espaço de mau feitio, alguma reflexão, música e outras panóplias coloridas

04
Fev 16

Ponho-me a pensar como alguma vez consegui escrever assim (num outro tempo, num outro lugar) *

 

Toque

 

Apoia a cabeça na mão. Sente a pele quente. Morna, dura. Doente. Os olhos parecem remetidos à insensatez de nada querer ver. A garganta há muito se desfez num nó cego surdo mas sobretudo mudo. Lateja com aspereza, ecoa na testa que também há muito implora repouso. Suspira. O mal-estar trouxe a irritação e o rugido de quem apenas se habituara a estar só.
 
Pensou. Doía pensar. A clarividência da desculpa. Veio lenta mas certa e firme. Parecia que os adeus insistiam na janela do seu corpo, mas havia agora uma pequenina luz. Fraca. Como ela. Palidamente, a luz inundou o corpo partindo de dentro. Não era calor febril, era luz. Não doía ... tremia de receio. Outra vez.
 
No filme que persistia nos olhos cansados, sempre a mesma cena. Encenada à exaustão, repetida no cantinho do desejo que não amadurece nem cai nem sacia a fome como o faz a fruta ao sol quente de verão. Até haver a luz, luzinha, luzeiro, reluzente e demasiado forte. Apenas forte, tão forte, que a quis agarrar até as mãos suarem e ainda assim continuar a segurá-la.

Só o medo vem ... trouxe nuvens. Só a mão persiste ... tem medo. Só o coração a trai ... a mão persiste. Largo o medo, largo o sorrigo, largura ampla que apenas no nome que ecoa tem incerteza. Certo o toque. Que fica. Queima. Assusta.
Pousa o queixo na mão. Fecha a febre, abre os olhos. Quer dormir ...
 
 

 

E aparece assim
Acendeu-se a luz
Estão vivos outra vez

 

* o último parágrafo (centrado) é parte de uma música de Ornatos Violeta..

publicado por Vita C às 13:49
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