espaço de mau feitio, alguma reflexão, música e outras panóplias coloridas

30
Jun 13

 

 

*State of Love and Trust, nome de uma magnífica música de Pearl Jam

publicado por Vita C às 13:11

28
Jun 13

Sim, fiz greve. Decidida, ponderada e convictamente. Não o fiz em ocasiões anteriores, em que a greve era mais prejudicial à empresa onde estava a trabalhar do que àquela entidade governante que nos deveria orientar. Afinal, o objectivo da greve seria sempre o de dar um alerta genuíno, um protesto gritante e unido. Mas desta vez, desta vez a situação é um pouco diferente.
Façamos um balanço destes 32 anos de vida. Casa própria, não. Carro próprio, não. Trabalho, o que vai havendo, desde que resolvi arriscar para investir mais na psicologia, essa vocação que me valeu 5 anos deliciosos de licenciatura e quase outros tantos de pós-graduações. O que vai havendo, repito. Aos sábados, todos, e outros dias esporádicos. O restante da semana, e do vencimento, vem de um call-center. É trabalho honesto, é trabalho digno, em todos os trabalhos retiro algo de positivo, em todos aprendo algo, em todos conheço gente que me ensina e inspira. Mas, ainda assim, faço greve. Por mim, pelos meus, pelos outros, e embora me assuma como tendencialmente canhota, demarco-me claramente dos debates patéticos que se vêem na Assembleia da República. Repito: patéticos. Temos um primeiro ministro patético, ministros, quase todos, patéticos, um líder da oposição patético, enfim, uma AR patética e deprimente, a quem sustentamos. Também por eles, ou em seu desfavor, faço greve. E sai-me do bolso. E não, não tenho receio de perder o meu posto de trabalho. Trabalho digno e honesto, sim, não me mete medo, já escrevi, daí não temer o que aí vem. Entendo o desespero de quem não fez greve por receio de represálias. E entendo quem foi trabalhar por não ser a favor desta greve. E, sobretudo, entendo quem, como eu, fez greve. Porque tanto uns como outros têm direito à sua escolha. Eu fiz greve. Sim.

publicado por Vita C às 17:11
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23
Jun 13

De manhã até meio da tarde, rodada de sessões de terapia. Coisa boa, isto de se fazer o que se gosta.

À noite, assalto a lisboa, essa cidade cheia de segredos, é preciso saber encontrar actividades culturais e de lazer gratuitas, e ontem lá fomos, no belíssimo Museu da Cidade, encantarmo-nos com contadores de histórias...

 

Então e de tarde? Um aniversário muito especial. Um ano inteirinho de Pitucha na nossa vida. Houve hamburger com velinha, snack e rolinhos de fiambre para ela e para o Rookie. Sim, sou uma dona muito mimalhona.

 

 

 

E tenho uma vida com tantas coisas boas que só posso ser feliz. Mesmo nos dias menos fáceis, a felicidade é um exercício.

publicado por Vita C às 20:23
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18
Jun 13

 

(recordo perfeitamente: ia a entrar no teleférico no Funchal quando me telefonaram, há três anos, com a notícia da sua morte)

publicado por Vita C às 21:53
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16
Jun 13

Ontem a Pitucha teve uma síncope cardíaca, perdeu as forças e começou a desfalecer. Chamaram-me, porque estava a dar consultas e a fazer agendamentos, e eu voei até casa, ainda a tempo de a ter nos braços a pensar que seria desta que a cadela morria, e a ser assim, há de morrer nos meus braços, com festas e beijos no focinho. Não foi um espectáculo bonito de se ver. Hoje já se levanta, arrisca-se num latido, e demonstra-nos a sua inegável força de viver.

Veio cá o véti véti, super recomendado, ligámos-lhe ontem, ele estava de viagem, assim que aterrou hoje na Portela ligou-nos de volta, combinou tudo, examinou-a de uma ponta à outra, aproveitou para ver também o Rookie, revalidou-lhes as vacinas, desparasitou-os, estes são os nossos ai jesus e ficam soberbamente bem entregues. Setenta euros, dois cães, vacinas incluídas, e o homem vem a casa. É véti véti por vocação, nota-se na forma como o Rookie o recebe, nas lambuzadelas que a Pitucha lhe dispensa. E eu fico feliz em saber que há gente assim, dedicada, que cuida dos meus bichos o melhor que pode, tal como eu sou a melhor dona que posso. Embora às vezes o coração fique feito num oito. Embora às vezes pense que uma vez há-de ser a última. Mas até lá, esperarei, sempre, de colo aberto aos meus cães. De mimo e afecto sei eu. O resto entrego ao véti véti.

 

publicado por Vita C às 20:35

14
Jun 13

A minha enorme indisposição para com Cavaco Silva vem de longe.

Recordo-me quando, ainda nem eu podia votar, o slogan da campanha era qualquer coisa pouco inclusiva do tipo "O presidente dos não socialistas", havendo até um spot televisivo de um barco a remos em que a voz off dizia algo como "não acha que está na altura de não remarem todos para o mesmo lado?". Na verdade, não achava. E a réplica de Jorge Sampaio foi elegante, nos seus cartazes podia ler-se "O presidente de todos os portugueses". 

Quando o senhor foi eleito, engoli a minha azia, tendo até chegado a destilá-la educadamente face a certas gentes para quem o não voto em Cavaco apenas existiria numa faixa sociológica da população inebriada de cannabis e cujo intelecto se referia a uma "nozinha cerebral".

 

Não é a Presidência da República que me revolta. É a pessoa que me faz confusão. A leveza com que alguém se queixa de 800 euros e a prepotência machista de "ter de sustentar a mulher". A pessoa para quem ser chamado gatuno e ladrão é de tal forma ofensiva que dá direito a uma pena de 1300 euros e apesar disso, não se pronuncia sobre o caso. Caso esse que, de tal forma absurdo, se derramará em nulidade.

A Presidência da República deriva directamente da possibilidade democrática que a sustenta. Eu não votei em Cavaco, mas respeito o Presidente, é a força da maioria que se impõe, e desde que Cavaco seja fiel ao que se propôs, que remédio haverá senão o de esperar que algo ilumine a sua direcção. No entanto, Cavaco (bem como o Governo, mas isso ...), reformado que é e se farta de repetir, trabalha. Trabalha porque foi eleito. Eleito. Não foi de mão beijada, houve muita gente que o escolheu como representante máximo da nação.

Mandá-lo trabalhar não é um insulto: é uma exigência à qual Cavaco não pode fugir, nem com artimanhas legais que não apenas o envergonham a ele, mas sobretudo mancham a Presidência. Mais do que qualquer insulto. Insultuoso é o caminho que Cavaco não toma: é um presidente do não fazer. Do não acontecer. Do não nada. Insultuoso é o tom permissivo e certamente participativo com que Cavaco, enquanto Presidente, escuda um governo que defraudou e defrauda o povo.

 

Senhor Presidente, trabalhe, vá trabalhar, que há gente que nem isso pode!*

 

 

* No caso do Presidente querer entender este texto como vexatório, como ofensivo, devo informá-lo que, tal como o Estado deve sistematicamente às empresas, e fala de milhares de milhões como quem diz dá ai um euro para o café, também me arrogo o direito de dizer que para ganhar-me mil e trezentos euros, o senhor Presidente deve esperar sensivelmente quatro meses, que eu não ganho sequer o salário mínimo (compare lá a sorte de sua esposa). Até essa data, olhe, ponha-me num calabouço com cama, mesa e roupa lavada, que eu sempre saio a ganhar.

publicado por Vita C às 15:43
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09
Jun 13

Não há ano em que não vá à Feira do Livro. Como diz a metade, sou uma prostituta dos livros, leio de (quase) tudo, o que se comprovou na altura em que estive internada, em que até livros infantis devorei. Este ano, uma vez que a situação laboral se alterou (para melhor em termos de realização, para pior em termos económicos), não fomos à Feira. E lamuriei-me, o suficiente para já ninguem me poder ouvir falar de livros (e até porque vi um livro novo do Carlos Ruiz Záfon e TENHO de o ler em breve).

Fomos hoje tomar café a casa de um casal amigo, e assaltei, de forma autorizada, a biblioteca deles. Trouxe, sem exagero, mais de vinte livros para ler. E um sorriso de orelha a orelha.

publicado por Vita C às 20:17
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06
Jun 13

 

 

Este é um texto politicamente incorrecto.

Há dias, a propósito do falecimento do Rodrigo (cuja doença desencadeou um dos momentos de origem blogosférica mais tocantes de que tenho memória), alguém, atordoado pela dor da injustiça da morte de uma criança que mobilizou tantos, escreveu algo como "a vida é uma puta".
Se a questão é se alguma mãe deve sobreviver ao filho, então não, claro que não, obviamente que não. Nem imagino a dor dilacerante da perda, o chão que se esvai, o tempo que se esgota e que parece estar a mais.

Mas encarar a vida como um não ser, como um não fim, como uma injustiça, como se nos fosse possível alhearmo-nos desta vida porque outra vida partiu. A vida é. Ponto. Compete-nos, passado o choque, a renúncia, a dor, a negação, encaixarmos de novo as peças do puzzle, trazer umas quantas novas, retirá-las e recolocá-las as vezes necessárias. Os dias passarão, a vida continuará. Independentemente de a chamarmos de puta ou de santa, a vida permanece, inexorável, até que se finda em nós. E nessa altura, outros chorarão, berrarão, perguntarão porquês e dirão não é justo.

Não falo de ânimo leve. A minha vida, como a de toda a gente, não tem sido um mar de rosas. O meu avô morreu de cancro deixando a minha família orfã irremediavelmente. O meu tio morreu de cancro. O meu pai teve um enfarte no Natal passado. Uma das minhas melhores amigas morreu atropelada quando eu tinha 15 anos e era demasiado nova para assimilar a ideia de que podemos morrer num ápice porque alguém vem em excesso de velocidade. A minha tia tentou suicidar-se mais vezes do que me consigo recordar. A minha mãe teve três trabalhos para nos sustentar sozinha e nunca esteve nas festas da escola ou do desporto em que eu aparecia. Nunca esteve nas atribuições de medalhas de mérito por estar sempre a trabalhar. Vivi durante dois anos sem móveis em casa à excepção de um colchão e um frigorífico e continuei a ir para a faculdade e para o trabalho sem ninguém dar por nada. Comi durante muito tempo uma única refeição por dia. Recebi avisos de despejo cujo prazo terminava na véspera de Natal. A minha mãe passou mais de duas semanas a ir e vir todos os dias para o hospital sem se aperceber se a filha sobrevivia ou não à pneumonia instalada. Entre outros contos. Entre outras histórias. Por isso, como quase todos, já me deixaram cicatrizes na alma que não me derrotaram. Fizeram-me mais forte, diz-se por aí que refinaram o meu sentido de humor. Porque de tudo o que me aconteceu, consegui aproveitar o lado do bom do que perdi. Ninguém consegue incutir em mim mais afinco do que memória que trago do meu avô, abraçado a mim enquanto levava oxigénio. Ou nada me consegue fazer serenar mais do que recordar as palavras seguras da D. Isabel na minha primeira noite no hospital.

Todas as minhas cicatrizes fecharam, como um dia fechará a que a mãe do Rodrigo agora tem, escancarada, em carne viva e em alma esgarçada. E porque todas se fecharam, ou até para que todas se fechassem, tive de escolher acreditar que a vida não é uma puta. A vida é. Existe. Como olhamos para ela, como nos deixamos dominar, como partimos ou deixamos partir, isso é que é viver.

Não imagino, repito, a dor da mãe do Rodrigo. Nenhuma mãe deveria ter de sobreviver aos filhos. Mas nestas alturas, em que a injustiça nos parece toldar o raciocínio, recordo-me sempre da música que trauteio mentalmente em todos os momentos de partida.

 

Mas Deus leva os que ama
Só Deus tem os que mais ama
(Trovante)


EDIT: eis como ajudar, um pouco de cada vez, a que haja menos Rodrigos e mais finais felizes.

publicado por Vita C às 15:38

03
Jun 13

... ou de como o ser-se psicóloga não diz absolutamente nada sobre a nossa sanidade mental.

Vou para o call-centre de comboio. É sabido que tenho pavor a plataformas de comboios (lá dentro a coisa até que se ameniza, a entrar e sair das carruagens é que são elas).
No ano passado, e depois de muitas experiências com a medicação para controlar a asma e a pansinusite e afins, comecei a tomar um turbo-haler (turbo, hein, só podia) que vem num invólucro cilindrico.

Já se está mesmo a imaginar... Um destes dias estou a chegar à plataforma para apanhar o comboio e mais uma vez superar a minha fobia irracional e saco do turbo-haler para inalar, que a respiração estava a falhar um pedacito. Como sou moça muito prendada para as intelectualices mas nem tanto para as coisas de mãos, o turbo-haler (cilíndrico) salta-me das mãos, cai ao chão e rola, deslizante, o cabrão, até à linha do comboio, onde vai aterrar mudo e quedo. Faltavam dois minutos para o comboio passar.

O que faria, munida de toda a artilharia psicológica? Disputava racionalmente os meus pavores de ficar sem o haler e pensava em ir comprar outro quando chegasse ao destino. Despedia-me emocionalmente do querido haler, tantas noites que passámos juntos. Inspirava e expirava suavemente, como quem cheira uma flor e como quem sopra uma vela. Tudo isso e muito mais.

E o que é que, na realidade, eu faço? Ajoelho-me feita parva, as lágrimas a escorrerem-me pela cara de panda (porque estava maquilhada), a soluçar sem ser capaz de pronunciar duas sílabas seguidas, como se o mundo acabasse não amanhã mas daí a dois minutos.

Eis senão quando uma rapariga atlética (provavelmente da Faculdade de Motricidade Humana) me pergunta se "aquilo" era o que me tinha caído, e quando eu aceno afirmativamente, e sem perceber porque raio não fui buscar o dito haler, salta para a linha para mo devolver. E eu? Desato aos berros, que vinha aí o comboio, e já tenho o filme todo na cabeça, a tipa, bem intencionada, vai acabar espalmada ou estraçalhada mesmo à minha frente "como eu sempre disse que iria acontecer". Mas não, a rapariga era ágil, vai até ao início da plataforma, escala aquilo, devolve-me o haler e desaparece numa carruagem (sim, o comboio entretanto chegara).

Lindo. Depois disto, ganhei ainda mais respeito pelos medos dos meus clientes.

publicado por Vita C às 18:08

01
Jun 13

publicado por Vita C às 14:59
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