espaço de mau feitio, alguma reflexão, música e outras panóplias coloridas

22
Jan 13

Estive a ler os guias práticos da Segurança Social sobre as contribuições de trabalhadores independentes.

Estando sem trabalho por conta de outrém, sei que tenho de descontar, mesmo dando cerca de 8 (oito, OITO, o-i-t-o) consultas por mês.

Ao valor bruto destas oito (OITO, o-i-t-o) sessões por mês tenho ainda de retirar a percentagem para as clínicas e o aluguer do consultório.

Feitas as coisas, vai pela metade, cerca de quatro consultas. Um banquete financeiro portanto, até porque faço questão de fazer preços atenciosos a estudantes e desempregados. E então, o primeiro escalão refere-se a 1x o IAS (quatrocentos euros e tal), e a percentagem belíssima de vinte e nove vírgula qualquer coisa por cento e aqui a mula arrota com 124 euros por mês, mais coisa menos coisa. É basicamente o que põe ao bolso num mês bom.

E depois admiram-se que as pessoas sejam desonestas.

Tenho quatro palavrinhas para vocês, senhores do Estado.

Puta que vos pariu.

publicado por Vita C às 23:35

Há uns tempos fui a uma entrevista de emprego. Pediram-me para lá estar no dia seguinte para a segunda fase, onde fariam outra selecção e explicariam as condições.

Vamos aos factos: eu não sou particularmente esquisita, tenho de trabalhar, e o que me indicaram no mail era para "atendimento ao cliente". Sim, estou já na fase de responder para call e contact-centre.

Então, à hora marcada (na verdade, dez minutos antes), lá estava eu. À espera. E esperei durante mais meia hora. E outra meia hora. Acalmei o bicho da falta de consideração e continuei à espera.

Então, chamaram-me, apresentaram-me a um miúdo e disseram-me para o seguir que no fim do dia falávamos. Aí eu levantei o sobrolho, mas "ok, tudo bem". O rapaz seguiu para a rua, conjuntamente com outra equipa. Andamos um bocado às voltas, ele ia-me perguntando algumas coisas, eu expliquei-lhe rapidamente o meu percurso profissional, perguntou-me se tinha filhos (sobrolho em alerta outra vez) e assuntos triviais. Então encaminhamo-nos para a estação de comboio.

Parêntesis: eu raramente ando de comboio. Tenho medo. Sim, é ridículo mas é verdade. Embarcar num comboio para mim é um autêntico sacrifício, e faço-o apenas quando necessário em absoluto.

E então, frente à estação, pergunto onde vamos. "Vamos ali à Tapada das Mercês, que é a área de actuação hoje". Hmmm, penso eu.

 

Ninguém me avisou que o trabalho seria venda porta-a-porta. Nada contra. A minha mãe andou a vender porta-a-porta para sustentar duas crianças. Mas ela sabia ao que ia. Eu respondi a um anúncio para "atendimento ao cliente". E o que queriam era que desse um dia de trabalho à casa e só então me elucidavam sobre as condições. Nesse dia as despesas estariam por minha conta, bilhetes de comboio incluídos.

Dei meia volta, disse que para palhaço já havia o Batatinha, e vim embora.

Todo o trabalho honesto é digno. Mas também os empregadores têm que ser dignos e esclarecer as pessoas sobre ao que vão.

publicado por Vita C às 13:02

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