Este não é o meu sítio habitual de escritas lamechas. Após ter esclarecido este ponto, escreverei um post emocional.

Tenho uma dor na alma.
Há quem teorize que o ser humano tende a sofrer quando se abstrai do dia-a-dia e se põe a pensar. Angústias existenciais, sabemos que nunca temos a vida perfeita que desejaríamos ter.
Ora ocorre que eu penso. Muito e demais. E projecto e traço planos, abraço o futuro e meço os passos até lá. E acontece também que ando muitíssimo cansada. Não me queixo frequentemente, embarco na rotina e sigo na corrente, mas esta é uma fase complicada na minha vida. Complicada porque é uma complexidade difusa.
Preciso de tempo. De redefinir regras e prioridades na minha vida. De espaço e de limites face aos outros. Quero tempo para mim, para os sorrisos que cada vez mais me faltam. Para o abraço que me deveria confortar todas as noites. E no meio disto tudo, gostaria ainda de não ter um excesso de peso chamado culpa que não mereço e teimam em empurrar para cima de mim.
Em suma, estou cansada e tenho uma dor na alma. Infelizmente, eu sou só uma. E sei exactamente o que quero ser. Só não estou muito bem a ver como é que isso vai ser.
Então estou naquilo a que seria uma fase. Não gosto do termo, parece-me tão condescendente e fatalista. Mas que precisava de uma lufada de ar fresco, precisava.
[E é por isto que o casamento entre homossexuais, o frio e outras coisas da actualidade estão, para mim e neste momento, num plano muito, muito, secundário, eventualmente em undécimo lugar]