espaço de mau feitio, alguma reflexão, música e outras panóplias coloridas

26
Out 11

 

 

Recomposta que estou da pata esticada, restauradas as reservas de bom humor, ontem tive de ir dar um workshop de urgência. De urgência porque era suposto ser o director técnico desta empresa a ir mas, por motivos de saúde, teve de ser a menina a ir. Bom, 4 horas para falar de um assunto que, apesar de ser parte do meu dia-a-dia há mais de dois anos, envolve conhecimentos para além dos meus. Depois de preparada a apresentação, num powerpoint simples e recheado basicamente de informação em tópicos e, sobretudo, muitas fotografias, lá saí do escritório em direcção ao local, com duas horas de antecedência, porque, lá está, a Lei de Murphy não falha.
Chego à rotunda e param-me numa operação stop. Uma operação stop! Nunca tinha parado numa operação desde que estava a tirar a carta (sim, mandaram-me parar numa operação stop quando estava a tirar a carta, ao que parece tinha ar de não ter idade para conduzir). Bom dia senhor guarda, bom dia menina, transporta alguma coisa na carrinha?, só os meus EPI, podemos ver?, concerteza. Saio da carrinha, e despejo o saco de EPI que trago sempre comigo. Estas são as minhas botas de biqueira de aço, este é o meu capacete, este é o meu colete, estas são as minhas máscaras descartáveis. Creio que o senhor devia estar à espera de outra coisa, porque me mandou ir embora sem sequer me pedir documentos.
No trajecto, guiada pelo googlemaps, chego ao destino num instante, sendo que falho a entrada para o sítio da apresentação por duas vezes consecutivas. Nova voltinha nova viagem e lá consigo chegar. Estaciono e vou comer qualquer coisa, uma tostinha de queijo sorria para mim no meu imaginário. Entro num café e a tosta que me apresentam era uma sandes aquecida com queijo. Peço para tostarem a sandes, e não aquecerem simplesmente, o que provoca no empregado um chilique de tal ordem que estava a ver que me expulsavam do café e tinha de ficar mais de uma hora no meio da rua porque o local da apresentação ainda estava fechado.
A colega que iria fazer também uma apresentação tinha dito que chegaria entre um quarto para uma, uma hora, o mais tardar. Vinte para as duas (às duas era a apresentação) e ainda nada. Chega o responsável do congresso, ao qual me dirijo com uma lata que fui buscar não sei onde, e vou preparar as coisas no auditório. Esperavam-se 100 pessoas (munida desta informação, comecei numa ladainha mental a tentar não me lembrar do número, mas lá está, tentem não pensar num urso branco... pois!). Passo a apresentação para o portátil do auditório e ... não dá. Pois, que usamos o open office e às vezes a compatibilidade não é a melhor, diz-me a senhora que estava a tratar dos preparativos. Não é a melhor?, bufo eu entredentes, com vontade de partir o portátil. A colega chega entretanto e traz o portátil dela, aleluia irmãos. Traz o portátil, sim, mas não o carregador. Vamos ao centro de computadores das instalações, reconvertemos as apresentações, e seja o que Deus quiser, bola prá frente, que o auditório está cheio.
Lá começo eu a desfiar a apresentação, a voz trémula de pavor (o que foi ridículo, porque já dei aulas a turmas mais numerosas, mas que querem, aterrei ali de para-quedas), as mãos que quase não me obedeciam, até que chego (finalmente, senhor, finalmente!) à parte das fotografias e aí, imbuída de uma confiança que por vezes resolve baixar em mim, começou tudo a correr bem. Perguntas no fim, às quais tentei responder da forma mais eficaz, correcta e simples possível, mas sempre a rezar a todos os anjinhos para não estar a dizer nenhuma barbaridade.

Finda a apresentação, voo para o hospital onde a metade está internada desde sexta-feira, a espumar a ver se consigo lá chegar ainda dentro da hora das visitas. Qual visita de médico, volto a voar para casa e, entre a chuva e o pára arranca do trânsito, reparo que me falta um médio. Faz-se luz no espírito, a carrinha tem de ir à inspecção no fim do próximo mês e antes disso tem de ir à revisão dos não sei quantos mil quilómetros. 

Chego a casa, como finalmente qualquer coisa decente, preparo o almoço para hoje. Durmo mal e porcamente, hoje saio de casa atrasada, acende-se a luz da reserva. Perco tempo no gasóleo, chego ao trabalho depois da hora. Sento-me, olho para o lado, a porra do almoço? Ficou em casa. O dinheiro que tinha disponível foi para pôr gasóleo.

Por isso, estou aqui a tentar abrandar o organismo e a tentar respirar fundo, porque ainda é só quarta-feira.

  

publicado por Vita C às 12:09
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