espaço de mau feitio, alguma reflexão, música e outras panóplias coloridas

17
Out 10

Hoje encontrei uma colega de curso. Ah beijinhos, como estás, estás óptima e outros cumprimentos menores. E depois o inevitável "então o que andas a fazer?".
Fiquei a saber que do meu curso houve uns quatro ou cinco (ou poucos mais, que não sabemos de toda a gente) que ficaram e continuaram a trabalhar na área. Que a maior parte nem sequer se inscreveu na Ordem dos Psicólogos porque, apesar de o ser, porque não conseguia comprovar a experiência profissional ou porque nem a conseguiu obter. Essa maioria que anda a pular de emprego em emprego após ter queimado pestanas para rigorosamente nada. N-A-D-A, porque ouvem coisas estranhas nas entrevistas de emprego, como sobrequalificação para reporem livros, entre outros casos. Alguns trabalham a part-time e vão fazendo formações que sabem que não os vão levar a lado nenhum. Outros escolheram carreiras nas quais nunca tinham pensado e que servem apenas para chegar ao fim do mês. Tenho uma amiga que é bancária, ela que sempre adorou números (a ironia extravasa pelas teclas, sabiam?).

Porque temos trinta anos e entretanto já sairam novas fornadas das faculdades, também elas a caminhar para este abismo.
E então lembrei-me que ouvi o nosso bastonário falar na televisão há uns dias a propósito dos mineiros chilenos. E que tenho de enviar para a Ordem uma fotografia actualizada para a Cédula Profissional. Porque apesar de não exercer psicologia vai para alguns tempos largos, é essa a minha profissão, mereço-a pelas pestanas que queimei, pelo mestrado pré-Bolonha que ficou a meio porque a crise é uma m3rda e nos apanhou quando a necessidade de qualificação não foi mais forte do que a necessidade de sobrevivência (Maslow, que no Motivation and Personality nunca falou numa pirâmide, entenderia isto muitíssimo bem). Porque a Ordem deveria avaliar os curricula das faculdades que apresentam o curso, e não apenas os licenciados que delas saem, e porque o próprio bastonário foi meu professor deveria também ele saber que este deveria ser o ponto de partida, e não o de chegada.

Num mail de um grupo de investigação de relações interpessoais que ainda recebo (sim, sou uma masoquista) foi-nos enviada bibliografia. As respostas? Todas do tipo "Professor, estou desempregada, se puder ser útil em alguma coisa...".
E é assim que se voltam as costas ao que verdadeiramente nos realiza, e aceitamos que quando nos perguntam o que fazemos, respondemos ao lado. Eu? Eu sou técnica de higiene e segurança em formação, falta-me só defender o trabalho final. Mas numa vida passada, há uns anos, fui psicóloga. Exerci e dei aulas. E, caramba, até era boa no que fazia. Mas isso foi numa vida passada.

Nesta vida presente, deito-me às 2h40 porque estive a acabar um Plano de Segurança Interno. Porreiro, pá!

publicado por Vita C às 02:17
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