espaço de mau feitio, alguma reflexão, música e outras panóplias coloridas

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Sou uma purista, assumo. Irritam-me "k"s, "q"s e afins, tal como o verbo "tar". Tenho pesadelos com os pobres confusos entre "disse-se" e "dissesse". Sofro de urticária aguda com "a gente" quando acompanhada pela forma verbal primeira pessoa do plural. E note-se, apesar de tudo, eventualmente darei os meus erros ortográficos. Mas, para minha vaidade, estes geralmente ocorrem raríssimamente. 

Depreende-se portanto que estimo e prezo esta língua pátria. Respeito que se actualize a forma como falamos e escrevemos de forma a que a língua seja um verdadeiro instrumento sem se resumir a uma formalidade estética. Contudo, a língua é, também, uma forma de arte, uma subtileza fina que arrepia quem se deixa seduzir e envolver pela leitura. 

Falho claramente em compreender a necessidade de um AO que nem sequer é consensual nos restantes países onde seria (mas nem é) aplicado. Ainda assim mais grave parece-me esta obrigatoriedade civil de nos vergarmos ao peso de "agora tem de ser assim porque escrever da forma antiga dá erro". Como pode haver erro possível se até as escritas das cantigas de amigo e escárnio e maldizer seguiam a grafia "antiga", ai deus e u é? Como posso ler Saramago, Pessoa, Torga ou qualquer outro subjugados a uma escrita que a ninguém beneficia? Faz-me lembrar a novilíngua e o duplopensar de Orwell, em que a língua se reduzia e simplificava de forma a abranger cada vez menos capacidade e liberdade de pensamento. Sem palavras para descreverem a liberdade da inventividade, esta pura e simplesmente deixa de existir. Aplanar a diversidade linguística por um humor de obrigatoriedade é orwelliano. 

 

 

Daí que, para mim, "peremptório" nunca, jamais em tempo algum, poderá ser "perentório". 

publicado por Vita C às 10:17

2 comentários:
Olá linda Ruiva... desculpa a ausência. É um atentado isto que estão a fazer ao nosso português... eu vou tentando aprender com a minha petiz, porque ela já não conhece a "nossa" forma de escrever e eu tento fazer como ela, mas vejo os meus erros aumentarem a olhos vistos... eu confesso que dou alguns erros, principalmente os relacionados com acentuação, mas vejo-os aumentar como pulgas... é tão esquesito... Credo! De repente nada sei! :-)
soumaiseu a 25 de Maio de 2015 às 12:15

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