espaço de mau feitio, alguma reflexão, música e outras panóplias coloridas

10
Mai 12

Tenho lido por aí o impacto (forte, fortíssimo) dos textos do Miguel Esteves Cardoso, que apenas surpreendem quem nunca o leu. Que comovem as pedras da calçada e deixam indiferentes apenas aqueles cujo coração foi destruído por qualquer maldição alienígena.

Estas semanas têm sido de uma grande convulsão, física e psicológica, que tento encarar com a serenidade que me é possível. E sei, sinto, com a mesma certeza com que respiro sem dar por isso, que nada seria o que é senão fosse a força que a minha metade me transmite. Essa força imponente que emana das coisas simples, sempre as coisas simples. Toda a ternura e todo o carinho, toda a paixão e todo o querer, cabem na palma da mão do meu amor, que se funde na minha mão e me ajuda a encontrar o caminho. Que caminha comigo, ora a meu lado, ora puxando por mim, ora sendo guiado por mim. Não há amor maior para mim. Não há vontade maior, não há desejo maior do que o que se espelha nas grandes e nas pequenas coisas, nos amplos e nos contidos gestos.

 

Há uns tempos, e a propósito do "The Descendants", perguntavam-me se preferia que o meu amor morresse ou que me traísse. Que morresse nunca. Que desaparecesse nunca. Que partisse nunca. Mesmo que o amor findasse, que o sorriso se não esvaísse para o vácuo.

 

Por isso a minha empatia e a minha ternura segue toda para o MEC, mas também para todos os que passam por esta situação.

publicado por Vita C às 11:06
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06
Mai 12



* William Makepeace Thackeray [em tradução livre: Mãe é a palavra Deus nos lábios e nos corações de todas as crianças]

publicado por Vita C às 21:36
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04
Mai 12

 

Não fumo vai quase para três meses. Três longos meses que, ainda assim, manda a ciência e a cautela, não me considero ex-fumadora. Não que me apeteça recair no vício, mas precisamente porque é um vício e merece ser tratado como tal.
Claro que há momentos do dia em que a tentação espreita insidiosa e permanece ali, quietinha, à espera de oportunidade. Claro que nesses momentos entendo que é preciamente por essa tentação que nunca digo que deixei de fumar. É mais um "agora não fumo, amanhã logo se vê". É quase como o amor, agora amo-te, amanhã também espero amar-te, mas isto do amor não se controla. E não fumar é apenas um acto de amor para comigo. Um gesto de respeito para comigo. E mesmo sabendo disso, é difícil (embora não tão difícil como pareceria de fora).
Há inconvenientes nesta opção por uma vida respirável, é bom que se diga. Continuo um barril autêntico, embora esteja a praticar caminhadas de meia hora quase todos os dias. Engordei o suficiente para passar por grávida e, por mais que haja situações em que tal pode ser divertido, asseguro-vos que para a auto-estima tanto peso é, vá lá, chato! Outro inconveniente é não saber o que se fazer quando os fumadores se reunem e vão "lá para fora", esse conceito estranhíssimo para quem não fuma, mas tão sedutor para quem fuma (excepto quando chove, claro está).
Em suma, é uma tarefa árdua, a de não fumar. Bebo muita água e é um óptimo truque quando me vêm à cabeça ideias de querer fumar, e digo-vos que ando a beber duas garrafas de litro e meio por dia. É muito xixi!
Estou crente que a perseverança compensará. Mas o que eu realmente queria era daqui a uns tempos nem pensar nisto, e ser apenas alguém que já fumou e deixou de o fazer, sem grande estilo, sem grandes ondas, simplesmente parou. Porque deixar de fumar não merece ser assim tão recompensado. É tão valoroso como estarmos a queimar a mão no lume e fazermos o gesto reflexo de retirar a mão.

publicado por Vita C às 08:51
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01
Mai 12

Pelos que têm trabalho, pelos que o procuram e não o têm, pelos que dependem de outros para satisfazer necessidades e direitos básicos, e pelos que trabalharam anos a fios para agora serem privados dos seus direitos, eu fui ao 1º de Maio.
Porque já trabalhei num hipermercado, porque entendo que as pessoas têm de trabalhar, porque sei que é difícil dizer não, eu fui ao 1º de Maio.
Porque tenho trabalho, mesmo não sendo na área, porque ontem entrei às 06h15 e saí as 19h30, porque quero estudar mais e não tenho possibilidades, porque é de nós que depende e porque a vontade do povo é, e tem de ser, soberana, eu fui ao 1º de Maio.
Fui sozinha, mas levei-nos a todos no coração.

 

* Pearl Jam, Bu$hleaguer

publicado por Vita C às 18:55
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