espaço de mau feitio, alguma reflexão, música e outras panóplias coloridas

10
Jul 12

Já deu para perceber que gosto muito de animais. Durante anos disse que gostava mais de animais do que de pessoas, e nisso saio ao meu pai.
Por isso, esta história comove-me até ao mais profundo irracional de mim. Totalmente, de tal forma que escrevo com os olhos rasurados de água e, pasmem-se, estou no escritório, a esconder-me atrás do monitor para que ninguém perceba que estou, de facto, a chorar.

 

Lamentamos muito informar que a luta da Campera acabou. A Campera morreu hoje.

O que sabemos é que à Campera foram disponibilizados todos os cuidados médico-veterinários com a intenção de salvar-lhe a vida.


O que sabemos é que a Campera quase não tinha vida.
Naquele corpinho martirizado pela fome, pela sede, pela negligência, pela indiferença só havia vontade.

Mas nem toda a vontade, nem toda a medicação, nem todo o cuidado podem vencer tanto sofrimento acumulado ao longo de tanto tempo.

Nem toda a vontade, nem toda a medicação, nem todo o cuidado puderam resgatar à morte aquele corpinho martirizado também pela Leishmaniose não tratada e causadora de danos irreparáveis nos rins.

O que sabemos é que, provavelmente, nunca a Campera foi tão mimada, tão abraçada, tão beijada, tão amada, tão respeitada na sua qualidade de ser senciente, capaz de sentir dor e prazer, como durante os dias que passou na União Zoófila.

A luta da Campera acabou mas a nossa continua.

Nesta hora há uma força tremenda que nos arrasta para a inacção. Queremos ir para casa, correr as cortinas para que a luz não entre e deixar entrar apenas a dor de ter perdido a Campera.

Mas a nossa, e a vossa, luta tem de continuar porque da nossa capacidade de continuar a lutar dependem animais como a Feira, pontapeada com uma violência capaz de partir-lhe a bacia e o fémur, ou o Barry, que chegou à UZ tão morto de fome, sede e doença como a Campera.

A luta da Campera acabou mas a nossa continua e continua também por causa dela.

(A tua luta acabou, Campera, e como lutaste, brava guerreira! Em tua memória, a nossa continua, amiga.)

 

 

Sim, a imagem é chocante! Custa ver, não custa?
A mim choca-me sobretudo que haja seres humanos capazes de fazer isto sem pestanejar. Capazes de atormentar um animal que, por definição, procura carinho, mimo e dedicação.
Eu vejo, pela minha pequena Pitucha, que engordou, que salta, pula, ladra (o que não fazia há duas semanas, quando a resgatei da IC19), o quanto o carinho pode fazer.

O meu bem-haja à UZ, por ter tentado, por se esforçar que haja, cada vez menos, finais destes.

A vocês, suas bestas , filhos da puta que deixam os animais à sua sorte no Verão, e a vocês, cabrões atrasados mentais que levantam a mão, o pé, o ferro e o que vier, a estes cães, que se divertem a espancá-los, não vos consigo dizer o quanto vos odeio. Agora sim, a palavra odiar. Que nunca se me atravessem à frente. Que sejam tão amados quanto amaram estes animais. Que vos deixem a definhar...

 

É tempo de criminalizar estes actos desprezíves, de dizer a estes cretinos que não podem continuar a fazer isto. Pela Campera, sim, mas também por todas as Camperas.

publicado por Vita C às 15:56
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6 comentários:
Minha linda.... como te comprendo! Doi tanto ver estes seres magniíficos serem tratados pior do que lixo... sim, porque aqueles que são capazes de os maltratar são tudo menos seres, nem humanos nem o raio que os parta! Não és a única que chora com a história da Campera... eu já a conhecia pelo facebook, e sempre me comoveu muito! Tenho pena que não tenha resistido... mas consola-me saber que nestes últimos tempos ela soube o que é receber mimos, ser amada e ser bem tratada! Pelo menos durante uma pequena fracção da vida dela tenho a certeza que foi feliz!

São
(Eu também gosto mais de animais do que de pessoas!)
soumaiseu a 10 de Julho de 2012 às 18:56

Eu continuo apática com esta situação. Apática, por um lado, e revoltada por outro. Sim, a Campera teve a "sorte" de ter um final de vida com amor e carinho, mas quantos não haverá por aí sem essa "sorte".
Ainda estou muito emocional com isto... não consigo escrever sem que me venham as lágrimas aos olhos e assim não consigo reagir nem pensar onde posso fazer a diferença.
Vita C a 11 de Julho de 2012 às 09:40

A diferença é feita no dia a dia, tu já fizeste um pequeno grande passo ao acolher a tua Pitucha... não tiveste a coragem de seguir o teu caminho e deixá-la para trás, pelo contrário trouxeste-a para casa e deste-lhe um lar cheio de carinho! Infelizmente não podemos acolher todas as Pituchas que são abandonadas, nem todas as Camperas que são mal tratadas... podemos fazer apenas o que está ao nosso alcance... quando vejo um animal destes sinto vergonha de ser gente....

Eu sei, eu sei, não podemos salvar todos. A minha Pitucha mais uma semana na rua e provavelmente morria (se não fosse atropelada antes). Por isso sei que ela teve, de facto, muita sorte.
No entanto, o que me revolta profundamente é a incapacidade de algumas pessoas de se emocionarem com estes episódios, de se revoltarem, achando que animal não sofre ou que não faz mal nenhum.
Que mundo é este? Em que as Camperas morrem, selvaticamente magoadas e negligenciadas, e ninguém é punido? Como é possível?
Eu também segui pelo facebook esta (e outras histórias) e nem é vergonha que sinto, é nojo. Repara, sou cristã, acredito no amor aos homens acima de tudo, mas isto, para mim, é das poucas coisas que me tira do sério, que me revolve cá dentro e me faz perder a razão, não consigo conceber amar, mesmo abstractamente, uma pessoa assim. Posso rezar e pedir a Deus que estas pessoas se tornem mais humanas, mas não as consigo sequer tolerar.

Vita C a 11 de Julho de 2012 às 14:00

A mim já me faz confusão que haja gente que não goste de animais... quanto mais gente que os maltrata! Tenho na famiíia uma pessoa muito próxima que os detesta, acho até que seria capaz de os maltratar se a repulsa que lhe causam o deixasse aproximar-se deles! Chama "piolhoso" ao meu cão... enfim! A convivência é muito complicada... pelo Natal e Páscoa só há convites para estarmos juntos se o cão não for... e nós cá em casa recusamo-nos a ir sem ele! Podemos realmente pedir a Deus que ajude estas pessoas a tornarem-se mais humanos como tu dizes, mas eu gosto de acreditar que Deus reserva para eles uma castigo adequado à sua falta de sensibilidade... O meu Deus não é vingativo, mas é amigo e justo! No final todos tem o que merecem! :-)

Um dia de cada vez ... Cá em casa onde vamos, eles também vêm, festas da família incluídas. Ou vão todos, ou não vai nenhum!
Enfim, um dia de cada vez :)
Vita C a 12 de Julho de 2012 às 11:59

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