espaço de mau feitio, alguma reflexão, música e outras panóplias coloridas

14
Abr 09

Arrastar-me até ao pc para tentar fazer a declaração de IRS da minha mãe no penúltimo dia não teria nada de mais... se ela soubesse onde pôs a senha, ou se soubesse a resposta à pergunta de segurança. Agora é vê-la a empilhar os caixotes com tudo o que é papel dos últimos anos (caixotes? contentores seria mais apropriado!) e a abanar a cabeça "Mas tem de estar por aqui, tem de estar".

Pooooooooooooooooois.

publicado por Vita C às 20:23

13
Abr 09

Hoje encontrei uma colega minha da faculdade. Por acaso, é minha vizinha afastada, por isso até é estranho não a encontrar mais vezes.

Demos dois dedos de conversa, de ombros descaídos, sobre como a maioria da geração 1998-2003 não está a exercer (isto os sortudos que estão empregados, claro). Ela está há duas semanas a tentar tratar do subsídio de desemprego. Eu, como se sabe, estou a 4 dias de mudar de local de trabalho. Já fizemos de tudo, e acabamos por não fazer nada. No fim de uma hora e pouco de conversa, trocámos de contactos.

Mas eu sei que não nos iremos procurar. Porque uma coisa é desabafarmos desta merda que é queimar pestanas para nada. Outra é termos no telemóvel o contacto de uma pessoa cujo único elemento em comum é simplesmente o facto de, como nós, ter fracassado.

Partilhar ocasionalmente a falha consola-nos... recordá-la constantemente consome-nos.


Edit, depois de apanhar ar fresco: O que não excluí a hipótese de tentarmos qualquer coisa em conjunto. Até era uma ideia porreira. Ou então não. Nunca digas nunca...

publicado por Vita C às 21:34

12
Abr 09

Ter um namorado cozinheiro (com curso e tudo!) dá uma outra perspectiva quando nos dispomos a ver o Ratatouille na televisão... em oposição a mim, que detesto cozinhar...

publicado por Vita C às 21:31
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Celebra-se hoje a Páscoa. Para os fiéis cristãos, é o tempo mais importante de todos. Supera, de longe o Natal. Nascer, todos nascemos, quanto a ressuscitar, parece que o caso fia mais fininho (se bem que para ressuscitar seria preciso termos nascido, mas isto será tautológico e fora deste âmbito).

Crê a Igreja, una, santa, católica (e portanto universal) e apostólica (e portanto evangelizadora) que a Vigília Pascal é o expoente máximo da fé. Ocorre no sábado seguinte à sexta-feira Santa e anuncia, em primeiríssima mão, a ressurreição, constatada apenas na manhã seguinte pelas mulheres que se dirigem ao sepulcro. E que notícia, e que anúncio!! Para os fiéis, mais cegos ou mais pensantes, esta é, em verdade, a pedra central de toda a cristandade: Cristo vive, Cristo derrota a morte (diz-se até que foi por nós) e todos fazemos parte do Corpo de Cristo.

Muito bem. É a fé, e a fé pode debater-se, argumentar-se, pode julgar-se até, mas não se pode querer ter ou querer não ter: tem-se. Não é apenas racional, direi até que o essencial da fé é vivido e manifesto, não apenas teorizado. Ora bem, mas isto é muito, muito aborrecido. Então temos uma das maiores igrejas da cidade com pouquíssima gente às 22h, quando se inicia a Vigília! Mas porquê, penso eu, se hoje em dia até volta a estar na moda? Depois entendi, e passo a explicar a receita do paroco para o sucesso da missão cada vez mais notória da igreja: afastar as pessoas! Sei de um tal décimo sexto que iria aprovar:

Primeiro, inundem a assembleia com um incenso forte. Poderoso, daquele que se infiltra nos pulmões e que desencadeia uma onda de tosse atroz.

Segundo, ponham o coro a cantar tudo, tudo, em latim. Porque se ainda há quem saiba o que quer dizer kyrie eleison e ora pro nobis, o resto é chinês. Ou latim, neste caso.

Terceiro, dêem ao coro um microfone em 734ª mão, de modo a não se entender mesmo nada.

Quarto, as nove leituras devem ser lidas com um ar de frete. Os salmos gritados, vociferados e resmungados. O evangelho lido da forma mais desinteressante possível.

Quinto, não esquecer, de vez em quando, o próprio celebrante deve regressar ao latim.

Sexto, não avisar quantos são os catecúmenos nem quais os sacramentos que irão receber: assim podem surpreender a assembleia com uma quantidade considerável de padrinhos e flashes fotográficos.

Sétimo, as ladainhas também devem ser em latim, e sempre longas... nunca é demais.

Com isto entretêm o povo durante duas horas e ainda nem entraram na parte da eucaristia propriamente dita. Se tudo correr bem, já existem poucos sobreviventes...

Eu, vim embora. Ele vive, mas não ali, quase de certeza...

publicado por Vita C às 16:12

11
Abr 09

Manel Cruz. O denominador comum entre Ornatos Violeta, Pluto, Supernada e Foge Foge Bandido. Dono de um carisma (na tradução livre de dom) incontestável e de um carácter vincado, assumiu-se como um dos artistas lusos mais enigmáticos. Há uns tempos, teve a ideia de ir distribuir álbuns de carripana por este Portugal... não o chegou a fazer, mas creio que a legião de admiradores não deixaria a iniciativa ficar impune.

Escrevi que tão cedo não vos iria sobrecarregar das minhas pancadas por Ornatos Violeta, por isso, e como mea culpa pela ausência (as aberturas, as aberturas!), aqui ficam duas músicas de Supernada, a propósito do suposto lançamento do álbum. Como não existe obra ainda editada, queiram desculpar a má qualidade do som...

 

Esta À Tua Procura é uma das minhas músicas favoritas (segundo o last.fm, está em vigésimo oitavo, o que não é nada mau, tendo em conta que só há pouco tempo recuperei o CD onde tinha gravado as músicas). 

  

A Janela foi a primeira música que ouvi envolvendo o Manel fora do contexto violeta. Que acham?

publicado por Vita C às 20:31
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07
Abr 09

Ontem no autocarro entra uma personagem saída de um salão de cabeleireiro tipo Betty Feia. Cabelo com um tufo no alto, elástico daqueles de veludo, o cabelo de um louro Barbie, blusa às bolinhas. E uma bebé no colo. Senta-se à minha frente. De repente, farta já de aturar a petiza, vira-se para a rapariga do lado "Olha, segura aí", e escarrapacha a criança no colo da rapariga. E fica a olhar para o lado. A rapariga a tentar fazer a miúda sorrir, como todos fazemos (ou quase todos, que eu tenho cá para mim que tão depressa não me apanham em aventuras destas), a criança a olhar para a mãe, a mão, repito, a olhar para o lado.

É isto... Fiquei a pensar...

 

 

No caminho de casa, e porque hoje ia estar de abertura (e estive, e estive, senhores, com que vontade!) e porque demorou um pouco mais o pôr o namoro em dia (nunca se põe tanto como queríamos), resolvi apanhar um táxi. Só que, destrambelhada como sou, esqueci que tinha gasto o dinheiro que trazia comigo quase todo. Então digo para o rapaz do táxi, desempoeirado e de boné na tola quase à meia-noite: "olhe, era para a casa da Miss Me, mas assim o mais depressa possível" porque o dinheiro que tenho aqui vai ter que chegar. Acabo por lhe dizer que tenho não pressa, mas sim apenas nove euros comigo. Resultado da sinceridade e simpatia da minzinha: one free taxi ride. Não só não me cobrou a corrida, como me deu o contacto para futuras emergências taxímicas.

E foi isto, versão dois.

 

Há gente estranha. Eventualmente, não sei se prefiro a normalidade de alguns, mas há pessoas que nos aquecem o coração sem perceberem o gesto.

publicado por Vita C às 20:04

06
Abr 09

Ele falou. Eu espero.

publicado por Vita C às 14:52

05
Abr 09

Voltei às pastilhas elásticas. Em força ao velho vício. Orbit White ou Trident White, ou daquelas com dois sabores. Tudo menos de morango. Um ano e muitos meses depois. Resta agora a dúvida: onde pô-las quando perdem o sabor e se parecem mais com cimento do que com pastilhas? É que já me desabituei de as despegar dos cinzeiros da casa...

publicado por Vita C às 22:48
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Nove aberturas até ao grand finale! Ontem fiz o meu último fecho. Sentada na cancela preta e amarela que serve de apoio aos fumadores e aos que fazem pausa, vi o meu último pôr-do-sol enquanto contava os minutos para picar a entrada pós-jantar. De fones nos ouvidos e a saborear o momento. A incerteza a apertar no peito, mas a convicção da mudança a falar mais alto. Até dia 17 estarei sempre à abertura (obrigadinha chefe, hã?) e a dar formação à moçoila que me vai substituir, que só irei conhecer na 3a, depois das minhas merecidas folgas.

Até lá, é o cair do pano. O fechar as luzes. O pegar nas chaves e entregá-las ao segurança, depois de contadas e assinada a folha. O esperar as 23h30 certas para picar a saída. O entrar na noite e saber que foi a última ali. Sem saudosismos, disseram-me. Sem saudosismos. Com a certeza de que é para melhor.

 

E agora aproveitar para dormir o mais possível e pôr o namoro em dia. Nove aberturas. Pá! NOVE?

publicado por Vita C às 20:00
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03
Abr 09

Estou no meio da rua e tenho ideias para escrever... ponho-me em frente ao PC e pareço uma lerdazinha sem ideias!

publicado por Vita C às 12:31

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