espaço de mau feitio, alguma reflexão, música e outras panóplias coloridas

19
Out 15

Para quem ainda não percebeu: Nós não elegemos um governo, elegemos uma maioria parlamentar. Ora, se os três partidos em maioria se juntarem e formarem uma coligação para governar que dê garantias de estabilidade, têm tanta legitimidade democrática como a PaF. A PaF teve 38,5% dos votos, os outros 3 tiveram mais de 50% dos votos. 50% não é mais legitimidade democrática do que 38%?
Quanto ao argumento de que haverá eleitores que votaram PS e que podem não se sentir representados por um governo PS-BE-CDU, esse argumento vale para agora e valia para 2002 e 2011. Também houve eleitores de centro do PSD que nunca se sentiram representados por um governo que integra o CDS (ou será que todos os votantes do PSD em 2011 queriam eliminar a descriminalização da IVG e sujeitar as mulheres à tortura psicológica que a nova lei vem trazer?), e por isso a PaF perdeu tantos votos agora em 2015.
É da vida, e da democracia.
Quando não há maiorias absolutas, há coligações. A coligação com maior legitimidade democrática e que dê maiores garantias de estabilidade, é a que deve ser escolhida. Senão, tem que haver novas eleições.

 

poder1.jpg

 

No facebook de Ines Ferreira Leite, ilustrado pelo quase sempre certeiro cartoon de Henrique Monteiro.

 

publicado por Vita C às 10:29
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05
Out 15
 

Bem, por onde começar?
Eu estive como secretária e escrutinadora numa das mesas de voto em Miraflores, aquelas que apareceram nas têvês, tal e qual. Entrei no pavilhão às 07h da manhã e passava das 22h30 quando cheguei a casa. Não almocei, fui uma vez à casa de banho e, de resto, estive ininterruptamente a prestar apoio aos eleitores, quer a descarregar votos, a registar reclamações e auxiliar como pude.
A organização não foi má. A organização foi inexistente. Não se admite, a não ser por mero exercício de amadorismo, a falta de informação disponível (aos eleitores e aos membros de mesa) e de logística.
Não se (deve) brinca(r) com o direito e dever de voto. A reorganização das freguesias teve como consequência uma suposta reestruturação de listas e cadernos, aglutinação de mesas, selecção (aparentemente aleatória) de eleitores de uma lista para serem designados numa outra lista e, surpresa das surpresas, nada disto foi comunicado com a antecedência necessária e exigível.
Houve eleitores que, claramente, não se deram ao trabalho de verificar que estavam na mesa errada? Sim, houve. E com esses pudemos nós lidar bem. Pessoas que estão horas nas filas para votar e a quem depois é dito que está na fila errada (porque de facto, só conseguimos registar o voto das pessoas cujo nome consta nos cadernos) são um caso diferente. Pessoas que estiveram horas na fila para votar em branco ou mesmo depositarem um voto nulo claramente queriam expressar a sua opinião. E é isso que conta. Infelizmente, dada a falta de condições, muitas pessoas optaram por não votar. E isso denigre a democracia.
Espero que a lição tenha sido aprendida.
A minha mesa registou em acta o desagrado dos membros da mesa com a situação. Recebemos quase uma dezena de reclamações (ao invés do que a comunicação social relatou, existem sempre formulários de protesto nas mesas). Foram poucas, na minha opinião.
Alguns dos eleitores compreenderam que os elementos da mesa pouco poderiam fazer e, felizmente, apenas a minoria saiu fora dos limites da boa educação. Ainda assim, lamentavelmente, a mesa enfrentou uma situação em que houve a necessidade de alertar a PSP. Reforço, compreendo e entendo a frustração, mas há formas adequadas de apresentar reclamação e até mais produtivas de descarregar a frustração.
Faço um bom balanço da experiência que foi, embora repita, espero que a lição tenha sido aprendida por quem de direito.


Quanto ao resultado em si, disseque-se o que se quiser, são 11 contra 11 e no fim ganha a Alemanha.

publicado por Vita C às 21:09
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30
Set 15

Muitas pessoas queixam-se de que os partidos acabam por ser todos iguais. Que dizem sempre a mesma coisa. Pois bem, já nem essa desculpa se aplica. 

Esta app, Eu Voto, acaba por fazer um verdadeiro serviço público ao apresentar as diversas propostas dos partidos por área de intervenção. Ate nos permite, caso estejamos indecisos, perceber com que propostas (e de que partido) nos identificamos mais.  

Vá, toca a votar. Na direita, na esquerda, em branco, onde bem quiserem, mas votem. Esse é o vosso direito, mas também o vosso dever. Depois nem se atrevam a queixar-se.

Se estiverem na A3 de Algés digam um olá, que lá estarei como membro da mesa de voto a cumprir outra parte importante do meu dever cívico.

 

 

publicado por Vita C às 10:09
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21
Ago 15

Iremos todos votar no dia 4 de Outubro, dia muito importante (até porque o meu mano faz anos).

Curiosamente, é também dia do Animal*. Haverá melhor dia para eleicoes?

 

 

* sem qualquer menosprezo para os animais

 

publicado por Vita C às 10:36
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14
Ago 15

Ora pois que eu concordo que as mulheres que decidem abortar o possam fazer de acordo com a sua consciencia. A sua, do parceiro, se ele de facto tiver algo a opinar, e de mais ninguém. A mulher que decide submeter-se a uma IVG nao o fará de animo leve, ou pelo menos assim espero. Nao critico, nao condeno, embora nao concorde. Pois que eu tambem tenho direito a opiniao. 

O que eu também concordo é que esta mulher, assistida no SNS, pague o valor de uma consulta de especialidade. Nao consigo perceber porque nao o fará, venham de lá esses insultos. Eu vou a uma urgencia, pago. Eu vou a uma consulta, pago. Eu sou doente crónica e pago e nao me queixo. Porque nao haveria a mulher que vai abordar de estar isenta? 

Nao me venham dizer que as gravidas estao isentas e para abortar a mulher tem de estar grávida. Se nao quer estar grávida (e eventualmente até terá tomado medidas para isso que, obviamente, sao faliveis) nao tem de ter os privilégios de estar grávida. Ora mas que parvoíce bacoca. 

Há recursos que estao a ser mobilizados e que estao a ser pagos por todos nós, independentemente da nossa opcao politica ou vontade sobre a IVG. A mulher recorre a um servico, paga por este servico, como qualquer um de nós, nem mais, nem menos. 

Diferente ainda é a obrigatoriedade de acompanhamento psicológico. Ora eu sou psicóloga e isto faz-me espécie e urticária. Nao é o psicólogo ou qualquer técnico de saude que irá fazer a mulher ruminar na sua escolha. Nao terá sido fácil (espero) decidir pela IVG. Espero, porque acredito que a IVG nao é e nao pode ser usada como um metodo contraceptivo. Portanto, a dose de dúvida e de sofrimento que levam a mulher a ir em frente com a sua decisao já me parecem suficientes (e até demais). Comparar o psicólogo ou qualquer outro técnico a um penalizador, um moralista, parece-me redutor e contraproducente. O especialista deve lá estar, claro, caso a mulher precise e escolha enveredar pelo apoio. Agora obrigatório? Estamos na escolinha, é isso? O psicólogo é o bicho papao, o senhor polícia? Haja vergonha!

publicado por Vita C às 09:44
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06
Jul 15

Custa-me a crer nas falácias fáceis e hipócritas.

Como se o referendo na Grécia fosse um impor de termos aos restantes países da zona euro, assim um zé povinho dixit "Ah e tal, nós queremos ajuda mas nos termos que nos interessar definir". 

Esta é uma mentira pegada e quem espalha esta farsa nem sequer o pode fazer de boa fé. A Grécia precisa e necessita urgentemente de solidariedade europeia, é certo. Ainda assim, tem o direito de rejeitar, recusar e banir termos que nem se ficam por ser indignos, na verdade, trata-se de terrorismo social.

Por outro lado (e é este o lado que os falaciosos da Europa se esquecem de apresentar), agora a Grécia tem de apresentar propostas concretas, exequíveis e convincentes de forma a conseguir manter-se na zona euro (se assim desejar) ou arcar com as consequencias de se afastar dessa mesma zona. E, como em tudo o que envolve política, o dinheiro éque manda.

O referendo grego nao foi uma irresponsabilidade, uma birra ou uma criancice. Foi, verdadeiramente, uma aula de democracia e coragem política. Os gregos rejeitaram um caminho e agora terao de criar um percurso alternativo. Deixemo-nos de falácias e palas políticas. Portugal teria algo a aprender com este exemplo. 

 

(porque será que os referendos helvéticos conseguem reunir imenso consenso e sao vistos como ponto de honra da democracia e os helénicos nao?)

publicado por Vita C às 09:23
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08
Jun 15

.. é para ninguem falar sobre o facto de o Joao Rendeiro ter sido absolvido, certo?

Assim como assim, nós somos o povo a quem o PM e o ministro das Financas se dirigem imediatamente antes de jogos da bola, por isso nada me espantaria ...

publicado por Vita C às 12:21
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08
Mai 15

Sou uma leitora ávida. Curiosamente, tomei conhecimento de Noam Chomsky na faculdade por uma cadeira de Psicolinguística qualquer coisa cognitiva. Só depois contactei com toda a ideia filosófica e sociológica que subjaz a este pensamento. 

Noam Chomsky estará hoje na  FCSH. Aproveitem! Eu, lá está, estarei a trabalhar. 

Mais info? Favor ver aqui.

 

 

publicado por Vita C às 11:36

08
Nov 14

O senhor Pires de Lima vai ao parlamento como ministro da Economia ou agora deram-lhe um sketch de stand-up comedy?

 

* Ou tragedy, a ver como vai este país...

publicado por Vita C às 21:52
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27
Set 14

Confesso, estive que tempos esperando a oportunidade de dar a PPC o mesmo tratamento com este brindou o povo português.

Não me admira e verdadeiramente nem quero saber se PPC recebeu ou não dinheiro. Certamente que sim, embora não acredito que tenha sido o único, isto os políticos são quase todos produzidos em molde, farinha do mesmo saco. Irrita-me que, havendo a suspeita, o argumento legal prevaleça sobre o argumento moral.

Um governante conduz a nação, não se esquiva na legalidade. Vamos a ver, era legal abandonar animais até há bem pouco tempo e isso não deixava de ser um comportamento moralmente condenável. E PPC esquiva-se na legalidade, "não fiz nada de ilegal". Recordo que Miguel Relvas também não fez nada de ilegal, embora a moral subjacente tenha sido certamente duvidosa.

PPC tem muito a aprender com a mulher de César, não basta ser sério, tem também de o aparentar. PPC neste momento parece refugiar-se numa birra infantil, "eu mando mais que tu", com silogismos lógicos abstractos que repudiam a realidade.

PPC, pare lá de fazer birras, deixe de ser piegas e seja homenzinho. Assuma a argolada. A política não é a advocacia. Não temos de provar que é culpado. PPC tem de mostrar que é inocente. Tudo o resto são áreas cinzentas que deitam a reputação política de PPC a perder (ainda mais),

publicado por Vita C às 16:15
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