espaço de mau feitio, alguma reflexão, música e outras panóplias coloridas

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Mai 12




Deixei de fumar. Eu, que disse que nunca havia de admitir o facto, cedo a mão à palmatória. Deixei, deixei mesmo. Porque de cada vez que se me apoquenta a alma com pecaminosas manifestações de privação tabágica, lembro-me da D. Isabel. E da Fernanda, que palmilhou comigo o caminho da fisioterapia. E da Rita, a estagiária de fisio que teve a árdua tarefa de me manter concentrada. E da Catarina, a grande, bela e portentosa Catarina, que me pôs à prova e me contagiou com o gosto pelo exercício (moderado, moderadíssimo).
Lembro desta gente toda, dou uma inspiração profunda e compreendo, por fim, que o melhor é aceitar que sou uma ex-fumadora. Não por falta de vontade, admito, mas por vergonha de estar a deitar fora a minha saúde, tendo em conta o que passei e o que vi outros passarem.

Nos entretantos, confesso que ainda estou tipo lontrinha bebé, mas menos redonda. Peso exactamente o mesmo, mas já corro com um ritmo estável e minimamente parecido com corrida de endurance (a velocidade não é o meu forte). Consegui, até agora, não falhar um único treino de corrida/marcha, nunca esquecendo o aquecimento inicial e os alongamentos finais. Estou bastante mais fortalecida em termos respiratórios, uma vez que já não morro de cada vez que corro, aliás, o esforço tem diminuído a olhos vistos. Mas ainda me esforço, obviamente. É ver-me no fim da meia hora, ali em frente ao jardim, a alongar enquanto inspiro e expiro consciente de cada poro do organismo.
Corro três dias por semana e vou à hidroginástica noutros dois dias. Se tivermos em conta que, para meu grande espanto e admiração, existem pesos (halteres, pá!) na hidrocoisa, a dose de esforço mantém-se. Por um lado corro sozinha, por outro exercito-me na piscina com uma panóplia de respeitáveis senhoras e senhores que me dão uma monumental abada (por enquanto). Tem a grande vantagem de ser divertido e relaxante. Chego a casa e a vontade de dormir apodera-se do meu corpinho de forma implacável.

Sou, portanto, uma pessoa mais saudável. Mais consciente. Continuo sem orgulho por ter deixado de fumar, mas gosto cada vez mais de mim. E todos os dias agradeço a oportunidade que me foi dada para abrir a pestana a tempo.

* EWBtCiaST, Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town, Pearl Jam

publicado por Vita C às 16:34

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