espaço de mau feitio, alguma reflexão, música e outras panóplias coloridas

13
Jan 11

Sempre fui uma miúda que faz muitas coisas. O que, na altura em que era, de facto, miúda, me permitiu conhecer muitas pessoas. Algumas permaneceram no anonimato saudável, outras ganharam uma certa patina de fama em meios muito específicos. Tenho um amigo que escreveu um livro de poesia, outro que é autor de ficção semi-consagrado, e bom, tenho uma (outrora) amiga (que agora é mais conhecida) que agora é deputada do PSD.
Bom, eu conheci-a antes ainda dela voltar para a região que agora representa na AR, pelo que me é difícil (e simultaneamente curiosamente engraçado) imaginá-la no hemiciclo a disparar contra o governo, contra o BE, contra o PC, contra o CDS, enfim, como um deputado profissional, a disparar contra quem tem uma ideia diferente. Sejamos francos: é para isso que lhe pagam e, estou convicta da competência da minha amiga.  
Porque esta minha amiga, que me fazia levantar cedo aos sábados para apanhar uma hora da carreira 114 até à Reboleira, esta amiga que preparava sessões de catequese acompanhando o raciocínio com uma imperial, ou duas, ou três, e sempre bons conselhos e um sorriso que não engana ninguém, é a mesma amiga que agora debate propostas que lá hão-de fazer sentido ao seu PSD do coração. Nada contra.

Encontrei-a no Facebook. Eeeeh, que giro, pensei eu, que já a tinha visto em vídeos e afins, olha olha ela, e tungas, carregar no "adicionar". E a partir daí tem sido uma torrente de e-mails sobre as acções da campanha da exma deputada, para a direita, para a esquerda, para cima e para baixo e, sobretudo, para o meu e-mail. Mas que raio? 

Ora ocorre que ainda ontem fui pagar a minha quota do meu partido (que fashion, tenho um partido, que efectivamente o não é, sendo antes uma amálgama de movimentos, mas enfim, este post não é sobre as minhas convicções canhotas, como já terão percebido). E não foi a exma senhora deputada que eu adicionei, foi a minha antiga amiga, colega, a das imperiais, dos eventuais mojitos, como me parece óbvio.

 

Então escrevi-lhe, a pensar (yeah, right, para quê?):

 

Boa tarde
 
Venho escrever-vos porque gostaria de reclamar um direito que me assiste.
O facto de ter adicionado a exma senhora deputada Cujo Nome Não Constará no Meu Blog no facebook não implicou, de forma nenhuma, que autorizasse ou estivesse sequer interessada em receber esta espécie de newsletter.
 
Senão vejamos: eu conheci a exma senhora deputada num contexto não político, antes ainda da exma senhora deputada ser precisamente, a exma senhora deputada. Compreendo, obviamente, que o e-mail é uma forma fácil e abrangente de transmitir opiniões e afins, mas o que é certo também é que lá por ter adicionado a Amiga, Trato-A Pelo Nome Próprio (agora prefiro chamá-la assim) não implica que me identifique minimamente com o grupo parlamentar a que ela pertence. Pasmem-se, ora então, mas é um direito meu. Uma convicção. Uma opção política, daquelas que segundo a nossa mui estimada Constituição, V. Exas não poderão utilizar para discriminar a minha pessoa.
 
Por isso, por favor, mostrem este e-mail à Amiga, Trato-A Pelo Nome Próprio. Porque, honestamente, considero este um abuso da vossa capacidade de comunicação. Nunca disse que queria newsletter do PSD. A sério. Eu sou mais canhota. Nada a fazer...

 

Respondeu-me a assistente, retiraram-me da base de dados (onde eu nem sabia que estava incluída e muito menos dei o expresso consentimento para tal). Fui então ao facebook, enviar-lhe uma mensagem, podia ser que fosse ela a ler as mensagens do cara-de-livro. E eis senão quando (adoro esta expressão) constatei que ao removerem-me da tal mailing lista, me retiraram dos amigos.
Já fiz novo pedido. Mas mandei um mail à assistente da exma senhora deputada, a explicar que sabia o que ela tinha feito no minuto anterior.

Irra, mete nojo. As pessoas não entendem que insidiosamente não é a forma de lidarem com os outros. Muito menos comigo. Como o senhor taxista que ontem mudou a tarifa 1.5 km antes do sítio correcto e ainda refilou quando lho disse, já à porta de casa, pronta a pagar. Refilou, refilou, e foi só quando lhe perguntei se queria resolver o assunto na esquadra de Miraflores que se calou. Irra pá, que a chico-espertice irrita. Tanto!

 

 

ADENDA: Tudo resolvido. Pois claro. Já tenho A Minha Amiga Deputada como amiga no facebook. Quer-me cá parecer que não estamos habituados a estas pequenas refilices, que não o são, apenas correspondem ao normal exercício dos nossos direitos. Pois que nos querem impor deveres de estado e solidariedade, eis que respondo que sim, claro, mas não esqueçamos os direitos que ganhamos quando cumprimos esses mesmos deveres.

publicado por Vita C às 15:23
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12
Jan 11

Tu, Que Vives, desta vez graças ao Vou Sair. Gosto tanto destes concursos à borlix. Se calhar já não é moderno dizer "à borlix", mas enfim, gosto tanto de ir ao cinema sem pagar. Vá, concorram também, que geralmente não é só para a capital! Quem avisa...

 

 

publicado por Vita C às 13:48
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Então recordei-me da minha adolescência, onde quanto mais ocupada estava, mais livre me sentia. Mais afimativa e assertiva. Menos certa, mais tolerante.

Adivinham-se novos rumos.

publicado por Vita C às 09:34
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11
Jan 11

Sair do trabalho com os bofes de fora e uma irritação a roçar a indignação.
Sair do trabalho e ter um sorriso à espera, surpresa, surpresa, surpresa, beijo, abraço, aconchego.
Ir para o café comer 4 bolas de gelado. Dizer parvoeiras. E coisas sérias. E o silêncio...
Terapêutico.

 

publicado por Vita C às 20:31

10
Jan 11

 

 

Eu tenho tudo.
Tenho uma família que, não sendo a típica, me recorda constantemente que a tipicidade não é necessariamente uma virtude. Tenho uma mãe ímpar cujo grande defeito é o excesso de zelo e preocupação (e tantas vezes que eu só quero que me deixem para aí quietinha). Tenho um pai que aprendi a gostar, ou pelo menos a achar piada e por aqui se começa a gostar, até porque a idade lhe confere uma ternura que poderá suprir muita coisa que não passámos. Tenho um irmão que me adora, ainda que o expresse de uma forma trôpega.
Tenho um namorado que é tudo, que é a metade mais imperfeita que conheço e também por isso me é tanto. É com ele que os dias ganham sons e cores e aromas, é com ele que o riso se torna fácil e a criança que reside em mim se lembra que existe e volta a dominar este corpo de metro e meio. Só com ele as coisas ganham sentido e falar de mim é também falar de nós. Amar assim não é para todos e tenho um "a dois" que faria inveja a muita gente. Só o escrever sobre ele me traz um sorriso. Porque ele é, de facto, brilhante em tantos sentidos que roçam as esferas da intelectualidade à empatia e daqueles que não são traduzíveis em palavras.

Tenho um emprego que muita gente gostaria de ter. Não pelas tarefas em si, mas pelo ambiente (a maioria das vezes), pela chefia (ok, um deles, mas é o que trabalha comigo directamente) e pela noção de que não sou mais uma das licenciadas a ser chulada por este país fora.
Tenho amigos, poucos, mas bons, muito bons.

Então, mas que pôrra, alguém me explica porque é que pareço uma Maria Madalena hoje? 

publicado por Vita C às 13:43
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1) Live on Ten Legs

 

Os suspeitos do costume agora andam Live on Ten Legs. Agora, no sentido literal. Na Radar FMIsto sai dia 17 deste mês. Eu quero, mas muito e tanto. 20 aninhos não é todos os dias. Oh, lame me...

 

2) Da "escolha"

 

Andei num colégio até ao 8º ano. Da pré à 4ª classe até tinha farda, e depois mudaram-me para um colégio na Lapa, um daqueles todos pipis. Ah, que é caro, pois era. E não havia apoios. Por isso é que me intriga a gente que agora anda com uma velinha na mão a falar do direito de poder escolher os colégios e que o Estado deve apoiar os privados.

Mas andamos todos a dormir? Todos criticamos a chulice que se faz ao Estado e queremos pagar (ou chular) na mesma moeda?
O Estado deve (do verbo dever, de ter uma obrigação, de lhe ser exigível) garantir a qualidade no ensino público, não apenas das infra-estruturas que lhe estão afectas, mas também em todo o contexto escolar. Podemos exigir ao Estado bons professores, boas refeições aos alunos, boas condições nas aulas, material pedagógico actualizado, entre outras coisas.
Mas se optamos por um estabelecimento de ensino privado, o que podemos exigir ao Estado, pelo menos de consciência tranquila, senão que se cumpra a lei dentro desse estabelecimento? Exijamos, sim, mas a esse privado a quem pagamos. Porque, precisamente, pagamos para isso. Mas atenção, porque escolhemos pagar.

Se eu tiver um seguro de saúde, posso ir a um desses hospitais também pipis, em que a única diferença é a decoração e a farda das senhoras que lá estão a atender. É isso que se paga. E se não gostarmos, reclamamos ao Estado, é? E se não tivermos seguro de saúde e quisermos lá ir, pedimos ao Estado, é?
Claro, podemos pedir ao Estado que nos dê dinheiro para pagarmos um colégio para os nossos filhos. Mas, se o fizéssemos, e se esse apoio pecuniário fosse significativo, como poderíamos então reclamar do Estado das condições do ensino público? Direito a escolher? Tanto como eu tenho direito a escolher receber 2.500,00 euros, e isso não acontece, mas a culpa não é do Estado.


Acredito que o Estado tem um papel determinante na Saúde e no Ensino, público e preferencialmente gratuito, e aí sim, deveríamos ser exigentes. Mas com pés e cabeça, reclamar só porque reclamar é o que toda a gente quer fazer agora tem tanto impacto como cuspir para o ar no meio de uma borrasca. Que é basicamente nenhum.

publicado por Vita C às 11:58

07
Jan 11

Gosto mesmo muito desta música. Ouvi-a no outro dia no House (onde também já se ouviu Jeff Buckley e Solomon Burke, entre outros) e fiquei, como sempre, embasbacada com a qualidade na escolha da música para os momentos finais. Agora estou a ouvi-la na Radar FM (97.8 FM).

Band of Horses, The Funeral, é absolutamente brilhante, sempre foi e será, e quero ir vê-los de hoje a um mês na Aula Magna.

 

 

 

 

Um obrigada ao NG, que não me lê e por isso posso escrever, que foi ele que partilhou comigo esta banda, já há uns aninhos.
Nós, psi-coisos, somos assim, umas membranas vulneráveis, que também aprendemos com os nossos clientes/ pacientes. E tenho saudades disso, tantas saudades disso.

publicado por Vita C às 14:05
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06
Jan 11

publicado por Vita C às 14:01
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publicado por Vita C às 13:44
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03
Jan 11

 

Já tinha falado dele, o meu Kobayashi de eleição, como podem reler aqui.
E hoje, o teatro e o cinema ficaram mais tristes e mais vazios. Porque destes já não se fazem... Até sempre.

publicado por Vita C às 15:12

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