espaço de mau feitio, alguma reflexão, música e outras panóplias coloridas

27
Fev 10

A fidelidade dá-me tesão


Vai haver um dia, quando já nada restar, que a fidelidade será ensinada nos bancos da escola. Os professores exibirão nos seus quadros electrónicos gravuras antigas, que demonstram cabalmente que ela terá existido em tempos idos. E todas as crianças exclamarão com espanto como se tivessem a ver uma cidade perdida, entretanto submersa. A fidelidade está a perder-se como estas cidades: sabemos que existe, mas dificilmente a veremos.

A fidelidade passou de moda. Vai-se aos desfiles de Paris e Nova Iorque e ninguém a veste . A fidelidade tem uma cor ultrapassada e gasta, de meias grosssas, agora só encontrada em calendários baços de anos antigos. A fidelidade é passado, O futuro é dos polígamos e dos polígrafos. Dos polígamos, porque são eles que representam o pulsar exacto destes dias. Dos polígrafos, porque serão agora mais usados para percebermos como mente o presente. Por isso, detesto tanto o presente, de tal forma que o nego. Por mim, gostaria de viver sempre no passado ou no futuro, mas nunca hoje, sempre amanhã ou ontem. E isso até poderia ser possível, não tivessem os fundamentalistas do presente inquinado todos os que lhe são adversos, como são disso exemplo, os saudosistas e os futuristas. Reparem, que não existem presentistas, do mesmo modo que não existe presentismo. E porquê? Porque o presente não existe. Não tenham dúvidas, todos somos já passado ou futuro de algo. O presente, foi algo que inventaram quando alguém foi buscar água.

E é este presente inventado, este presente que não existe, que deixou de ter fidelidade a tudo: à praia, ao corte de cabelo que deveria ser sempre assim, às bolas de Berlim que só comeríamos no senhor Vítor, ao segredo que nos haviam dito para guardamos, à pessoa que juramos amor para sempre, ao clube, ao nosso irmão de sangue, a quem nos telefonou quando mais precisávamos, a este jornal, a estas linhas, ao homem, à mulher que todos os dias se deita connosco. Que lixe este presente, eu só quero futuro e passado, onde a fidelidade me dá tesão.

 

 

Capitão Alvim num dos seus melhores momentos.
(é o que dá ainda não se conseguir sair de casa)

publicado por Vita C às 13:35
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E que não há qualquer hipótese de sair de casa, recordo esta fantástica troca de impressões.

 

Ela, a minha cunhada: Deviam ter sempre comida e água em casa, isto anda de tal maneira que nunca se sabe.

Eu, a pensar que ela é uma alarmista: Sim, temos sempre água, e sumos, e bolachas e conservas, não te preocupes, se vier aí uma catástrofe não morremos de sede ... podemos morrer esmagadas, mas à fome não.

Ela: Ah, mas há uma coisa que também deviam comprar, têm de pensar em tudo.

Eu, apanhada de surpresa: Então, o quê? (mas tu queres ver que anos de retiros e convívio com os seguidores do Baden Powell me deixaram mal preparada?)

Ela: Sacos de lixo. Perfumados. Nunca se sabe.

Eu: ... (foda-se)

 

publicado por Vita C às 11:36
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