espaço de mau feitio, alguma reflexão, música e outras panóplias coloridas

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Nov 10

 

1) Merecíamos ter ganho. Não ganhámos porque, como disse o Paulo Sérgio, numa análise perspicaz, não fomos inteligentes na segunda parte do jogo. Todavia, mostrámos ao FCP que nem sempre as deslocações a Alvalade são favas contadas. Soubemos, na primeira parte, resistir e lutar com a melhor equipa do campeonato e que será, merecidamente, o próximo campeão nacional.
Quanto às maçãs podres, é uma vergonha. Tanta gente com fome e os adeptos (não sei se serão dignos desse nome) a desperdiçar comida. Mas mais que isso, atirar maçãs demonstra uma incapacidade de compreensão. Ora João Moutinho, esse grande jogador, cansou-se de jogar bem e não ganhar nada. Compreensível. Para nós, meros adeptos, é impensável mudarmos de clube, é visceral. Mas não para um jogador de futebol, são umas prostitutas legalizadas, que isto de jogar pelo coração é demodé. E é apenas isso que o Moutinho é: um óptimo exemplo de como a escola do Sporting é incomparável no que toca à formação.
Ao André Villas Boas, um reparo: remeta-se ao seu lugar. Eu não vi caça ao homem nenhuma e, apesar de poder ser da extrema pixelização do stream, duvido que tenha existido. Afinal, João Moutinho é apenas um jogador. Só isso. Figo e Ronaldo foram jogar a Alvalade e sobreviveram. Moutinho não é nenhum dos dois. Mais, o próprio Carlos Martins vai a Alvalade e não precisa de protecção especial. Deixemo-nos de criancices, sim?

 

 

2) Entretanto, voltando às maçãs, já contribuiram para o Banco Alimentar? Com alimentos ou tempo, não custa assim tanto e pode de facto fazer a diferença. E não me refiro àquela satisfação de poder dormir bem à noite afagando o ego com a nossa generosidade. Só quem nunca esteve nos armazéns em Alcântara ou quem nunca passou noites nas rondas dos sem-abrigo é que não compreende a importância dos pequenos gestos. E não me refiro a uma noite, no armazém ou na rua, para fazer uma reportagem, era passarem anos a fios à quinta-feira à noite a fazer estas rondas, em locais onde passam todos os dias e olham, mas não vêem. Às vezes o Natal também calha às quintas-feiras, e, por isso, é escolher entre passar o Natal na rua ou achar que as boas acções são apenas para quando nos dá jeito.
Compreendo que nem todos possam fazer isso, e a nossa própria vida deve ser salvaguardada. Mas não compreendo que não se possa contribuir. E não é apenas o contribuir para dizer que sim. É dar aos outros o mesmo que compramos para nós. Por isso, se em vossa casa só se bebe leite Mimosa, porque haveriam de dar leite Pingo Doce, se em vossa casa existem salsichas Nobre, porque hão-de fornecer salsichas do Continente? Ah, diriam vocês, a cavalo dado não se olha o dente. Pois não, mas assim se vai construindo a diferença entre cidadãos de primeira e de segunda. Se é para dar, que se dê inteiro. Claro que qualquer gesto é melhor que nada, sim. Mas há uma diferença entre generosidade sincera e piedade do coitadinho.

publicado por Vita C às 13:30

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