espaço de mau feitio, alguma reflexão, música e outras panóplias coloridas

04
Mai 10

Eu sou uma lamechas. Mesmo, mesmo, mesmo.

Para mim o Dia da Mãe, assim como o do Pai, o dos Namorados, o da Criança, o dos Avós, o dos Tetravós e dos Tios e Primos, não passa de uma manobra comercial que pega demasiado bem em espíritos tão consumistas como os nossos. Raramente dou prendas nestes dias. Por um lado, quando era pequena, fazias as prendas na escola e nem me ralava mais com isso, e por outro lado, nunca tive abundância monetária para comprar algo que fizesse diferença nesse sentido. Quando era maiorzinha, ao meu pai oferecia livros que ele tendencialmente ia trocar porque já tinha, à minha mãe era sempre uma confusão.
Este ano, o primeiro desde que o meu mano casou, fomos os três (Vita C, mano e mãe, e mais o cão) dar um passeio a Mafra. Apanhar vento no rosto (tanto vento!). Beber café, os três, como há meses não fazíamos. E depois alapámos em casa, a conversar, rir e pouco mais. E tirámos fotografias.
Uma dessas fotografias (spoiler, vem aí a lame part) levou-me literalmente às lágrimas. É que ver-nos aos três, a sorrir para a câmara, e ver o sorriso da minha mãe, tão compincha, tão alegre, partiu-me a couraça de tartaruga que a maior parte das pessoas ainda julga que tenho.

Desde que foi despedida, em 2005, que os dias da minha mãe se passam entre casa e o café da esquina a fazer tempo que os filhos telefonem ou cheguem a casa. E isto é triste, porque a minha mãe é uma pessoa espantosa. Que não fala com os vizinhos porque não gosta de novelas nem de cusquices de café, como as outras senhoras que lá vão. Que não guardou grandes amizades, porque quando foi preciso (e se foi preciso!), arranjou três trabalhos para cuidar de dois miúdos pequenos, mimá-los e fazê-los saber o quanto eram (e são) amados. E arregaçou as mangas, vendeu seguros porta-a-porta, passou noites a fazer bolos e gastou domingos de folga a vender em cafés. Trabalhou que desunhou quando não era bem visto ser-se mãe divorciada de duas crianças com pais diferentes.
Nunca nos afastou dos nossos pais, nunca faltou a uma festa da escola (mesmo que chegasse quase já no fim), nunca nos fez todas as vontades. Errou, claro, como ainda erra. O seu grande erro foi ter quase deixado de viver para que os seus filhotes fossem crescendo em bem.

E assim a fui vendo, trabalhar, trabalhar, envelhecer. A minha mãe tem 61 anos e foi definhando. É uma pessoa triste a maior parte do tempo. Mas aquela fotografia lembrou-nos que há coisas que se não envelhecem. Como o amor de mãe. Tomara eu que os meus filhos tenham uma mãe que seja metade do que a minha foi, e é, para mim.

publicado por Vita C às 19:53
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3 comentários:
Não é nada lame!
joão a 4 de Maio de 2010 às 20:24

É um pequeno lame, pronto. É um lame expositivo, e às vezes (só às vezes) os blogs também servem para isso ;)

Precisely.
joão a 5 de Maio de 2010 às 20:59

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