espaço de mau feitio, alguma reflexão, música e outras panóplias coloridas

25
Abr 11

Então esconde-se em diversos disfarces que a ninguém enganam.
Recorda-se, de uma forma fragmentada e algo difusa, quando um dia a foram desenterrar às entranhas do país que ama, Portugal. Na altura, puseram-lhe alegres cravos vermelhos nas mãos, vestiram-na de branco e apresentaram-na ao mundo como a mais bela revolução do mundo. Hoje em dia, as vestes escureceram e talvez sejam cinzentas, mas poderiam ser apenas branco velho, sujo, desgastado. Os cravos secaram, embora ela os guarde no recanto mais sensato do coração, coração que lhe dói de cada dia que passa em que os homens passam de braços descaídos, a esquecer o Abril que a devolveu das entranhas desta terra, levantada do chão onde fora pisada, esquecida, torturada. Crê até que é essa indiferença que a mata lentamente e lhe chamusca as vestes. Que a inebria e a convence que não há solução para os passos que dão e os que não se dão, e a quase amaldiçoar o dia em que a trouxeram das cinzas de um povo para ser algo mais que pão.

Hoje, faz 37 anos. Chama-se liberdade, e tenta morar em cada um de nós, sobretudo aqueles que não viveram Abril.

publicado por Vita C às 20:18
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