espaço de mau feitio, alguma reflexão, música e outras panóplias coloridas

17
Nov 10

 

 

Ontem fui tratar de um assunto pessoal ao meu antigo emprego. E descobri que de facto há coisas que mudam. E outras que não. Continuo a curtir imenso os meus ex-colegas, gente trabalhadora e de bem, boa onda e bem acessíveis, apesar de eu já não estar lá há mais de ano e meio. E continuo a achar execráveis aqueles ignóbeis que têm poder resolutivo. Tratar de uma questão, facilitar e agilizar a resolução de um problema que também tem a ver com eles dá-lhes muito trabalho. Continuam a olhar de cima. E resolver as coisas que é bom, não é para eles. Ok, irei à fonte dos problemas, e a minha querida loja deixou de me ter como cliente, pois foi como cliente que lá me dirigi. Tenho pena. Mas mais pena ainda tenho de ter perdido os meus dotes de assertividade e ter acabado a tarde a chorar no ombro da metade. E porquê, perguntava ele, e porquê, perguntava eu, e porquê, poderíamos todos perguntar em coro, e a resposta seria a mesma: não sei. Não é pela cena da loja, que a mim é-me cagativo e ir à loja mãe dar cabo da cabeça a alguém é fruta ao pequeno-almoço. Mas é por qualquer coisa.


E enquanto reflectia nesta lamechas em que me tornei, penso em como as pessoas se embrenham em merdices sem qualquer valor. Ai, são os sapatos tal e tal, as malas tal e tal, os pormenores tal e tal, as viagens tal e tal e os seus umbigos tal e qual. A felicidade reside em assistir a este desenrolar triste de acontecimentos do alto de 15 centímetros ou com uma Prada na mão, ou então substituir Prada por um iPhone ou equivalente, que a praga atinge homens tanto quanto mulheres. É o regresso da (à) futilidade, e não consigo discernir se é um escape ou se traduz efectivamente aquilo em que as pessoas se tornam. Claro, a blogosfera é apenas uma milionésima parte do que somos (como este blog), mas porra, tanta coisa grave e séria a passar-se e a excepção (da superficialidade, que nos faz bem a todos de vez em quando) torna-se a regra? E o povinho gosta, mesmo que a vida se desmorone em seu redor, é fã, admira, inveja, quer ser tal e qual como aquela malta, ter aquela vida exactamente, mesmo que para isso abdique da sua identidade e da sua realidade. Que não é aquela. Consumistas da treta que nem abrir os olhos sabem.

 

Ah, diz-se lá no fundo, que esta gente também se esmifra a trabalhar e tem um salário mísero. Daqui não se duvida de nada disso, excepto da miseridade, pois mísero são os salários dos que sonham com essas vidas que não existem assim exactamente como são contadas. Respeito minha gente. Enquanto as vossas D&G vos alimentarem, fico feliz. Eu fico honestamente feliz, que a mim nada me falta, excepto ter agora dois novos buracos nos meus gastos, gastíssimos, All Stars vermelhos, mas isso não me preocupa. Preocupa-me mais fazer com que o dinheiro não encolha para ter comida, cama e roupa lavada todos os dias até ao final do mês. E se calhar preocupa-me mais a forma dissimulada como as pessoas vos vão venerando e invejando, ao mesmo tempo que se torcem todas anonimamente porque o dinheiro não chega. Nem para meio salto de 10 centímetros, quanto mais para a comida na mesa.

 

Disclaimer: eu até podia, efectivamente, usar a TPM para justificar este texto, mas é desnecessário, a minha opinião não muda ao longo do mês.

publicado por Vita C às 16:41
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