espaço de mau feitio, alguma reflexão, música e outras panóplias coloridas

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Ora pois que eu concordo que as mulheres que decidem abortar o possam fazer de acordo com a sua consciencia. A sua, do parceiro, se ele de facto tiver algo a opinar, e de mais ninguém. A mulher que decide submeter-se a uma IVG nao o fará de animo leve, ou pelo menos assim espero. Nao critico, nao condeno, embora nao concorde. Pois que eu tambem tenho direito a opiniao. 

O que eu também concordo é que esta mulher, assistida no SNS, pague o valor de uma consulta de especialidade. Nao consigo perceber porque nao o fará, venham de lá esses insultos. Eu vou a uma urgencia, pago. Eu vou a uma consulta, pago. Eu sou doente crónica e pago e nao me queixo. Porque nao haveria a mulher que vai abordar de estar isenta? 

Nao me venham dizer que as gravidas estao isentas e para abortar a mulher tem de estar grávida. Se nao quer estar grávida (e eventualmente até terá tomado medidas para isso que, obviamente, sao faliveis) nao tem de ter os privilégios de estar grávida. Ora mas que parvoíce bacoca. 

Há recursos que estao a ser mobilizados e que estao a ser pagos por todos nós, independentemente da nossa opcao politica ou vontade sobre a IVG. A mulher recorre a um servico, paga por este servico, como qualquer um de nós, nem mais, nem menos. 

Diferente ainda é a obrigatoriedade de acompanhamento psicológico. Ora eu sou psicóloga e isto faz-me espécie e urticária. Nao é o psicólogo ou qualquer técnico de saude que irá fazer a mulher ruminar na sua escolha. Nao terá sido fácil (espero) decidir pela IVG. Espero, porque acredito que a IVG nao é e nao pode ser usada como um metodo contraceptivo. Portanto, a dose de dúvida e de sofrimento que levam a mulher a ir em frente com a sua decisao já me parecem suficientes (e até demais). Comparar o psicólogo ou qualquer outro técnico a um penalizador, um moralista, parece-me redutor e contraproducente. O especialista deve lá estar, claro, caso a mulher precise e escolha enveredar pelo apoio. Agora obrigatório? Estamos na escolinha, é isso? O psicólogo é o bicho papao, o senhor polícia? Haja vergonha!

publicado por Vita C às 09:44
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3 comentários:
Sou de esquerda, assumida, militante até. Não acho fascista o teu comentário. Concordo com tudo o que dizes. É uma IVG. À excepção dos casos que, até 2008 (se não estou em erro), eram já legais, acho que não deve estar isento.

Por outro lado, sou mesmo é contra a existência de taxas moderadoras per si :) Acho que a saúde, independentemente de tudo, deveria ser gratuita. Mas isso são outros tostões. Não o sendo...
J.B. a 14 de Agosto de 2015 às 18:49

Sim, obrigada pelas tuas palavras!

Eu de facto nao sou nada direitista. fui militante durante bastante tempo e acabei por deixar de me rever no meu partido, mas sempre fui um ser pensante :)
Vita C a 17 de Agosto de 2015 às 08:57

A questão é essa e é a que muita gente, às vezes, não percebe. Ser militante não significa deixar de pensar.
J.B. a 18 de Agosto de 2015 às 10:39

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