espaço de mau feitio, alguma reflexão, música e outras panóplias coloridas

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Mar 09

Há uns tempos andámos todos em pé de guerra porque o Cardeal Patriarca da capital se insurgiu, de forma "estranha", contra os casamentos entre cristãos e muçulmanos. Nota: entre as mulheres cristãs e os homens muçulmanos, tendo em conta o papel mais retraído que é atribuído pela sociedade e aceite pelas mulheres no Islão. Tenho cá para mim que foi um caso de má expressão e péssima interpretação, mas foi célere e extenso o escorrimento de tinta sobre a polémica. Ah, o desrespeito, ah, a mágoa, ah e mais ah!!! Não concordando com esta separação de águas radical e estereotipada, abstive-me de comentários.

Não me abstenho agora, com o caso da menina brasileira excomungada. É r-i-d-í-c-u-l-o, com todas as letras e ênfases que se conseguirem encontrar. É brutal e atroz, é pura e simplesmente deitar achas para a fogueira em que a Igreja Católica se tem vindo a auto-imolar...

Não obstante, eis que me deparo com isto, e vejo que não é um mal da Igreja Catolica: é um mal dos homens que pensam poder (e, preocupantemente, nalguns casos podem mesmo) pôr e dispor da vida, do corpo e da fé das pessoas como se fossem sua pertença. Deus é Amor, ou não é? Deus não é intolerância, não é estereótipo, não é excomunhão, não é chicotada. Se isto para mim é fácil de compreender, ainda que o seja enquanto mistério, como não o é para os iluminados que reclamam estar mais junto d'Ele?

 

(Reclamam, mas não estão. Oficialmente, um Papa está tão próximo de Deus como um qualquer bispo ou padre ou diácono ou leigo ... ah pois é! E se Deus é um, que para uns se chama Deus, para outros Alá, para outros Sol, ou qualquer outro nome, a mensagem central não será sempre a mesma?)

 

publicado por Vita C às 12:45

6 comentários:
O cardeal tem toda a razão, os Portugueses atiraram-se a ele por não atingirem o que ele queria dizer. Se esse discurso tivesse sido feito em Franca, Alemanha ou Noruega, teria sido aplaudido.

Foi um dos, se não o melhor aviso lançado pela igreja nas ultimas décadas.

Com 5 milhões de muçulmanos na Alemanha, eu só preciso abrir um jornal nacional e ler sobre um o que um homem árabe fez à sua esposa europeia... Não, não estou a exagerar.

Em 2008 197 mulheres foram mortas pelos seus filhos, maridos ou irmãos e 87% dos casos, o criminoso era muçulmano. Todos os casos se prendem com a mulher reclamar liberdade de pensamento, opinião, escolha, por motivos de escolha de roupas, ou por ameaça de divórcio.
Bruno Fehr a 10 de Março de 2009 às 14:12

O cardeal não tem TODA a razão. Tem razão, e como escreveste no teu blog, a excepção está sempre implícita. O português, na sua mentalidade esquizóide de apregoar a liberdade a todo o custo, é que é rápido a extrapolar significados onde não existem.
Acredito que não estejas a exagerar. Mas também sei que a intolerância para com a religião e a intolerância por parte da religião são facas de gume duplo, a fé ou a sua ausência não deveriam condicionar qualquer expressão pessoal. Chicotear uma mulher de 75 anos não me parece uma boa forma de agradar a Deus. Criticar o aborto de uma miúda de 9 anos também não. Ser indiferente também não.
A Igreja Católica tem a sua quota parte de culpa, mas é composta não apenas por membros do sacerdócio, mas também de todos os que dela comungam, como "corpo mítico de Cristo". Nesse sentido, a Igreja é feita por quem quiser fazer parte dela, e mudá-la a partir de dentro. E é possível...
Vita C a 10 de Março de 2009 às 14:47

Os comentários do cardeal foram interpretados como intolerância religiosa, mas o que lhe dá razão é que não foi essa a mensagem. A mensagem foi de intolerância cultural. O problema dos muçulmanos é que tendencialmente se juntam em comunidades onde cultivam a sua cultura primitiva em relação à mulher. São comuns na Alemanha as violações, agressões físicas, homicídios por parte de muçulmanos em relação às suas mulheres europeias ou árabes. No caso das árabes, isso acontece assim que percebem que elas gozam dos mesmos direitos. A intolerância cultural neste aspecto é não só aceitável como de louvar. Tem de haver tolerância zero. Existem agora campanhas activas contra a mutilação genital feminina que já se sabe ser uma realidade na Europa, dentro da cultura imigrante muçulmana.

Neste caso, não me refiro à excomunhão, só aos comentários do cardeal, que só poderão ser entendidos na sua plenitude, por quem conhece a comunidade muçulmana. Portugal ainda não tem uma grande comunidade muçulmana, por isso ainda não há conhecimento de causa e crucificam o cardeal, pelas suas acertadas palavras.

Eu não concordo com os pontos de vista da Igreja, nem de qualquer religião, mas sei analisar o que de acertado é dito.

Concordo Bruno. Não obstante o facto de a utopia apenas nos mover e não poder um fim em si mesma, concordo contigo.
Aqui levantas um problema bicudo: da igualdade de direitos gozada pelos muçulmanos. É um problema bicudo: a lentidão da justiça impede a punição do desrespeito dos direitos dos outros...
E para ficar esclarecido: eu entendi perfeitamente as palavras do cardeal, apenas lamentei a velocidade da crítica impensada...
Vita C a 11 de Março de 2009 às 20:24

Quanto às afirmações do Cardeal Patriarca eu compreendi-as muito bem na altura e defendo o que ele quis dizer. ele ALERTOU para os perigos que EXISTEM num casamento de uma mulher com um muçulmano. Não há aí nenhum racismo xenofobismo ou qualquer outro tipo de discriminação, há tantos católicos com mau caracter como muçulmanos. Aquestão é que acontecem muitas vezes casamentos em que a noiva é levada a conhecer a família ou o país do noivo muçulmano e nunca mais pode voltar. Quantos livros não existem a retratar esse tema, histórias reais? Não tenho noção da realidade portuguesa mas por exemplo em França, pelo menos há uns anos atrás isso era uma realidade muito presente mesmo.
Bom a questão da menina brasileira tem que dizer-se que o facto de ela ser excomungada é uma coisa que acontece automáticamente ao praticar o aborto sendo uma situação reversível em casos especiais como este, mas esse facto a imprensa não explorou. No entanto não deixa de ser reprovavel e as declarações do Bispo são.... não sei que adjectivo usar. Não dá para acreditar que esse senhor acredite e assuma com a maior das naturalidades que o acto de uma criança de nove anos interromper uma gravidez de gémeos para a qual não tinha estrutura fisica ou psicologica, seja mais grave do que o acto de violar uma criança inocente que nunca puderá excluir este facto da sua vida. É de uma falta de tolerância e solidariedade impessionante.
sonhadoraincuravel a 11 de Março de 2009 às 00:09

Todo o acto de excomunhão é reversivel. É ditado por homens, é retirado por homens. Infelizmente, nem muita gente sabe disso, e sobretudo, existe muita estupidez na excomunhão gratuita. É o caso dos divorciados, das mulheres que abortam, etc. etc. Como disse, a igreja é constituída por homens e mulheres também. Mudá-la até é mais fácil do que parece, se a compreendermos como algo muito maior do que o Vaticano, esse centro de "poder" muitas vezes pouco inspirado.
Vita C a 11 de Março de 2009 às 20:28

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