espaço de mau feitio, alguma reflexão, música e outras panóplias coloridas

27
Mar 13

A minha mãearrendou a casa em 1971. Na verdade, foi o então futuro marido, actual ex-marido, dois meses antes do casamento. Portanto, em bom português, o contrato de arrendamento está em nome de uma pessoa que não mora aqui há mais de 20 anos.

Em 1978, quando se separaram amigavelmente, o juíz decretou que a casa fosse morada de casa de família aquela onde a minha mãe ficaria a viver. A informação foi enviada para a senhoria. Mas a senhoria passou os imóveis à filha e, embora os recibos tenham passado a vir em nome da minha mãe, nunca houve alteração ao contrato de arrendamento.
Agora, com a actualização das rendas, a senhoria está a levantar todas estas questões, a ver se consegue pedir um preço exorbitante por um T1 onde cai estuque do tecto. Na altura da negociação, e porque a minha mãe recebe menos que 5 RMNA, e porque o valor que apresentámos na contra-proposta diferia em menos de 20% da proposta por ela apresentada (o que, automaticamente, implicaria que, se ela quisesse cessar o contrato, teria de nos pagar 7 anos e meio de renda e não apenas 5 anos, o que equivaleria a quase metade do valor que consta da caderneta predial), fizemos uma cartinha toda bonitinha e picuinhas, parecíamos ambas juristas. A única resposta foi o pedido da cópia do contrato. Que ela, obrigatoriamente, tem de ter em duplicado. Para quê, perguntámos nós? Para analisarmos a situação.
Resultado: a tarde passada no tribunal de menores e de família, primeiro no campus da justiça, depois no arquivo geral no palácio da justiça. Atendidas por senhoras verdadeiramente atenciosas, em tudo contraditorias com o estereótipo de funcionário público (basta dizer que larguei o carro quase no meio do parque para chegar ao arquivo antes da hora de fecho e a senhora me deixou ir estacionar e trancar o carro, ficando à espera para preencher o requerimento). E uma indicação, como em tudo, há para todos os gostos. Mas há muitos senhorios que agora se aproveitam para dar um chuto no traseiro de muitas viúvas (antigametne as senhoras não alugavam casa, ficava quase sempre o contrato no nome do homem). Vergonhoso.
Minha querida senhoria, um aviso: bem pode pôr um advogado no caso. Eu burra nunca fui, e gosto mais da minha mãe do que você de dinheiro. Embora seja difícil, eu sei, já que por um atraso de três dias me pede sempre 50% a mais da renda, mas enfim, o amor de filha é enorme...

publicado por Vita C às 19:27
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4 comentários:
Obrigada :) Será certamente uma Páscoa feliz, cheia de renovação, que segue um momento de reflexão profunda. Para vocês também :)

(sim, so tenho por cá um bolo de chocolate com cobertura de cacau e limão,mas mais nada!)
Vita C a 30 de Março de 2013 às 18:54

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