espaço de mau feitio, alguma reflexão, música e outras panóplias coloridas

30
Set 13

Os resultados são indizíveis. E as pessoas de fora perguntam como é possível as pessoas votarem num tipo que está a cumprir pena por branqueamento de capitais e por fraude fiscal*. Eu também não sei.

Como também não sei o que sucedeu ao Bloco de Esquerda em Lisboa com o seu coordenador mais cotado a falhar a eleição para vereador e nem sequer esboçar uma admissão de derrota (mas fiquei muito feliz com a reconquista de Loures pela CDU).

 

* Paulo Vistas é uma marioneta de Isaltino Morais, aqui não há discussão, vejam as imagens da declaração de vitória...

publicado por Vita C às 18:50
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28
Set 13



Um dia explico-vos a importância suma que o Variações tem na minha vida. Por agora, deixo-vos apenas a ideia de que o sósia dele foi meu professor de Cognição Social na faculdade. Igual. Zinho. Até na idade (imaginem o Variações com mais uns anos ...)


publicado por Vita C às 21:11
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24
Set 13

A apresentação do curso de alemão foi hoje (esteve para não ser, mas isso é outra história, relacionada com assertividade discutida em inglês). Somos três gatos pingados, nenhum de nós fala patavina de alemão. O professor, Christian (Querristiâne) de seu nome, é austríaco, pouco fala de português. Portanto, fazemos as apresentações e a aula em inglês (ponha os olhos nisto, senhor Crato). Quem somos, o que fazemos, blá blá.

- Então Ana, o que te traz a aprender alemão?

- Bom, como portuguesa, tenho umas coisas para dizer à senhora Merkel e gostaria que ela entendesse...

- ...

 

publicado por Vita C às 22:19

22
Set 13

Enquanto não arranjar trabalho não vou cortar o cabelo.

Sim, sou uma pessoa de "pancadas". E cujo cabelo já ultrapassa os ombros...

publicado por Vita C às 23:12

16
Set 13

 

O fim de um processo terapêutico tem sido para mim sempre carregado de ambiguidade.

Os fins, naturais e desejáveis, pressupõem um afastamento gradual que se guilhotinam finalmente numa qualquer hora agendada. Esgotadas as sessões de follow up, apertadas as mãos ou fechados os beijinhos finais da praxe, há um semi-vazio e um semi-orgulho que combatem pelo meu peito dentro. Um vazio porque, reparem, os terapeutas não são seres insensíveis. Ao sermos o fiel depositário de angústias, medos, sonhos, competências, ousadias e máscaras de alguém, caramba, é difícil não nos sentirmos inebriados pela intimidade. Um orgulho, porque aquela pessoa que entrou em farrapos, e tremiam-lhe tanto as mãos no primeiro dia, como esquecer?, que entrelia tantas dificuldades e construia gigantescos moinhos de vento disfarçados de objectivos, essa pessoa não apenas caminha como os seus passos ecoam na calçada, instilando confiança e segurança a quem os ouve.

É solitariamente cru enveredarmos por uma profissão cujo último fim e primeiro objectivo é o tornar-se desnecessária. Que exige uma precisão absoluta na medida do envolvimento e do que de nós emprestamos no momento terapêutico. Cada erro reclama, inexoravelmente, peso nos ombros e mordaças na alma. Somos os únicos a cometer erros. Podemos fracassar por diversos motivos e fantasias, mas somos apenas nós quem erra em terapia e sobre nós recaem mitos, estereótipos e bandas desenhadas que persistente e pacientemente desfazemos, como Penélope. Compomos peças musicais para serem executadas uma única vez, ouvidas entre quatro paredes seguras, tão seguras quanto a nossa convicção de que ao darmo-nos, recebemos preciosidades em bruto. Ou segredos, confidências e embaraços. Tanto, que somos elásticos.

É indescritível o fim de um processo terapêutico. Reduz-nos ao nosso papel, ensina-nos e recorda-nos que somos uma ínfima parte do processo de mudança. Mas exorta-nos a continuar. Outras pessoas, outros lamentos, outros sonhos, outros risos. Outras peças a serem escutadas uma fugaz vez. Não mais importantes. Não menos importantes. Diferentes. A caminhar para o fim. Que é o natural. O desejável.

Agarro-me ao semi-orgulho, mas não me envaideço. As despedidas são manejadas habilmente, mas não de forma fria. Nem vazia. Creio, por mim, que ser terapeuta é uma forma excepcional de sentir os outros. Cada pessoa me traz um pedaço novo, cada pessoa leva um pedaço de mim. E assim me mantenho constante, mas diferente.

publicado por Vita C às 00:42
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13
Set 13

 

Tenho seguido de forma relativa muda a silly season que por aí anda. Tudo é preocupante, e não vale a pena juntar a minha voz ao coro de desanimados e frustrados por este país fora. Mas houve dois temas que me fizeram arrebitar a orelha (perdoem-me as analogias caninas, mas quase que confio mais na sanidade dos meus cães).

Uma arrebitadela, este texto que pretende defender os colégios militares. E aqui a devida pausa para esclarecimentos antecipados: nada tenho contra o Colégio Militar, sou neta de uma Menina de Odivelas, tive colegas e amigos que frequentaram quer o Colégio Militar quer os Pupilos do Exercito.
Posto isto, sigamos. O texto enaltece valores que, de facto, fazem falta em Portugal. Creio, sinceramente, que não estariamos numa posição tão vulnerável se tivéssemos uma estrutura de valores mais consolidada, a começar na classe política e a terminar em cada um de nós. Se tais valores são exclusivos destas instituições, parece-me óbvio que não, mas é inegável que estas prestam uma grande ajuda.

No entanto, é necessária cautela, pois ao engrandecer os colégios militares não é necessário denegrirmos as instituições "civis". O ensino publico não pode (poder pode, como se comprova, mas não deve) ser enxovalhado como ponto de comparação. Digo isto tendo sido aluna de escolas privadas, escolas públicas e ensino superior público. Acredito no ensino público e tenho urticárias valentes quando penso na incompetência política de Nuno Crato (não incompetência técnica e a ele se deve o incremento de exigências que faziam sentido há muito).

Mas com as comparações da escola militar e civil posso eu bem. Não posso é com intolerâncias de diversas ordens e com desconhecimento. Vou deixar passar a tentativa absurda de ataque à "esquerda" (nós, os de esquerda, comemos esquerdismo, bebemos esquerdismo, pensamos esquerdismo e cagamos esquerdismo, é isso? Se assim for, os militares só pensam em ...? Já viram bem o reduccionismo e a tacanhez do argumento?).

Agora, pequenices à parte, existe algo que me ofende e sobretudo me assusta, e cito: "não se aceitam fraquezas de carácter, mentirosos, ladrões, drogados, homossexuais e outras minorias de aleijados morais. Deus seja louvado! E para que as fraquezas não se transformem em vício, corta-se logo o mal pela raiz. Que nunca lhes doam as mãos!". E porque é que isto me assusta? Porque uma instituição de formação e de ensino não pode (poder pode, la está, mas não deve) pregar um absurdo científico. Já escrevi, diversas vezes, que a orientação sexual não é nem uma opção nem uma escolha, é uma característica*. 

E isto, senhores, é ciência. Ensinar o contrário é ensinar intolerância e ignorância. Creio que não é isso que se espera de instituções com valores.

 

Simultaneamente, segunda arrebitadela, esperneiam opiniões sobre a liberdade de expressão e a chamada proposta de lei anti-piropo. Ridícula? Sim. Mas tristemente necessária. Podemos ser preconceituosos, e machistas, ainda por cima? A mim tanto se me dá, ao contrário do que me diziam, nunca mudei os meus hábitos e nunca fechei as orelhas: tal como a Jonas, aprendi cedo que responder à letra era mais eficaz. Mas esta sociedade afirma que as mulheres é que têm de saber lidar com os piropos, que as grosserias não fazem mal nenhum, as mulheres é que são o sexo fraco e vulnerável. Uma pergunta para vós: queriam que um destes machos alfa oferecesse uma pila de trinta centímetros às vossas filhas e lhes prometesse uma puta duma foda até ela ficar esfolada? Não? Bem me parecia...

 

Resumindo, nestes dois assuntos, um triste retrato dum país que se preocupa mais com o que tem do com o que é ...

 

* aos curiosos, ver aqui um documentário excepcional sobre o tema

publicado por Vita C às 14:33

12
Set 13

... amanhã tenho uma entrevista (para um contact-center, mas diacho, seria dinheiro a entrar).

publicado por Vita C às 16:56

11
Set 13

 

Eu reconheço que estou uma chata do pior. Estar desempregada irrita-me, e embora vá dando algumas consultas, passo demasiado tempo em casa. Por isso, estou hiper-susceptível a determinadas situações e comportamentos. Eu, pessoa positiva e vibrante, perco a cabeça, a paciência e as estribeiras com as pessoas-que-fazem-uma-tempestade-num-copo-de-água e com as pessoas-com-ar-de-que-toda-a-gente-lhes-deve-e-ninguém-lhes-paga.
Estou fartinha de estar em casa. A minha vida parou, estagnou, e apesar de toda a resiliência e todo o esforço e ocupação, o meu maior receio é estar a transformar-me numa macambúzia impaciente.

(isto porque creio que escrever sobre os condicionantes económicos da situação que contribuem para o agravamento desta sensação de inutilidade e aparvalhamento me parece de todo desnecessário)

publicado por Vita C às 13:21

08
Set 13

A ler. Elegante e sucinto, sem deixar nada por dizer...

publicado por Vita C às 14:04
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(e ainda só vou na primeira semana)

publicado por Vita C às 02:00
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