espaço de mau feitio, alguma reflexão, música e outras panóplias coloridas

22
Mai 11

A Melga, uma coisa assim para o arraçado de labrador, um doce de bicha desajeitada e com um focinho de meter medo, é a cadela do meu pai. Escrevi "é" e não "foi", porque a Melga, essa portentosa e mimosa cadela castanha que convive com uma outra cadela e uma gata, tem um lugar muito especial na vida do meu pai.
Meiga como poucas, com um latido quase assustador, diversas vezes a vi ir galopante ao encontro do gato da casa, até que ao chegar-lhe o cheiro do conhecido felino, travava a quatro patas e se punha a lambê-lo. E a pousar a cabeçorra nas pernas do meu pai a pedir festas.
A Melga teve duas semanas de pré-aviso, em que ninguém descobria o que ela tinha. E ver o meu pai atarantado é algo que só imaginava possível precisamente por causa da cadela. Ele, que como eu (ou eu como ele), sempre gostou mais de animais do que de pessoas, a levar a cadela para exames e mais exames e mais exames. Não tenho dúvidas que é a grande companhia do meu pai, a mais dedicada e a menos exigente. A mais paciente e a melhor ouvinte.
A Melga morreu esta semana. E tenho a certeza que uma parte do meu pai partiu com ela.

publicado por Vita C às 00:06
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