Domingo. Dia de dormir até tarde. Ou então não, quando se tem projectos mais importantes para pôr em dia. Como hoje.
Despertador acertado, levantar cedo, cedinho, para ir ao café com a minha homónima preferida. Como se tivessemos estado juntas ontem, como se o tempo nem importasse. E os risos, senhores, os risos e as histórias que recordamos. Ao fim e ao cabo, conhecemo-nos de pequenas, ainda pitas aos pulos e a chamar rapazes engraçados por nomes de código, às voltas no recreio da escola. E depois a aventura no bairro que se tornou a minha segunda casa, e hoje mostrou-me, mais uma vez, como um simples bairro a fazer de casa emprestada, se tornou um lar, onde me sinto em paz de cada vez que lá regresso.
E a chuva, vista do metro do campo grande, a brindar-me com o cheiro das castanhas, enquanto eu olhava para as gotas a cair pela parede. Tudo o que é inestético pode ser belo, dependendo do prisma a que nos dispomos a adoptar.
E a tarde, a tarde com ele, como se as palavras alguma vez nos pudessem descrever. Ouvir o riso é valioso, mas não é nada, comparado com esta tarde no Chiado, entre a Bertrand e os mojitos, entre os candeeiros e as conversas à porta das lojas.
Há pessoas, sim, e há dias. E que estes dias fiquem bem guardados cá dentro, para os trazer a mim quando houver nuvens.