espaço de mau feitio, alguma reflexão, música e outras panóplias coloridas

05
Ago 13

Fui dispensada do call centre a 10 de Julho. Que as coisas não corriam bem, que tinham menos campanhas, que era imperativo reduzirem custos. Como tinha dez dias de férias por gozar, estava previsto trabalhar até dia 17 desse mês e depois entrar de férias. Houve colegas que não voltaram a pôr lá os pés, e eu confesso que a vontade não era muita, mas o dinheiro fazia falta e lá me arrastei. Os dias, como é de calcular, correram pior que mal. Fui a diversas entrevistas, mas nada de concreto.

Entretanto, desenvolvi uma estratégia, passei a entrar meia hora mais cedo todos os dias para não ter de ir no último dia sem sofrer qualquer penalização.

Assim, na terça feira véspera do meu último dia estava a ser, para mim, o dia mais longo de todos. Quando vinha da pausa a supervisora chamou-me. Ah e tal, já marcaste alguma coisa para as férias? Está-se mesmo a ver que franzi o sobrolho, de facto não tinha (dinheiro para ter) marcado alguma coisa para as férias. Pois é que, sabes, falámos com os sócios e afinal vamos manter algumas das pessoas e queríamos que continuasses cá e se pudesse ser compravamos-te as férias e passavas a trabalhar através de outra empresa de trabalho temporário (aqui deixei de ouvir porque, honestamente, foda-se, mas despedem as pessoas sem falar com os sócios?).

Resumindo e concluindo, lá continuo, sem ter tido férias (tirei o dia 26, por motivos óbvios), e fartinha desta pôrra até à raíz dos cabelos. Sucede que ter um contrato de trabalho me permite não ter de descontar para a Segurança Social por parte das consultas. E isso, neste momento, é o que me importa (embora ainda não tenha novo contrato de trabalho, facto que me anda a irritar).

Se um dia vos ligar, sejam simpaticos, sim?

publicado por Vita C às 19:21

10
Jul 13

Estava no call center no modo administração (portanto, sem possibilidade de fazer ou receber chamadas) a navegar em sites de emprego, enviar CV, etc.. Um colega pasmado:

- Então, mas tu estás em administração?

- Yup.

- E não tens medo que te apanhem?

- Medo? O que é que podem fazer? Despedir-me? Isso já fizeram... a seguir, só se me despentearem!

 

(fomos despedidos oito em dois dias... quanto a mim, já tive uma entrevista esta manhã, e o meu último dia lá será na próxima semana)

publicado por Vita C às 20:42

09
Jul 13

publicado por Vita C às 15:47

14
Abr 13

Estava lá no call center, com uma motivação enorme (primeiro dia de regresso depois de ter sido acometida por uma febre dos diabos, raisparta esta porcaria), e sou informada que há uma reunião às 14h. Tudo bem, o meu horário é das 10h às 14h, não custa nada ficar mais um pedacito de tempo. Mais a mais levo sempre duas peças de fruta para lá, dá para entreter o estômago. Mas chegaram as 14h e a reunião foi adiada para as 14h30. Hmmm, está bem. Fui para o exterior comer uma maçã. Às 14h30 ainda não tinha chegado a senhora da reunião*. Existe aqui um pormenor relativo ao facto de eu ter uma consulta agendada para as 16h30. Bom, quando perguntei sobre o atraso, "ah pois, está atrasada, não sabemos quando chega", já me estava a pôr os cabelos em pé. Mas a gota de água foi quando o director do call center chega ao pé de nós e diz para irmos trabalhar, ao menos para aproveitarmos o tempo.

- Porquê, a empresa paga?

- Não, mas ...

- Então prefiro mesmo ficar a conversar.
Senhores, eu ganho menos de 3,40 euros à hora. Pedirem-me para trabalhar de graça não só é ofensivo como roça o atentado à dignidade. Consigo, assim de chapa, encontrar mil e trinta e duas coisas melhores para fazer fora do meu horário.
Claro que esta tirada me valeu uns olhares reprovadores por parte de alguns colegas. Que estão desesperados por manter este emprego. Não é o meu caso. Não faço questão de ser uma call-center-maníaca. Muito pelo contrário.

 

* Não, não há imprevistos nestes casos. Eu trabalhei, enquanto TSHST, para uma obra da empresa que destacou a senhora da reunião, conheço a política da coisa, "o pessoal pode sempre esperar um bocadinho que a gente acabe de almoçar", ou qualquer outra versão que sugira que o tempo dos outros é menos importante..

publicado por Vita C às 21:50

24
Jan 13

Como expliquei, tenho fobia de andar de comboio.

Mas tenho um  workshop no Porto no próximo fim de semana, pago quase desde o início, reserva de um quarto feita via Booking e, mais importante que isso, um grande amigo à espera para rever e uma jantarada. Sim, hoje fui comprar o bilhete de comboio. Nem sabia que havia um protocolo entre a CP e a Ordem dos Psicólogos. (Que sirva ) ao menos (para) isso.

 

Amanhã tenho duas entrevistas de emprego. Duas, que é para ser valente. A ver vamos.

publicado por Vita C às 19:20

22
Jan 13

Há uns tempos fui a uma entrevista de emprego. Pediram-me para lá estar no dia seguinte para a segunda fase, onde fariam outra selecção e explicariam as condições.

Vamos aos factos: eu não sou particularmente esquisita, tenho de trabalhar, e o que me indicaram no mail era para "atendimento ao cliente". Sim, estou já na fase de responder para call e contact-centre.

Então, à hora marcada (na verdade, dez minutos antes), lá estava eu. À espera. E esperei durante mais meia hora. E outra meia hora. Acalmei o bicho da falta de consideração e continuei à espera.

Então, chamaram-me, apresentaram-me a um miúdo e disseram-me para o seguir que no fim do dia falávamos. Aí eu levantei o sobrolho, mas "ok, tudo bem". O rapaz seguiu para a rua, conjuntamente com outra equipa. Andamos um bocado às voltas, ele ia-me perguntando algumas coisas, eu expliquei-lhe rapidamente o meu percurso profissional, perguntou-me se tinha filhos (sobrolho em alerta outra vez) e assuntos triviais. Então encaminhamo-nos para a estação de comboio.

Parêntesis: eu raramente ando de comboio. Tenho medo. Sim, é ridículo mas é verdade. Embarcar num comboio para mim é um autêntico sacrifício, e faço-o apenas quando necessário em absoluto.

E então, frente à estação, pergunto onde vamos. "Vamos ali à Tapada das Mercês, que é a área de actuação hoje". Hmmm, penso eu.

 

Ninguém me avisou que o trabalho seria venda porta-a-porta. Nada contra. A minha mãe andou a vender porta-a-porta para sustentar duas crianças. Mas ela sabia ao que ia. Eu respondi a um anúncio para "atendimento ao cliente". E o que queriam era que desse um dia de trabalho à casa e só então me elucidavam sobre as condições. Nesse dia as despesas estariam por minha conta, bilhetes de comboio incluídos.

Dei meia volta, disse que para palhaço já havia o Batatinha, e vim embora.

Todo o trabalho honesto é digno. Mas também os empregadores têm que ser dignos e esclarecer as pessoas sobre ao que vão.

publicado por Vita C às 13:02

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