espaço de mau feitio, alguma reflexão, música e outras panóplias coloridas

27
Out 15

Querida EDP, 

 

A nossa história, embora curta, foi cheia de aventuras. 

Primeiro, liguei-te ainda antes de me mudar, ainda em Agosto, e disseste-me que só me poderias dar toda a tua atenção quando o contrato de arrendamento surtisse efeito. Ainda assim, esperançosamente, deixei-te todos os dados que irias precisar para que, em Setembro, nos tornássemos felizes para sempre, eu e tu, tu e eu, electricidade e gás. 

Assim, em Setembro, dia 1 pela brisa fresca da matina, liguei-te, olá como estás, queria dizer-te que sim, que avançassem as festas! Gostei tanto quando me disseste que sim, que em duas semanas estaria tudo pronto para nós. A electricidade demoraria uns dias, o gás duas semanas, com inspecção e tudo. Achei estranho, mas estava cega e iludida, e disse que sim! Combinamos um primeiro encontro cara a cara para reduzir a potência contratada e, como sempre, fiquei descansada quando me comunicaste que irias numa sexta-feira em que estaríamos esperando por ti. 

Depois, quando o gás do contrato anterior não foi cancelado, comecei a ficar preocupada. Liguei-te. Que estava tudo a ser encaminhado, e que não me preocupasse, tudo estava encaminhado. Encaminhado para quem?, perguntei-te, mas não quiseste responder. Que o contrato anterior seria cancelado em breve. Tratei de falar com o titular do anterior contrato de gás. Apresentei-te um primeiro sinal de que as coisas poderiam ir melhores. 

Volvidos uns quantos dias, enviaste-me uma SMS a reagendar a visita. E eu, em pulgas, que visita poderia ser senão a inspecção para início de contrato do gás natural. E quando te liguei, fervorosamente entusiasmada, disseste-me que afinal não, não era para agendar a visita mas sim para reduzir a potência. Mas, pensei eu, tu não tinhas cá vindo antes para isso? E não pedi eu a um amigo para ficar cá para te abrir a porta, e afinal foi tudo em vão?

E foi aqui que comecei a pensar que afinal a imagem de felicidade eterna e duradoura poderia ser ilusória. Perguntei-te, a medo, hesitante, pelo gás. Ah, que nem sequer me poderias dar uma previsão, que nem sequer me deverias ter dado a ideia inicial das duas semanas. Ai é?, pensava eu, sentindo-me traída, enganada, afinal tinha sido tudo mentira? Pedi-te que resolvesses depressa a tua cabeça, que me dissesses a sério o que querias para o nosso futuro. Anotaste cuidadosamente a minha reclamação, a segunda, e garantiste-me que irias cuidar de mim. Embora isso nem me tranquilizasse muito, preferi acreditar. 

E depois enviaste-me a primeira factura. Apenas de electricidade. Relativa a uma casa que ainda nem sequer estava habitada. Ousadamente, tentaste apresentar um valor espectacular por estimativa. Teria eventualmente corrido bem se, lá está,a casa estivesse habitada. Só que ... não! Liguei-te na hora, quero terminar tudo contigo, estou furiosa! Mas por quem me tomas? Por alguma avariada que não se aperceberia que estava a ser esmifrada, prostituída até! Pediste muitas desculpas, que devolverias, que prometerias e acontecerias. Uma última tentativa, avisei eu. A última das últimas, porque fechar portas seria complicado para mim, que tinha projectado um conto de fadas para a nossa vida. 

Ontem percebi. Nunca quiseste nada comigo. A carta que me escreveste, formal e composta, dizia que tinha de ser eu a tratar do gás, que o contrato anterior ainda estava em vigor e que, embora me tivesses prometido que em duas semanas estaria tudo resolvido, nem sequer te incomodaste em contactar o anterior fornecedor. Olha, faz tu e depois diz-me para eu receber o fruto do teu trabalho, foi o que me deste a entender. Nada poderias fazer por mim. Nada querias fazer por mim!

Assim fiz, cega de raiva. Liguei para a Galp, na beira das lágrimas mais amargas.

Adeus EDP, olá Galp!

 

Nunca mais tua, 

 

Vita C

publicado por Vita C às 10:13
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