espaço de mau feitio, alguma reflexão, música e outras panóplias coloridas

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Ago 10

 

 

 

Somos todos iguais. Uns mais que outros, é certo, mas lá no âmago somos todos iguais. É isso que a lei consagra, é isso que a ética impõe e que a razão discerne. Ainda assim, parece que criticamos displicente e gratuitamente. É porque abraçamos um clube, uma ideia, uma fé, uma crença, uma cor, um nome, uma escolha, um autor, uma banda, uma moda, seja o que for.

 

Ao longo do tempo, pela experiência e pela formação, adoptei a máxima da Matinal, se eu não gostar de mim, quem gostará?

E isto abrange a minha cabeleira ruiva, a minha baixa estatura e as minhas orelhas pontiagudas, mas sobretudo refere-se às minhas ideias, crenças e opiniões.

 

Sim, sou sportinguista, orgulhosamente lagarta. Mesmo quando o meu clube perde, e sabem que não são tão poucas as vezes como isso.

E sou de esquerda, canhota como há poucas hoje em dia. Foi algo que se infiltrou em mim desde catraia, e desde então bem tento criticar e exorcizar esta pena, mas ai de mim, continuo de esquerda, criticando Franciscos e Jerónimos, mas ainda assim, do lado do coração.

E sou católica, praticante e não apenas dentro das quatro paredes de uma igreja. Mesmo tendo discutido com padres e bispos e quem se metesse à frente, pelo ridículo que era a minha mãe divorciada não poder comungar, pela aparente antítese que era dar catequese durante anos sendo filha de pais não casados e pela luta que tem sido explicar como uma instituição milenária não é tão contra o sexo antes do casamento (porque é bom e só faz é bem desde que [se] faça sentido).

 

E tudo isto é o que sou, mas não é tudo o que sou. Tenho pena e lamento quem consegue, ou julga conseguir, tirar as medidas a alguém apenas por inserir estes dados num rótulo. É como se possuissem uma máquina de etiquetas, uma árvore de ramificações e escolhas, como se se pudesse tipificar as pessoas apenas baseando o conhecimento na fé, no clube e na ideologia política. Como se, mesmo dentro destes rótulos, as pessoas não pudessem ter ideias próprias, divergentes, reflectidas.

 

O que eu tenho a dizer a essas pessoas, sábias e infalíveis, é que tenho pena de vós, almas pobres neste mundo. Perderam a capacidade de serem surpreendidas, porque já sabem tudo. Para vocês, o mundo perdeu a cor, a textura, os diversos matizes e o sal. Será que essa vossa certeza do saber compensa isto?

publicado por Vita C às 19:59

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