espaço de mau feitio, alguma reflexão, música e outras panóplias coloridas

14
Set 11

Tudo começou como começam os amores da adolescência. Aliás, contar esta história é também, e tanto, reviver os momentos marcantes da minha curta vida, mas que afinal parece tão grande.
Estávamos em 1995, no Julho dos meus 14 anos. Mostraram-me uma cassette de uns gajos que faziam barulho mas que soavam bem. Na cassette estava a música que ia testemunhar a minha adolescência. Descobri que a mesma música estava numa complicação chamada Heartbreakers que o lamechas do meu irmão tinha. Fui comprar o CD da banda. O primeiro CD que comprei na loja do CCB (era a Valentim de Carvalho?). No ano seguinte eles vieram a Portugal. Não fui a Cascais, por uma infinitude de razões, mas o Tó, o mesmo responsável por me mostrar a cassette, foi, e andou anos sem lavar o casaco onde raspou, por mero acaso, a mão, o braço, ou o cotovelo, do senhor Edward Louis Severson, o terceiro. Na altura já a rádio da escola era torturada pelos meus pedidos. Os meus amigos ofertavam-me CDs e coisinhas dos meninos de Seattle. Não era uma paixoneta ingénua, por ali escoava a minha raiva de adolescente, ali se restituía a minha força, nessas e nestas músicas se traduziam tantos estados de espírito que por elas passava grande parte da compreensão do meu mundo, estava (quase) tudo lá. 
A partir de 2000 tudo mudou. Veio o Restelo. Há uma grande diferença entre ouvir e interiorizar e ouvir partilhando. Eu ouvia, mas não via, e a partir desse 23 de Maio, data que celebro interiormente todos os anos, percebi que não era apenas a música. Era o todo. Era o amor pelo estado de espírito que mais nenhuma outra banda me deu até ao momento (Ornatos Violeta poderia ser a excepção, mas a estética de Ornatos arrebata-me, enquanto estes senhores avassalam, esmagam, insidiosamente, qualquer coisa em mim), pela multidão que se dava à banda que se lhes entregava. Vieram outros concertos, sim, e todos confirmaram esta sensação, esta partilha.
Momentos bons, lá estavam eles, momentos maus, lá estavam eles. Há um poder de transformação nalgumas músicas que ainda hoje me surpreende.  
Juntei-me à jammily, mas lá está, sou um bicho do mato. Ainda assim, conheci um gigante a quem estimo e guardo um carinho ainda maior que ele (aqueles abraços no Alive valem pela distância). Mostrou-me o Imagine in Cornice. E a bandeira portuguesa, senhores, a bandeira portuguesa ali, no meio da Europa.
A metade sabia que há uma parte de mim indissociável desta banda. Há muito mais de mim, mas essa parte tem uma importância que não é racional, sente-se, abraça-se, surpreende-se, mas não se explica. E se "ele é mais Iron Maiden", soube apreciar esta parte, acarinhá-la, respeitá-la e deixá-la ser. Não faz parte dela. Há coisas que a multidão anónima para mim entende bem melhor do que a minha metade. E não faz mal. 
Mudei muito nestes anos. Eles também. São uns imperfeitos. Ainda bem. No matter how cold the winter, there's a springtime ahead.  

Dia 20 quero ir ver o PJ20. Sei o que me espera. Se for, sairei de lá com os olhos a trairem os meus 30 anos e a ideia que já não tenho idade para estas coisas da lamechice. Foram tão longe, os putos! Sai-me esta frase com um orgulho estúpido, que só a eles o devem.

 

 

publicado por Vita C às 09:22
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