espaço de mau feitio, alguma reflexão, música e outras panóplias coloridas

29
Out 15

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publicado por Vita C às 16:39

27
Out 15

Querida EDP, 

 

A nossa história, embora curta, foi cheia de aventuras. 

Primeiro, liguei-te ainda antes de me mudar, ainda em Agosto, e disseste-me que só me poderias dar toda a tua atenção quando o contrato de arrendamento surtisse efeito. Ainda assim, esperançosamente, deixei-te todos os dados que irias precisar para que, em Setembro, nos tornássemos felizes para sempre, eu e tu, tu e eu, electricidade e gás. 

Assim, em Setembro, dia 1 pela brisa fresca da matina, liguei-te, olá como estás, queria dizer-te que sim, que avançassem as festas! Gostei tanto quando me disseste que sim, que em duas semanas estaria tudo pronto para nós. A electricidade demoraria uns dias, o gás duas semanas, com inspecção e tudo. Achei estranho, mas estava cega e iludida, e disse que sim! Combinamos um primeiro encontro cara a cara para reduzir a potência contratada e, como sempre, fiquei descansada quando me comunicaste que irias numa sexta-feira em que estaríamos esperando por ti. 

Depois, quando o gás do contrato anterior não foi cancelado, comecei a ficar preocupada. Liguei-te. Que estava tudo a ser encaminhado, e que não me preocupasse, tudo estava encaminhado. Encaminhado para quem?, perguntei-te, mas não quiseste responder. Que o contrato anterior seria cancelado em breve. Tratei de falar com o titular do anterior contrato de gás. Apresentei-te um primeiro sinal de que as coisas poderiam ir melhores. 

Volvidos uns quantos dias, enviaste-me uma SMS a reagendar a visita. E eu, em pulgas, que visita poderia ser senão a inspecção para início de contrato do gás natural. E quando te liguei, fervorosamente entusiasmada, disseste-me que afinal não, não era para agendar a visita mas sim para reduzir a potência. Mas, pensei eu, tu não tinhas cá vindo antes para isso? E não pedi eu a um amigo para ficar cá para te abrir a porta, e afinal foi tudo em vão?

E foi aqui que comecei a pensar que afinal a imagem de felicidade eterna e duradoura poderia ser ilusória. Perguntei-te, a medo, hesitante, pelo gás. Ah, que nem sequer me poderias dar uma previsão, que nem sequer me deverias ter dado a ideia inicial das duas semanas. Ai é?, pensava eu, sentindo-me traída, enganada, afinal tinha sido tudo mentira? Pedi-te que resolvesses depressa a tua cabeça, que me dissesses a sério o que querias para o nosso futuro. Anotaste cuidadosamente a minha reclamação, a segunda, e garantiste-me que irias cuidar de mim. Embora isso nem me tranquilizasse muito, preferi acreditar. 

E depois enviaste-me a primeira factura. Apenas de electricidade. Relativa a uma casa que ainda nem sequer estava habitada. Ousadamente, tentaste apresentar um valor espectacular por estimativa. Teria eventualmente corrido bem se, lá está,a casa estivesse habitada. Só que ... não! Liguei-te na hora, quero terminar tudo contigo, estou furiosa! Mas por quem me tomas? Por alguma avariada que não se aperceberia que estava a ser esmifrada, prostituída até! Pediste muitas desculpas, que devolverias, que prometerias e acontecerias. Uma última tentativa, avisei eu. A última das últimas, porque fechar portas seria complicado para mim, que tinha projectado um conto de fadas para a nossa vida. 

Ontem percebi. Nunca quiseste nada comigo. A carta que me escreveste, formal e composta, dizia que tinha de ser eu a tratar do gás, que o contrato anterior ainda estava em vigor e que, embora me tivesses prometido que em duas semanas estaria tudo resolvido, nem sequer te incomodaste em contactar o anterior fornecedor. Olha, faz tu e depois diz-me para eu receber o fruto do teu trabalho, foi o que me deste a entender. Nada poderias fazer por mim. Nada querias fazer por mim!

Assim fiz, cega de raiva. Liguei para a Galp, na beira das lágrimas mais amargas.

Adeus EDP, olá Galp!

 

Nunca mais tua, 

 

Vita C

publicado por Vita C às 10:13
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19
Out 15

Para quem ainda não percebeu: Nós não elegemos um governo, elegemos uma maioria parlamentar. Ora, se os três partidos em maioria se juntarem e formarem uma coligação para governar que dê garantias de estabilidade, têm tanta legitimidade democrática como a PaF. A PaF teve 38,5% dos votos, os outros 3 tiveram mais de 50% dos votos. 50% não é mais legitimidade democrática do que 38%?
Quanto ao argumento de que haverá eleitores que votaram PS e que podem não se sentir representados por um governo PS-BE-CDU, esse argumento vale para agora e valia para 2002 e 2011. Também houve eleitores de centro do PSD que nunca se sentiram representados por um governo que integra o CDS (ou será que todos os votantes do PSD em 2011 queriam eliminar a descriminalização da IVG e sujeitar as mulheres à tortura psicológica que a nova lei vem trazer?), e por isso a PaF perdeu tantos votos agora em 2015.
É da vida, e da democracia.
Quando não há maiorias absolutas, há coligações. A coligação com maior legitimidade democrática e que dê maiores garantias de estabilidade, é a que deve ser escolhida. Senão, tem que haver novas eleições.

 

poder1.jpg

 

No facebook de Ines Ferreira Leite, ilustrado pelo quase sempre certeiro cartoon de Henrique Monteiro.

 

publicado por Vita C às 10:29
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05
Out 15
 

Bem, por onde começar?
Eu estive como secretária e escrutinadora numa das mesas de voto em Miraflores, aquelas que apareceram nas têvês, tal e qual. Entrei no pavilhão às 07h da manhã e passava das 22h30 quando cheguei a casa. Não almocei, fui uma vez à casa de banho e, de resto, estive ininterruptamente a prestar apoio aos eleitores, quer a descarregar votos, a registar reclamações e auxiliar como pude.
A organização não foi má. A organização foi inexistente. Não se admite, a não ser por mero exercício de amadorismo, a falta de informação disponível (aos eleitores e aos membros de mesa) e de logística.
Não se (deve) brinca(r) com o direito e dever de voto. A reorganização das freguesias teve como consequência uma suposta reestruturação de listas e cadernos, aglutinação de mesas, selecção (aparentemente aleatória) de eleitores de uma lista para serem designados numa outra lista e, surpresa das surpresas, nada disto foi comunicado com a antecedência necessária e exigível.
Houve eleitores que, claramente, não se deram ao trabalho de verificar que estavam na mesa errada? Sim, houve. E com esses pudemos nós lidar bem. Pessoas que estão horas nas filas para votar e a quem depois é dito que está na fila errada (porque de facto, só conseguimos registar o voto das pessoas cujo nome consta nos cadernos) são um caso diferente. Pessoas que estiveram horas na fila para votar em branco ou mesmo depositarem um voto nulo claramente queriam expressar a sua opinião. E é isso que conta. Infelizmente, dada a falta de condições, muitas pessoas optaram por não votar. E isso denigre a democracia.
Espero que a lição tenha sido aprendida.
A minha mesa registou em acta o desagrado dos membros da mesa com a situação. Recebemos quase uma dezena de reclamações (ao invés do que a comunicação social relatou, existem sempre formulários de protesto nas mesas). Foram poucas, na minha opinião.
Alguns dos eleitores compreenderam que os elementos da mesa pouco poderiam fazer e, felizmente, apenas a minoria saiu fora dos limites da boa educação. Ainda assim, lamentavelmente, a mesa enfrentou uma situação em que houve a necessidade de alertar a PSP. Reforço, compreendo e entendo a frustração, mas há formas adequadas de apresentar reclamação e até mais produtivas de descarregar a frustração.
Faço um bom balanço da experiência que foi, embora repita, espero que a lição tenha sido aprendida por quem de direito.


Quanto ao resultado em si, disseque-se o que se quiser, são 11 contra 11 e no fim ganha a Alemanha.

publicado por Vita C às 21:09
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